Carros & Motos

China avança na conquista global

BYD continua dominante nos países nórdicos como a Noruega, Finlândia, Islândia, Suécia e Dinamarca
BYD continua dominante nos países nórdicos como a Noruega, Finlândia, Islândia, Suécia e Dinamarca

Os dois eventos podem coincidir nas datas e são também uma síntese impactante da atual realidade do mercado automobilístico global e seus efeitos colaterais no Brasil. No final de semana, a Volkswagen lança num festival de musica em São Paulo ao Tera. O suv “made in Brazil” visa tornar a Volkswagen do Brasil mais competitiva num segmento dos suv compactos com preços entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. O mais competitivo do mercado.

Atravessando oceanos silenciosamente, movido pelos poderosos motores elétricos e a gás, chega provavelmente no próximo final de semana o BYD Shenzen, o maior navio de transporte de veículos no mundo, com capacidade para 9 mil unidades. O Byd Shenzen chega ao Porto de Itajai, em Santa Catarina, num momento em que a China tenta vender no mundo um excedente de produção de alguns milhões de unidades.

As grandes marcas da China produziram demais para um mercado elétrico que se retraiu devido ao desaquecimento da economia. Com excedente de produção, a China coloca centenas de milhares de veículos nos portos do mundo. Com preferência pelos portos dos países receptivos aos veículos chineses, que ainda praticam taxas de importação razoáveis bem abaixo da Europa, por exemplo, coloca 100% de tributaçao em cima da produção Chinesa. Assim como as taxas abusivas e insanas determinadas por Donald Trump inviabilizam o carro chinês no mercado norte americano, os chineses então buscam o mundo possível e receptivo.

No entanto, o “carro chinês” não depende somente das taxas de importaçao para conquistar ou não os mercados globais. Se o imposto de 100% foi um freio nas exportações chinesas para a Europa, o mercado interno europeu não rejeita o carro sobre taxado. E isto surpreende. Por exemplo, a BYD continua dominante nos países nórdicos como a Noruega, Finlândia, Islândia, Suécia e Dinamarca. São mercados onde os 10 carros mais vendidos são produzidos na China. E são puramente elétricos. Esta aceitação cada vez maior dos “eletrificados” chineses, que agora incluem também os híbridos, induz à reação da industria automobilística que teme a perda dos mercados ocidentais.

Isto é mais evidente na Europa que reage na intensificação do lançamento de modelos elétricos e associação as marcas chinesas numa escala global. A Renault fecha acordo de mútua cooperação tecnológica e comercial com a Geely e inicia esta associaçao pelo Brasil. Onde a Renajult e Geely prentendem lançar modelos produzidos na unidade industrial de São Jose dos Pinhais – que é a principal unidade industrial da Renault fora da Europa.

A indústria automobilistica ocidental sente a pressão da produçao automobilística chinesa , com seus produtos de alta qualidade. Mais do que isto: as tradicionais ocidentais não conseguem acompanhar a BYD, Saic, Chery, Geely, Gac e outras, que mostram ao mundo veículos para todos os segmentos. Alguns com design sedutor e avançados na tecnologia. Pior para as marcas ocidentais que os veículos chineses custam bem menos do que os veículos a combustão produzidos por marcas tradicionais. Mas fica difícil comprar a singeleza pobre do Mobi quando se pode comprar um Mini Dolphin da Byd elétrico e superior na tecnologia.

A chegada dos chineses ao mercado brasileiro tem pontos positivos: induziu a redução em torno de 100 mil reais do Kwid elétrico. A Volkswagen foi a primeira marca européia que reagiu aos chineses ao lançar em setembro de 2019 no Salão do Automóvel de Frankfurt ao primeiro modelo elétrico da marca o ID 3.

Testado em Carros&Motos do CP o hatch back “acupezado” mostrou uma ótima performance. Na Europa, seguidos problemas do “software” do ID3, empalideceram o lançamento. Os carros a combustão continuaram a ser o foco principal da grande marca global.

O Tera que chega ao mercado e movido a motor a combustão, sem hibridismo. Para as marcas ocidentais a chegada tardia a eletrificação significa que estão atrás dos chineses e que se não reagirem o “ficar atrás” significara prejuízos catastróficos que podem atá mesmo extinguir grandes marcas. A Japonesa Nissan é um exemplo do que a falta de competitividade e o apego a tecnologias tradicionais pode causar: a Nissan está numa sitaçao crítica e vai demitir 20 mil empregados. É muito é excessivo.

Esta recente competitividade “tecnológica” tão avassaladora ajuda na montagem do “mito chinês”: o pais de milenar história que teve mais perdas do que ganhos e que agora emerge como uma espécie de “farol do mundo”, bem além do decadente Estados Unidos da América. Apesar dos recuos históricos, a China chega a 2025 como uma inegável potência econômica, tecnológica e cultural. Na medida em que milhares de escolas e universidades propiciam a escolarização de centenas de milhões, a China consegue destaque global com sua indústria automobilística não por acaso. É fruto de um trabalho árduo que envolve milhões de chineses que trabalham nas linhas de montagem, nos laboratórios, nos centros de Pesquisa e Desenvolvimento espalhados pelo mundo.

As associações com marcas ocidentais têm propiciado trocas que tecnológicas e colaboração humana, que mostra se vital para o futuro do automóvel. Mas a não é imune ao olhar critico. Por exemplo, surprreende a rápida mudanças no marketing global das montadoras chinesas. Se os carros combustão pura não são mais aceitos nem incentivados no mercado chinês, o governo comunista continua incentivando a produção de veículos a combustão e híbridos para mercados emergentes. Portanto, aquilo que não serve mais para a China que necessita de ar limpo para respirar serve para mercados emergentes como do Brasil, que têm leis ambientais condescendentes em relação à poluição ambiental.

A carga do Byd Shenzen de mais de oito mil veículos e composta por uma maioria de carros híbridos dotados de motor traz para o Brasil, milhares de veículos híbridos muito distantes do conceito de "emissões zero”. O carro hibrido chinês é poluente. Esta China tão incensada mostra também o lado sombrio de um capitalismo predador. Mas estes veiculos híbridos da Byd, GWM e outras, pela força da publicidade e marketing, se transformam em amigos do meio ambiente, quando se sabe que os únicos que trabalham a favor do meio ambiente são os carros eletricos. Estes são minoria naquele “baita” navio da Byd que logo chega.