A Stellantis está preparando o lançamento do Basalt no mercado brasileiro para agosto. O "crossover" tem um design que o aproxima do Fiat Fastback, com uma frente elevada e imponente, além de uma traseira com "queda rápida" ou "fastback", o que confere um grau de esportividade ao design do Basalt. Essa característica também acrescenta esportividade ao Fiat Fastback, que tem um ótimo nível de vendas no mercado brasileiro.
O Basalt foi lançado na Índia em julho, um país cuja representatividade na indústria automobilística mundial cresce continuamente. Em 2023, mais de 4,5 milhões de carros e SUVs foram vendidos na Índia, um número que deve ser superado em 2024. No entanto, a Índia ainda enfrenta desafios em suas condições de rodagem. Em muitas regiões do país, as estradas têm duas mãos com sinalização precária, e os motoristas, segundo organismos internacionais voltados à segurança viária, estão entre os mais temerários e agressivos do mundo. É comum nas rodovias indianas a prática de alta velocidade e direção na contramão, o que resultou em mais de 180 mil mortes em acidentes rodoviários em 2023. Este número é alarmante, especialmente considerando que a Índia tem uma população de 1,4 bilhão de pessoas.
Além disso, o trânsito na Índia é peculiar, com centenas de milhares de "vacas sagradas" circulando pelas estradas. Atropelar uma dessas vacas pode resultar em longas penas de prisão, e como a maioria dos indianos é vegana, o prisioneiro sabe que não haverá bife na cadeia. Esse é apenas um exemplo do humor negro num país cujas tradições e costumes em geral não são compreendidos por estrangeiros.
Apesar dos riscos no trânsito indiano, os moradores não desistem do sonho de ter seu próprio carro, o que evita o uso dos metrôs superlotados das megalópoles indianas e de um sistema ferroviário igualmente perigoso, com frequentes acidentes envolvendo centenas de vítimas. Nesse cenário complexo, o mercado automobilístico não para de crescer, tornando-se uma espécie de "laboratório" para as grandes marcas globais, onde preferências por design, motorização e tipo de veículo são testadas antes de serem lançadas em outros mercados ao redor do mundo. Hoje, veículos que chegam ao mercado brasileiro são lançados antes na Índia, como é o caso do SUV Basalt, já comercializado na Índia e que em breve chegará ao mercado brasileiro. O novo Duster também foi lançado na Índia, mas ainda não tem data definida para chegar ao Brasil.
As projeções das montadoras na Índia indicam um mercado de mais de sete milhões de unidades até 2028, e grandes marcas, principalmente as chinesas, estão investindo nesse mercado que demonstra preferência por SUVs médios. O Citroën Basalt tem como concorrentes o Citroën C3 Aircross, Tata Eléctrico, Citroën C3, Honda Amaze, Mahindra XUV 3XO, MG Astor, Honda Elevate, Maruti Fronx e Hyundai Creta. Todos são SUVs de porte médio, e pelo menos o Honda Elevate também será lançado no Brasil.
O Basalt representa para a Stellantis no Brasil uma oportunidade de atrair um público maior para a Citroën, cuja imagem no país foi prejudicada por produtos de qualidade duvidosa, como os terríveis Citroën Pallas e C3, que tinham problemas de estabilidade direcional e múltiplos defeitos, além de um serviço de assistência técnica de má qualidade. No entanto, a Stellantis, com seu poder global, tem lançado produtos de melhor qualidade no Brasil, como os novos C3 e Aircross. Ainda falta, porém, a "cereja do bolo", um modelo que realmente impacte o consumidor, e esse pode ser o Basalt.
O que é o Basalt?
Fotos, vídeos e resenhas jornalísticas na mídia automotiva indiana mostram um SUV compacto do tamanho de um Kardian, com linhas "musculosas" expressas na frente, com capô elevado onde se destacam os faróis estreitos em formato de "filetes", uma grade dianteira que integra duas barras estreitas cromadas e o logotipo da Citroën no centro, projetando-se para o capô. Logo abaixo, os faróis diurnos têm formato quadrado e são mais marcantes e maiores em relação aos faróis superiores. Há duas entradas de ar na frente com acabamento metálico abaixo dos faróis auxiliares, além de mais duas pequenas entradas de ar. Apesar do "excesso de componentes", a frente do Basalt é forte e atraente.
Nas laterais, destacam-se as caixas de rodas com acabamento em plástico na cor preta, que também integra a faixa na parte inferior da traseira, funcionando como "para-choques". O vidro traseiro é pequeno e ovalado, e tem recebido críticas na imprensa indiana devido ao seu tamanho reduzido, que compromete a visibilidade traseira. Há um pequeno aerofólio na tampa do porta-malas, e as lanternas traseiras são grandes, em forma de "garra", invadindo as laterais. Essas lanternas expandem a traseira e se integram à aparência geral "musculosa" do Basalt.
Na Índia, o Basalt custa o equivalente a 30 mil dólares, um preço razoável para o mercado indiano, que integrou mais de 500 milhões de pessoas numa classe média em ascensão financeira e consumista. Segundo múltiplas resenhas na mídia indiana, o Basalt é uma tentativa da Citroën de oferecer um veículo mais impactante no design exterior e mais "caprichado" no interior, com uma tela digital de 10,25 polegadas no centro do painel, um cluster digital de sete polegadas para o motorista, um novo console central e sistema automático de controle do ar-condicionado.
A imprensa indiana destaca a melhora na qualidade do material utilizado nas forrações de bancos e painéis laterais, um ponto fraco no novo C3 comercializado no Brasil, cuja "pobreza" de acabamento é notável. O espaço para os passageiros nos bancos dianteiros é generoso, especialmente na traseira, onde até cinco passageiros viajam com razoável conforto. A mídia indiana elogia a ergonomia dos bancos dianteiros. Outro ponto destacado é a segurança, que é uma obsessão para o governo indiano, diante dos quase 200 mil mortos nas estradas da Índia em 2023.
A Citroën aplicou aço de alta densidade na estrutura de carroceria e chassi do Basalt. Há seis airbags em todas as versões, zonas de deformação programada na carroceria, quatro freios a disco, programa eletrônico de estabilidade, assistente de linha reta e piloto automático adaptativo na versão topo de linha. Os motores para o mercado indiano têm 1.000 cm³, são turbo e rendem de 81 a 109 cavalos de potência. No Brasil, a Stellantis deve adotar o motor 1.3 com 185 cavalos de potência. O Basalt é definido como um SUV coupé na Índia e, acima de tudo, representa uma oportunidade para a Citroën alcançar melhores resultados em vendas no mercado brasileiro.
Em julho de 2024, o Citroën C3 foi o modelo mais vendido da marca, com 2.111 unidades vendidas, ocupando a 38ª posição em vendas. Já o Citroën Aircross não decolou em vendas no Brasil, ocupando a 53ª posição no ranking dos 100 mais vendidos em julho, com 924 unidades vendidas. É muito pouco. A rede Citroën está ansiosa para que o Basalt chegue logo.
