Eles foram os preferidos pelos consumidores em 2025. Prosseguem em 2026 como os mais desejados por terem atributos que integram o “senso comum” que promove a aceitação ou rejeição de modelos, que podem ser lançamentos ou modelos que já têm um “histórico” no mercado. Aqueles que se tornaram uma “compra segura”. Do histórico dos “vencedores” fazem parte o valor de revenda, a qualidade geral do produto e o sentimento positivo que o proprietário nutre pelo “meu carro”. Se a primeira viagem com a família foi prazerosa nos quesitos ergonomia interna, capacidade de carga ou performance satisfatória, então já acumula pontos para ser aceito pelo tempo restante de uso.
Mas existem problemas “ocultos”, como os crônicos problemas nas suspensões dos Peugeot, finalmente sanados; ou na crônica insatisfação dos consumidores com a marca Citroën, parcialmente sanada. Quem comprou o sedã Pallas em 2007 logo percebeu que aquela Citroën não respeitava o consumidor brasileiro. Era ruim demais o Pallas. Mas hoje quem compra um Basalt sente o quanto a Citroën evoluiu sob o comando do Stellantis. Como evoluiu a Peugeot, que “infernizou” a vida dos proprietários com os péssimos 206 e 207, lançados no Brasil a partir de 2001. Eram carros que pareciam ter cem anos de uso após um ano de uso. Literalmente se “desmanchavam”. Rode agora no ótimo 2008 e sinta a enorme evolução da marca no Brasil. O Stellantis não “brinca em serviço”.
Outro ponto negativo ou positivo para uma marca é a assistência. Se for precária, com falta de peças, o conserto “caro e problemático” pode mudar o “humor” do proprietário para o descrédito. Recente pesquisa de consultoria norte-americana demonstra que 64% dos revendedores nos Estados Unidos da América estão insatisfeitos com a performance da Nissan em relação a produtos e marketing da montadora. O resultado é que não investem mais em assistência técnica, o que amplia a percepção negativa do consumidor. Mas Ivan Espinosa, o novo e dinâmico CEO, promete uma melhora substancial em pontos essenciais da Nissan, a fim de recuperar a credibilidade perdida.
A chinesa BYD começou a comercializar seus modelos no Brasil em 2023, com absoluto sucesso no número expressivo de mais de 230 mil veículos comercializados até dezembro de 2025. É um número impressionante para uma marca com pouco tempo de mercado. Mas os chineses têm sólidos pilares para serem bem-sucedidos, como o investimento bilionário em pesquisa e desenvolvimento de produto, que permite que modelos como o Dolphin e Mini Dolphin ou a linha Song de SUVs sejam sucessos de vendas no mercado brasileiro. Mas há também o lado negativo, expresso em um grande número de “queixas” sobre veículos chineses em sites especializados como o Reclame Aqui. As queixas mais comuns referem-se à falha na assistência técnica, demora excessiva na entrega de modelos e falhas em itens fundamentais, como pinturas lascadas e pontos de ferrugem nas carrocerias.
As marcas chinesas aceitam as críticas e tentam corrigir os defeitos que surgem numa produção em “massa”. Mas a tecnologia elétrica chinesa ainda está em processo de “maturação” no mundo e no Brasil. E a certeza da qualidade só vai surgir uns três anos à frente. Mas, ao que parece, as falhas citadas no Reclame Aqui não arrefecem a vontade do brasileiro de ter um “chinês na garagem”. Nesta edição do Correio do Carro testamos os modelos mais desejados no mercado brasileiro, aqueles que surgem com força no mercado e aqueles que já foram consagrados pelos consumidores. A maioria com um longo histórico de testes pela editoria de CM do CP, que testa carros desde 1987. É tempo suficiente para destacar o que tem qualidade. Vamos juntos.
FIAT STRADA
A Strada é sincera com seu dono e cumpre a missão de ir e vir com um nível de acerto mecânico e tecnológico que evolui constantemente desde o lançamento da segunda geração em 2019. Um marco de qualidade para a Fiat. A “nova Strada”, que chegou ao mercado em 2020, tem dirigibilidade muito superior à da primeira geração. A Strada teve recalibrada a suspensão e até o “baixo centro”, ou equilíbrio dinâmico da picape, foi otimizado. A picape parou de “sair de frente” em curvas e tornou-se mais estável e confiável.
A caçamba ampliada para 844 litros agregou ao lazer o lado “trabalhador”. A capacidade de carga chega aos 650 quilos na versão equipada com motor 1.3, com cabine dupla e câmbio automático. A versão “básica” carrega até 638 quilos. Melhor entender a Strada de forma prática e “genérica” como um bom e sólido produto desta competente Fiat.
O “QUERIDÃO” POLO
O novo Polo, lançado em 2022, é outro “querido” do mercado. Com versatilidade no uso, adequa-se à cidade e não decepciona em rodovia, onde se mostra veloz, com performance consistente. O Polo iniciou testes no CP desde seu lançamento no Brasil em 2017. Foram testes em autódromo, rodovia e cidade. Em autódromo, o Polo sempre mostrou ótimo equilíbrio dinâmico, com pouco “rolling lateral” da carroceria em curvas. Uma impecável estabilidade lateral e direcional o definem até hoje.
Na nova geração, as suspensões confortáveis e competentes sobre asfalto e pisos irregulares, junto ao sistema de direção preciso, geram confiança imediata ao motorista. O trem de força também é competente com a adoção dos motores turbinados. A bordo, o sentimento é de carro seguro e “obediente”.
As melhores versões são as mais sofisticadas Comfortline e Highline, mais caras. Mas a versão de entrada Track, dotada de motor aspirado 1.0 flex com 84 hp, não é um carro lento nem destituído de emoção. Ao contrário, a performance é veloz em rodovia e consistente nas retomadas de velocidade no trânsito urbano. A razão do comportamento satisfatório com poucos hp “à disposição” é o peso reduzido do carro, de 1.084 quilos.
O câmbio manual de cinco velocidades do Track é vantajoso, permitindo trocas na medida certa e desempenho econômico. Com apenas 84 hp, surpreende a performance “elástica” do motor, que evita trocas constantes de marcha. A potência é bem distribuída pelo câmbio bem escalonado, e há prazer na condução do Track. Quem quiser “emoções mais fortes” pode optar pelo motor turbo 1.0 com 116 hp. Emoções ainda mais fortes estão na versão esportiva GTS, com motor turbo 1.4 de 150 hp — um motor “de respeito”. Enfim, é muito bom este Polo.
HB20 — SUCESSO QUESTIONADO
Entre os mais vendidos no mês de dezembro de 2025, dois Hyundai colocaram o HB20 e o SUV Creta entre os 10 mais vendidos. Mérito dos coreanos, que popularizaram o HB20 e tornaram o Creta um sucesso de vendas entre os SUVs médios.
Na análise do HB20 podemos utilizar inicialmente a IA. Os espertos algoritmos, transformados em informações valiosas para o ser humano cada vez mais “conectado”, trazem dados objetivos sobre o HB20, que resultam de bilhões de informações armazenadas em poderosos computadores de donos secretos. Depois de divulgadas pela IA, as informações podem ser confirmadas ou contestadas pela mente humana, ainda valiosa.
A análise da IA começa na origem do HB20: “Lançado em 2012 na primeira fábrica da Hyundai no Brasil, o HB20 foi o primeiro modelo mundial da marca produzido localmente. A estratégia envolveu oferecer um veículo acessível, mas com diferenciais de qualidade e design em relação aos concorrentes da época”. OK, “dona IA”. É isso mesmo, sem nenhuma excepcionalidade. O HB20 é o produto “conciso” para mercado emergente. É básico, evoluiu na performance, mas estancou no design, que nunca foi expressivo e continua mediano na aparência.
A inteligência artificial não concorda. “O HB20 foi lançado no mercado brasileiro em setembro de 2012 e, à primeira vista, era um carro pequeno diferenciado, com atenção aos detalhes. Por exemplo, a Hyundai gastou milhões de dólares somente na tecnologia de produção das portas, que não deviam ser ‘barulhentas’, como nos carros pequenos da concorrência. A boa ergonomia interna também era um diferencial, assim como a performance ágil e confortável, principalmente em uso urbano”.
É verdade, “dona IA”. Mas as suspensões duras do HB20 o colocavam em pé de igualdade com rivais insatisfatórios da época do lançamento, como o “todo durinho” e desconfortável Celta, que fazia com que 100 quilômetros rodados parecessem conter 1.000 quilômetros. Não muito superiores eram Gol e Palio, rivais do HB20. Mas tem razão a IA: o design do HB20 era um pouco mais “caprichado” em relação a seus rivais.
No habitáculo, o HB20 já mostrava uma limitação que persiste: era mais “apertado” que Palio e Gol, mais espaçosos. Hoje, carros da concorrência como Polo, Onix ou Peugeot 208 continuam superiores no espaço interno. Mas o HB evoluiu muito na ergonomia e na posição ao volante na última geração, que é muito mais confortável em relação às versões anteriores.
Enfim, para os brasileiros que sempre tiveram à disposição a simplicidade dos carros de entrada, o HB continua como uma evolução. Mas, desculpe, “dona IA”: a Hyundai podia oferecer mais. O HB20 carece de uma nova plataforma que ampliaria seu espaço interno e melhoraria sua dirigibilidade. Há uma nova plataforma, a “Electric Global Modular Platform”, de grande eficiência, que equipa o ótimo Kia EV3 e o novíssimo subelétrico Hyundai Inster — ainda distante deste Brasil que, pelo “andar da carruagem”, será movido a petróleo 100 anos à frente. Um tempo que será marcado pela volta dos dinossauros num planeta devastado pela poluição ambiental gerada pelo uso abusivo do petróleo.
COMPASS — O RESILIENTE
O Compass ocupou a décima primeira posição no ranking dos mais vendidos em dezembro de 2025. É uma posição ainda honrosa para este veloz e resistente produto da Jeep, lançado nos Estados Unidos da América em 2007 e no Brasil em setembro de 2016. Mas teve origens diferentes, já que em 2006 o Compass era produzido pela decadente Chrysler, que em 2010 foi “abduzida” pela FCA — Fiat Chrysler Automobiles —, à época sob o imenso talento de Sergio Marchionne à frente.
O Compass foi produzido pela FCA até 2021, quando surge o Stellantis, este poder global com 14 marcas no portfólio, mas que atravessa fase de grande turbulência no Primeiro Mundo. No Brasil, o Stellantis anuncia que comercializou um milhão de unidades em 2025. Foram vendidas 62 mil unidades do Compass, o que o manteve entre os 10 veículos mais vendidos no Brasil, com 26% de participação no segmento.
Sem dúvida, uma posição privilegiada num mercado que, em 2024, ganhou novos modelos altamente competitivos, como o Renault Kardian — um ótimo produto da Renault — e o Toyota Corolla Cross, que em dirigibilidade fica aquém do Compass. Nem mesmo os chineses assustaram o Compass, lançado no mercado brasileiro em 2016, o que só acentua sua continuada competitividade.
São Compass sempre velozes, até arrogantes, que “pedem passagem” pelas rodovias do Brasil. A performance do Compass tornou-se mais estável e agressiva a partir da inserção do motor 1.3 turbo com 185 hp, em 2021. Com 27,5 kgfm de torque, o motor encerrou um longo período de críticas direcionadas ao motor Tigershark, importado dos Estados Unidos, que equipou o Compass de 2016 a 2021. Não era totalmente decepcionante, mas a potência de 166 hp lidava mal com baixas rotações e ficava aquém do potencial dinâmico do Compass.
Em 2024, a Jeep passa a oferecer o motor turbo Hurricane nas versões mais acessíveis do Compass. O Hurricane 2.0, com 166 hp, torna o Compass ainda mais veloz. Em nada fica devendo aos 185 hp do motor 1.3 turbo flex. Dezenas de testes com diversas versões do Compass, desde seu lançamento, ampliaram o entendimento sobre suas qualidades dinâmicas, como a estabilidade direcional impecável e a estabilidade lateral superior à dos SUVs médios da concorrência — à exceção do Kardian, que também apresenta dinâmica excepcional.
KARDIAN — ESPERA PELO SUCESSO
O Renault Kardian fechou 2025 na quadragésima posição no ranking dos 50 mais vendidos. É muito pouco para este excelente produto, que foi ultrapassado por SUVs com tecnologia inferior e plataforma antiga, como Chevrolet Tracker, Corolla Cross e Fiat Fastback — os três com comportamento dinâmico que não é superior ao do Kardian. O Fastback, com sua imprecisão dinâmica, é nitidamente inferior, mas ocupa a décima sexta posição no ranking, com 57.305 unidades vendidas.
As vendas de apenas 16 mil unidades do Kardian devem ser tema de análise urgente da Renault, para entender quais fatores reduzem a dimensão mercadológica do modelo no mercado brasileiro. Porque, sinceramente, em termos de comportamento dinâmico, ergonomia interna e conforto de marcha, o Kardian é superior.
Essa superioridade começa na plataforma RGMP — Renault Global Modular Platform, ou “Plataforma Global Modular”. Esta plataforma, com alto nível de rigidez torcional, equipa hoje diversos modelos da Renault, de SUVs compactos como o Kardian a modelos de segmentos superiores.
Mas não é a teoria que comprova a eficiência da plataforma modular, e sim a prática de mais de 3.000 quilômetros rodados pelo Kardian em cidade e rodovia. A experiência que confirma a excepcional qualidade do Kardian, que merece maior sucesso no mercado brasileiro.
DOLPHIN E MINI — TSUNAMI CHINÊS
Lançado em junho de 2023 no mercado brasileiro e logo acessível à mídia especializada pelo competente departamento de imprensa e relações públicas da BYD, o Dolphin, hatchback de porte médio, foi uma forma efetiva e até contundente de mostrar o potencial tecnológico e mercadológico da marca líder em eletrificação no mundo.
Um lançamento que ganhou maior substância à medida que se ampliavam as obras da unidade industrial da BYD na Bahia, fábrica que pode chegar, nos próximos cinco anos, à produção de mais de 400 mil unidades de modelos avançados em tecnologia — característica da BYD.
O Dolphin logo foi testado por CM do CP e agradou. Um carro de fácil dirigibilidade, design agradável, porém pragmático, e performance convincente. Um elétrico de porte médio, com 4,13 m de comprimento, 1,57 m de altura e entre-eixos generoso de 2,70 m. No interior, acomodam-se com conforto até quatro pessoas. A autonomia de mais de 350 quilômetros e a lista recheada de equipamentos tecnológicos foram fatores decisivos para o sucesso do Dolphin no mercado brasileiro.
CM do CP teve a oportunidade de testar o Dolphin no autódromo de Interlagos, onde surpreenderam a aceleração do motor elétrico e as reações confiáveis em reta e curva. Sem dúvida, um produto consistente e sedutor.
Em 28 de fevereiro de 2024 foi lançado o Mini Dolphin, que surpreendeu ao ultrapassar o Dolphin em vendas. Com design que o aproxima de um mini “batmóvel”, o Mini seduz pela estranheza, sugerindo certa dose de claustrofobia. Os vidros pequenos evidenciam a área metálica maciça, passando a impressão de “carro forte”. O Mini é companhia destemida para quem se sente indefeso no temível trânsito brasileiro, onde impera a “lei do mais forte”.
O Mini parece “embutir” as pessoas no habitáculo, mas a boa ergonomia interna acolhe até quatro passageiros. O Mini é sucesso, com mais de 34 mil unidades comercializadas em 2025. Enfim, os dois BYD, que não estão nas listas dos mais vendidos em 2025, foram responsáveis pela “popularização” da marca no mercado brasileiro. O Mini Dolphin deve ser produzido em Camaçari.
Ambos solidificam a crença no carro elétrico, que tem muito mais chances de entrar no futuro do que esta recente “onda” de carros híbridos com motor a combustão, que combinam com o negacionismo e a prepotência de um “velho” que posa de imperador do planeta. Donald Trump detesta o carro elétrico, que é a sólida porta de saída para a terrível poluição gerada pelo uso do petróleo. E chineses não gostam de Trump — para sorte do planeta.
