O Diretor de Assuntos Institucionais da GWM do Brasil, Ricardo Bastos, concedeu uma entrevista exclusiva ao Programa Conversa de Carro, da Rádio Guaíba AM e FM, onde discorreu sobre temas relacionados à marca GWM, sua presença global e, principalmente, a produção de modelos de origem chinesa, como o SUV Haval, na unidade industrial da GWM em Iracemápolis, interior de São Paulo. A unidade industrial, comprada da Mercedes-Benz do Brasil, recebeu um investimento de mais de 4 bilhões de reais para adaptá-la à produção de veículos eletrificados.
Recentemente, a unidade industrial no Brasil foi homologada pelo Programa Mover, que é uma iniciativa do Governo Federal e da Anfavea. "A GWM chegou ao Brasil no final de 2022, e o sucesso da marca junto ao público brasileiro nos estimulou a apressarmos o processo de nacionalização de veículos que entendemos que podem ter grande aceitação no Brasil. Para que isto ocorra, necessitamos de escala de produção, o que só é possível com a produção local. A homologação no Projeto Mover, cujo direcionamento é a evolução tecnológica de toda a cadeia produtiva da indústria automobilística instalada no Brasil, é um passo importante, já que somos a primeira marca estrangeira a receber homologação para a produção de híbridos plug-in no Brasil," afirmou Bastos.
O veículo plug-in é aquele com bateria de íon-lítio que deve ser recarregada na tomada e que trabalha em conjunto com o motor a combustão. O Haval 6, que será produzido no Brasil a partir do segundo semestre de 2024, permite uma autonomia elétrica de mais de 110 quilômetros e, junto ao motor a combustão, a autonomia supera os 1.100 quilômetros. No entanto, convém salientar que, se num primeiro momento a produção "made in Brasil" será dedicada a veículos híbridos, isso não significa que abandonaremos o carro puramente elétrico. E o Ora, comercializado no Brasil com sucesso, pode ter um futuro "brasileiro", salientou o executivo.
Para Ricardo Bastos, "nos últimos dez anos, o Brasil teve políticas direcionadas ao setor automobilístico, como o Inovar-Auto, o Rota 2030, e agora temos o Programa Mover. Posso afirmar que cada programa foi um passo adiante para a equiparação do carro produzido no Brasil aos veículos de países de primeiro mundo, ainda mais avançados em tecnologia. Mas a normatização que o Mover traz visa à equiparação tecnológica com as melhores práticas de produção vigentes no mundo. Com a adoção da eletrificação do automóvel pelo Programa Mover, as marcas chinesas, e particularmente a GWM, que domina a produção de veículos eletrificados, estimularão que os novos veículos produzidos no Brasil tenham um padrão tecnológico elevado que não pode ser inacessível ao consumidor brasileiro. Com a produção local em grande escala, a equiparação de preços entre o carro híbrido plug-in e elétrico com carros a combustão já existentes no mercado brasileiro acontecerá em pouco tempo, e a GWM tem muito a contribuir para essa transição para uma qualidade superior de produto", acrescentou.
Para o executivo, "há uma falsa impressão de que há um 'excesso de marcas chinesas' que chegam ao Brasil. Mas a diversidade de marcas e modelos e a pluralidade nas preferências do consumidor brasileiro é visível nas ruas. Portanto, não deve haver nenhum susto na chegada dos chineses, que trazem, em geral, veículos dotados de alta tecnologia, identificada com sistemas de inteligência artificial, sistemas de dirigibilidade e segurança complexos, e aprovados em mercados exigentes como na Europa e nos Estados Unidos. Nossa linha, por enquanto, tem o Ora e o Haval, e em breve terá também a picape Poer, que são veículos cinco estrelas nos testes de impacto do EuroNCAP. Sendo generoso com a concorrência chinesa, tenho certeza de que a maioria dos modelos que chegam tem tecnologia de ponta, agregadora. Porque, na medida em que marcas chinesas decidem produzir no Brasil, essa alta qualidade construtiva e tecnológica será o 'normal' da produção brasileira. Mas não falamos de um futuro distante e irreal, mas da produção local da GWM, que se inicia em 2025.
Outras marcas chinesas, atraídas pelos incentivos fiscais do Programa Mover, pela versatilidade e criatividade dos técnicos brasileiros, pela vastidão do país-continente que está distante da saturação de um mercado europeu, por exemplo, são todos fatores que incentivam a fazermos o melhor no Brasil. E convém salientar que o Haval que será brasileiro é um veículo diferente do modelo chinês. Temos uma grande equipe de Pesquisa e Desenvolvimento que trabalha 24 horas para entender os gostos e preferências do consumidor brasileiro em relação aos veículos que oferecemos. Portanto, haverá 'brasilidade' no Haval produzido localmente. O que significa que, ao dirigir o Haval ou qualquer outro veículo GWM, o proprietário se sinta 'em casa'. No momento, aprimoramos a assistência técnica aos veículos importados com ações ao nível dos concessionários, que complementam a qualidade dos veículos da marca", acrescentou.
O executivo concluiu que a produção na unidade industrial no Brasil não excluirá de jeito nenhum o veículo "puramente elétrico". "O carro elétrico não tem cano de escape, nem expele monóxido e dióxido de carbono, e num mundo que necessita com urgência da descarbonização, é lógico que o carro elétrico significa um futuro possível. A GWM tem uma linha completa de veículos puramente elétricos e, com certeza, alguns destes modelos podem ser produzidos em Iracemápolis. A começar pelo Ora, que já é um sucesso de vendas no Brasil", concluiu o executivo.
