Um início difícil, cheio de incertezas, para a indústria automobilística, que é uma das forças dominantes da economia global. Afinal, carro e petróleo têm um casamento que já dura cem anos. E quando todos pensam que a união foi abalada pelo impetuoso e rápido carro elétrico, as promessas de viverem juntos para sempre de novo unem o casal.
E Jim Farley, o CEO da poderosa Ford, em declarações à imprensa global, salienta que a Ford está de volta à combustão e ao petróleo. É um tremendo retrocesso em relação ao temível aquecimento global, mas a Ford sente que os desafios relacionados ao carro elétrico ainda não foram superados.
Os chineses são a cara vistosa do carro elétrico e recuam na produção dos elétricos puros e aumentam geometricamente a produção dos carros híbridos. De novo o velho híbrido, que data de 1997, é aceito sem restrições e promete ampliar a poluição ambiental, já que o híbrido divide a tração entre a corrente contínua elétrica e a poluidora combustão.
Mas é difícil acreditar na ética chinesa de uma real preocupação da redução da poluição ambiental no mundo quando se sabe que a energia que move o crescimento industrial e tecnológico da China vem do carvão. Nada mais poluidor no mundo do que o carvão.
Portanto, 2026 inicia com esta perigosa volta ao passado diante de um presente de geopolítica instável, onde, paradoxalmente, a produção global do petróleo também está ameaçada pelo confronto cada vez mais intenso entre as potências nucleares que querem petróleo.
E Donald Trump, que posa de dono do mundo, quer petróleo de graça. Se não tem, vai tomá-lo de alguém. As reações de China, Rússia e agora da Comunidade Europeia são cada vez mais intensas e belicosas.
É o mundo que tem que resolver o desafio imediato do aquecimento global e se distrai com guerras localizadas que podem levar a uma conflagração que, com certeza, seria o final dos tempos. Por enquanto, o Armagedon está na Bíblia. O fim dos tempos. Talvez a estupidez humana antecipe este final apocalíptico.
São considerações genéricas que afetam aos seres humanos na medida em que os enfrentamentos geram vítimas reais. Basta ver os milhares de mortos no Irã, que é um dos maiores produtores de petróleo do mundo.
Mesmo o carro elétrico não pode ignorar as tensões geopolíticas. Se os Estados Unidos querem resolver a inflação que cresce com o petróleo da Venezuela, a China quer ser dominante na produção de baterias que dependem das “rare earths”, ou terras raras, que servem à produção de baterias para carros elétricos como servem para a produção de componentes para sua indústria aeroespacial, cada vez mais poderosa nas vertentes da guerra e da paz. A China está para o que der e vier. E não teme os EUA.
Mas a guerra silenciosa pelo domínio da alta tecnologia tem no “chip” sua essência e impulso à frente. E ninguém produz chips tão poderosos como as empresas de Taiwan. E nenhuma produz com a minúcia e qualidade da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company.
E a toda-poderosa TSMC fechou 2025 com 75% da produção global de chips de alta performance. Estes que fazem os carros chineses “dialogarem” com motoristas e passageiros. Os chips superavançados da TSMC são a essência da inteligência artificial. Os carros da BYD precisam destes chips de nova geração, como precisam dos chips de Taiwan os carros elétricos e híbridos da Volkswagen, da GWM e de centenas de marcas.
Mas é a China que, na alta produção de carros elétricos, precisa mais de chips. Então a China liga-se essencialmente a Taiwan, cuja população é chinesa. E provavelmente a China vai tomar Taiwan em ação bélica. A ilha de Taiwan fica a 200 quilômetros da China continental.
A consequência de possível invasão chinesa será um novo enfrentamento entre a China e os EUA, que por sua vez “colonizaram” Taiwan com investimentos trilhardários. Mas a “nova” lógica colonialista data das conquistas de territórios pelo Império Romano. Depois pelo colonialismo inglês, que em 1607 tomou terras na Virgínia, nos Estados Unidos da América, e as denominou de Jamestown, que ficou como marco inicial do colonialismo inglês, que dominou nos séculos seguintes grandes porções do Caribe, África e Ásia.
Agora os EUA transformam-se de novo em país colonialista e querem a Groenlândia, que pertence à Dinamarca. Sob o solo gelado jazem toneladas de “terras raras” que podem sustentar as indústrias de alta tecnologia dos EUA séculos à frente.
Não se sabe qual será a reação dos países europeus diante da possível invasão da Groenlândia. A única coisa que se enxerga no horizonte são nuvens pesadas de tempestade. Após o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, também uma nuvem espessa de radiação mortal pairou sobre as cidades destruídas.
Uma tragédia que, como o nazismo e tantos outros horrores, devia ficar sepultada para sempre. Por toneladas de fé em Deus e na consciência humana. Mas infelizmente, diante das tensões que se avolumam como um tsunami, o tema do automóvel sofre os efeitos destes temas que se tornam essenciais para a continuidade do que entendemos como humanidade.
Não se pode dissociar o automóvel de um cenário mais amplo e temerário.
