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BYD não dá trégua para a concorrência e mostra a picape Shark na Expointer

Utilitário é híbrido plug-in com 430 cavalos de potência

Picape tem visual agressivo e atualizado
Picape tem visual agressivo e atualizado Foto : Renato Rossi / Especial CP

A BYD esteve na Expointer com uma novidade que define que a prática comercial dos chineses no Brasil é a mesma que utilizam no mundo. Eles não deixam espaço para a concorrência em todos os segmentos do mercado. No Brasil, a BYD já tem os hatches Dolphin e Mini Dolphin, o sedã "clássico" King, o sedã esportivo Seal e os SUVs Yuan e Song. Essa "linhagem" surpreende, considerando que a marca tem apenas dois anos no mercado brasileiro. Na Expointer, a BYD não mostrou o "boi gordo", mas sim um voraz tubarão, na forma atraente da picape Shark, que pode ser produzida no Brasil a partir de 2026.

Por enquanto, é um produto importado da China, já à disposição do consumidor brasileiro. Afinal, os gigantescos navios roll-on/roll-off da própria BYD "singraram" os mares no primeiro semestre em viagens constantes da China para o Brasil, trazendo mais de 120 veículos. "Os chineses têm uma incrível capacidade de reação diante das diversas circunstâncias do mercado global. Mas é uma rapidez que vem de complexas análises dos mercados em que atuam. Bastaram comentários na mídia e manifestações da Anfavea sobre um possível aumento no imposto de importação para que a BYD reagisse, criando um estoque de proteção que permite que os preços sejam mantidos, mesmo com novo imposto. O resultado é que a rede BYD no Brasil, e particularmente a Iesa BYD, já tem estoque da picape Shark. Por isso, realizamos a pré-venda durante a Expointer, com uma demanda pela Shark que nos surpreendeu, já que tivemos em média 200 test drives por dia na pista de off-road construída para o evento", enfatizou o diretor do Grupo Iesa, Ambrósio Pesce.

Interior capricha no multimídia | Foto: BYD / Divulgação CP

Ele acrescentou: "Os chineses dominam a eletrificação no mercado global numa competição leal, baseada na qualidade do produto. Não acredito que o aumento de imposto impedirá uma demanda crescente pelo veículo chinês. O mundo quer a eletrificação, que significa descarbonização. E a BYD oferece veículos de alta qualidade, elétricos e híbridos. A picape Shark integra esta filosofia construtiva voltada à qualidade do produto".

Na observação estática na área da revenda Iesa, a Shark mostrava sua atratividade no design, sempre um ponto crítico numa picape. Afinal, como tornar atraente ou "sedutor" um veículo que nunca primou pela "sutileza"? Mas a Shark é atraente à primeira vista, ponto a favor da BYD. Na dianteira, o vistoso "tubarão" já mostra que está disposto a "morder" a concorrência. Se possível, devorá-la.

Os faróis de LED são interligados por uma barra horizontal, resultando em uma frente "expandida". Logo abaixo desta barra, o "enorme" logotipo cromado da BYD dá mais força à dianteira, sem dúvida impositiva. No geral, o design da carroceria tem linhas retas, que remetem às picapes norte-americanas dos anos 50. Na traseira, as lanternas de LED são conectadas pela tampa da caçamba com abertura convencional, formando um conjunto harmônico.

A Shark tem 5,45 metros de comprimento, 1,97 metros de largura e um entre-eixos de 3,26 metros. Esse entre-eixos maximizado se traduz em um espaço generoso para quatro passageiros. No interior, prossegue o diferencial dos chineses, que nunca sossegam na ânsia de oferecer sofisticação aos ocupantes. É uma postura oposta ao acabamento simplório de uma S10 ou Mitsubishi L200. Na Shark, o dedo que aperta as superfícies "afunda" na espessura e até na "fofura" dos revestimentos. Há um novo ruralista por aí que pode ter Porsche e Mercedes na garagem, mas que quer sofisticação na picape, que ultrapassou o utilitarismo e virou um veículo que comunica o status do ruralista.

No painel digital de 10,25 polegadas, há informações completas sobre os controles e equipamentos da Shark, enquanto a tela central giratória serve ao completo sistema de infoentretenimento com Android Auto e Apple CarPlay. Num teste rápido na pista de off-road, destacaram-se a firmeza das suspensões e a rigidez torsional da plataforma, que remetem à super rigidez do sedã King.

Tração integral tem inspiração no BYD King | Foto: Renato Rossi / Especial CP

O "trem de força" é híbrido plug-in, composto por um motor 1.5 turbo a gasolina e dois motores elétricos, que juntos disponibilizam 430 cavalos de potência. Na pista com obstáculos, essa potência se revelava na poderosa capacidade de aceleração, que faz a Shark ir de 0 a 100 km/h em pouco mais de 5 segundos. No sistema híbrido plug-in, embora com motor a combustão, o comportamento dinâmico é tipicamente de carro elétrico: rápido, potente, sem folgas nem "refresco" na aceleração.

Para amenizar o ímpeto da Shark, a tração nas quatro rodas conta com distribuição automática do torque entre as rodas dianteiras e traseiras, algo fundamental no uso off-road. No utilitarismo, cabem 835 quilos de carga na caçamba. O design inspira certa leveza comportamental, que se mostrou na pista na segura e fácil manobrabilidade. A durabilidade, segundo a BYD, se apoia na nova plataforma DMO, robusta e utilizável nos veículos com destinação off-road da BYD.