Carros & Motos

BYD mostra seu poder nos “Ro-Ro”

BYD Shenzhen utiliza combustível marítimo tradicional (óleo combustível), Gás Natural Liquefeito (GNL) e baterias BYD Box

Grandes embarcações podem levar milhares de carros
Grandes embarcações podem levar milhares de carros Foto : BYD / Divulgação CP

É um espetáculo que chega pelo mar aos principais portos do mundo e do Brasil. No lançamento do Renault Kardian, numa área "ao ar livre" na parte traseira do Museu do Amanhã, na cidade do Rio de Janeiro, os jornalistas que faziam reportagens, próximos aos Kardians estacionados, tiveram a visão impactante de que um enorme navio se aproximava pelo canal de navegação que leva ao porto. Este canal está a poucos metros dessa "área livre" do museu, que serve para coquetéis, recepções e jantares numa cidade de clima predominantemente quente durante todo o ano.

E o navio imenso se aproximava lentamente, e a sensação era que "atropelaria" a área do evento. Era assustador ver aquela massa metálica toda em branco, com grandes letras vermelhas nas laterais que faziam referência à líder mundial em eletrificação, a BYD. Essa embarcação transporta para os principais portos do mundo até 9.000 veículos por viagem, acomodados em "gigantes" com mais de 200 metros de comprimento. Esses navios utilizam uma sofisticada engenharia que permite que os carros entrem "rodando" no navio e saiam da mesma forma, o que agiliza o carregamento e a entrega.

Esses navios, denominados "RoRo" ou "roll-on roll-off", geram uma espetacular economia e velocidade no transporte transoceânico, além de oferecerem maior segurança, pois as tripulações passam pelo exigente treinamento da BYD, que pode selecionar a equipe de comando. Em geral, essa equipe é formada por experientes comandantes com larga vivência em transporte marítimo, que ganham salários milionários.

De 2015 a 2022, a BYD construiu, em estaleiros pelo mundo, 100 navios RoRo padronizados. Navios de menor porte ficaram restritos aos portos chineses e de cidades asiáticas. Mas a frota se agigantou na medida em que a BYD expandiu suas exportações para o mundo. A BYD já ordenou que estaleiros chineses produzam mais 8 navios no período de 2025 a 2028.

A última conquista tecnológica a singrar os mares do mundo é o gigantesco BYD SHENZHEN, grandioso em suas medidas: 219 metros de comprimento, 37,7 metros de largura, com velocidade média de 19 nós, o equivalente a 35 quilômetros por hora. Uma velocidade elevada para um "monstro" com milhares de toneladas. Mas o que surpreende é o nível de tecnologia embarcada, que serve também como um importante marco de eficiência nos mares para uma montadora que alardeia para o mundo ser uma montadora verde, dedicada à eletrificação da mobilidade. Nem tanto, já que a BYD tem produzido mais carros híbridos, que combinam um motor a combustão e um motor elétrico. E são motores a gasolina, um combustível fóssil e poluente.

Os chineses são muito rápidos em suas decisões mercadológicas e perceberam que o mundo ainda não está totalmente voltado para o carro elétrico. É lógico que a dramática mudança de poder nos Estados Unidos da América, que tem como presidente um negacionista, que não gosta de carro elétrico e já incentiva todas as montadoras que vendem seus produtos em território norte-americano a produzirem veículos movidos a petróleo, contribui para esse cenário. Trata-se de um tremendo atraso tecnológico para as montadoras norte-americanas e demais marcas presentes naquele mercado. Como a BYD almeja ser forte também nos Estados Unidos da América, um mercado poderoso, é melhor apresentar carros a combustão por lá.

O Brasil, que tem fábrica da BYD, também desestimula o carro elétrico, na medida em que o presidente Lula aposta no petróleo a ser extraído da Amazônia. Não no meio da floresta, mas próximo.

O BYD Shenzhen utiliza três fontes de energia para se movimentar pelos mares: combustível marítimo tradicional (óleo combustível), Gás Natural Liquefeito (GNL) e baterias BYD Box, que não poluem. Mas o óleo e o gás não deixam a BYD vulnerável às críticas que partem de governos e organizações não governamentais, que se preocupam com a saúde dos oceanos, já muito debilitada.

Ainda assim, diante do mundo, essa vistosa "vitrine marítima" da BYD apenas reafirma o poder dessa marca global, que exportou mais de 450 mil veículos em 2024. E a BYD segue na ampliação do envio de carros para o Brasil, que já é um mercado importante para a montadora. Uma realidade que só deve se ampliar na medida em que a BYD passará a produzir no Brasil a partir de 2026.

Por enquanto, além dos bons produtos à disposição do consumidor brasileiro, como Dolphin, Seal e King, entre outros modelos, há esse espetáculo da chegada dos poderosos RoRo nos portos do Brasil. Ao vivo, é quase inacreditável.