Carros & Motos

As perspectivas das montadoras em 2025

China domina no elétrico, generalistas tem 30% do mercado

Mercado tem cabo de guerra entre modais
Mercado tem cabo de guerra entre modais Foto : BYD / Divulgação CP

As generalistas Toyota, General Motors, Honda, Hyundai e Stellantis ficaram com 30% do mercado automobilístico global. Já as marcas eletrificadas como BYD, Tesla e Volkswagen ficaram com 25%. A partir de 2025, a Volkswagen vai surfar uma nova onda elétrica porque necessita com urgência de uma nova geração de veículos elétricos, já que "perdeu" o mercado da China, onde foi dominante por 25 anos em sua parceria com a SAIC, iniciada em 1984. Depois, a Volkswagen cometeu erros estratégicos, o maior deles sendo não ter acelerado a produção de veículos elétricos com qualidade que pudesse competir com as montadoras chinesas, que agora inundam o mercado global com carros e SUVs elétricos e híbridos. Os híbridos voltaram com força total em 2024 e expandirão seu mercado em 2025.

No mercado de projeções e análises, destaca-se a norte-americana "Marketsand Markets", que divulgou um magnífico estudo com 76 páginas sobre as perspectivas da indústria automobilística em 2025. Trata-se de uma perspectiva otimista, baseada no investimento das montadoras de mais de 700 bilhões de dólares para a instalação de unidades industriais em diversas regiões do mundo destinadas à produção de veículos eletrificados.

O estudo cita circunstâncias políticas momentâneas que podem não ser as mesmas em pouco tempo, devido à volatilidade da geopolítica. No mundo concreto da produção automobilística, prevalecem os algoritmos, a inteligência artificial, os chips e números grandiosos de investimento. No estudo, fica evidente que a "trilha elétrica", com a locomotiva chinesa à frente, prevalecerá em 2025. Então, é possível vislumbrar no mercado brasileiro, que não é fundamental nem preponderante, que a tendência para 2025 continuará a favor dos veículos elétricos. Os números divulgados da venda de 180 mil veículos eletrificados no Brasil em 2024 projetam o sucesso dos eletrificados para 2025.

Na produção global, a BYD e a GWM integram aquele "pacote" dos 700 bilhões de dólares investidos pelas principais marcas em novas unidades industriais pelo mundo. A partir de 2026, a BYD e a GWM, que podem ser seguidas em breve pela Chery, terão capacidade de produção de mais de 300 mil unidades. Num mercado que hoje não consome mais de 2 milhões de unidades, isso é uma "enormidade". Numa perspectiva global, Donald Trump quer, de novo, destruir regras ambientais necessárias para a "limpeza do ar", que foram instauradas no governo de Joe Biden, o qual colocou 370 bilhões de dólares para a formação de um sólido mercado para o carro elétrico nos Estados Unidos. Trump quer a volta dos motores a combustão, mas pode ficar só na vontade, porque o desejo do consumidor norte-americano, segundo o estudo da Global Automotive, continuará direcionado à eletrificação do automóvel em escala global. A parte consciente da humanidade sabe que o planeta não suporta mais nenhum grau de aquecimento global, e o clima já ultrapassou os limites da preservação da "espécie humana". A seca começa a se instalar no Brasil e causará prejuízos trilionários aos produtores de soja, que é um dos pilares da economia brasileira. Enquanto isso, os Estados Unidos da América são afetados por um inverno que coloca o país rapidamente na "Idade do Gelo". E, provavelmente, mamutes milenares vão disputar espaço nas "highways" com o "novo" Mustang de Trump, aquele com o "arqueológico" motor V8 a gasolina com mais de 700 hp.

O estudo mostra que as montadoras continuarão a produzir, em 2025, uma maioria de veículos a combustão, para entenderem que são cada vez menos aceitos ao redor do mundo. O combustível fóssil será extinto no máximo até 2035 e, até lá, Mr. Trump será passado. Mas convém lembrar que, no primeiro mandato de Trump, graças à aniquilação de leis ambientais necessárias, os Estados Unidos da América tiveram um aumento de 58% na poluição ambiental. Agora, de novo, vão ter que dormir ao lado de um monstro malcheiroso: o dióxido de carbono.

O estudo se refere aos mais de 4 milhões de pontos de recarga para carros elétricos. Este número deve crescer geometricamente até o final de 2025. No Brasil, há iniciativas das montadoras e empresas privadas que montam redes de recarga nas principais cidades e rodovias. Também é um fenômeno global, salienta o estudo, o fato de as montadoras se tornarem provedoras de equipamentos e serviços para eletrificação, que é um negócio "trilhardário". Segundo a "Global Automotive", é a consciência humana que determinará que o futuro só será viável com a extinção do uso do petróleo. A projeção é de um leve aumento da participação do carro elétrico no cenário global, que, em 2024, foi de 25%. Os números de participação podem mudar na medida em que o mercado mundial sofrerá, em 2025, os mesmos efeitos negativos da geopolítica instável. Por exemplo, a guerra entre Rússia e Ucrânia induziu à falta de componentes que afetou a produção automobilística global. A Ucrânia era o terceiro maior produtor mundial de componentes automotivos. Enquanto isso, o genocídio em Gaza atiça forças do terrorismo em escala global, e atentados a refinarias e plataformas de petróleo podem gerar uma crise de abastecimento que refletirá no crescimento do mercado do carro elétrico.

São muitos os caminhos da indústria automobilística em 2025. A competição entre Oriente e Ocidente será ainda mais acirrada. Os custos de produção serão ainda maiores para todos os fabricantes, que já buscam novas consolidações e parcerias. A eletrificação é inevitável, mas o automóvel ainda é dependente do petróleo. As grandes marcas sabem que a crença no passado é um alto risco. O CEO português da Stellantis acreditou que veículos a gasolina continuariam lucrativos. Nos Estados Unidos da América, a Jeep e a Ram perderam bilhões ao insistirem no petróleo. A Nissan está semifalida com seus carros a gasolina e deseja uma parceria "salva-vidas" com a Honda. Pode ser tarde demais. Enfim, em 2025, todas as grandes marcas terão que ser ainda mais ágeis em suas decisões.