O conceito de “micromobilidade” é válido e necessário diante das circunstâncias desafiadoras dos sistemas de trânsito nas cidades do mundo. Quanto maior a cidade e o número de habitantes, maior é o desafio de transportar pessoas em segurança. Os congestionamentos constantes e o risco de acidentes tornam a micromobilidade uma alternativa em expansão global. Empresas transnacionais fornecem os micro veículos elétricos, como skates, monorodas, patinetes e bicicletas. A micromobilidade é complementar ao uso do automóvel e definida como a mobilidade para os últimos quilômetros.
Estudantes na Alemanha, por exemplo, estacionam seus carros em locais próximos às universidades ou escolas e percorrem os poucos quilômetros restantes com patinetes elétricos, skates elétricos ou monorodas. Em cidades com extensas redes cicloviárias, como Frankfurt e Berlim, o uso de bicicletas e mini veículos elétricos é intensivo. É proibido utilizá-los nas calçadas, embora em Frankfurt algumas vias mais largas, ao lado do espaço para pedestres, sirvam como ciclovias e espaços para a micromobilidade elétrica.
No Brasil, onde a micromobilidade também se expande, os patinetes elétricos são cada vez mais vistos nas ruas e avenidas de tráfego rápido, ocupando o espaço dos pedestres nas calçadas. Na cidade de Paris, o uso de trotinettes ou patinetes elétricos foi proibido desde março de 2023. Um plebiscito, incentivado por Anne Hidalgo, a prefeita de Paris, levou à proibição dos serviços de patinetes operados por multinacionais como Lime, Tiers e Dot. Cerca de 90% dos votantes afirmaram que o uso de patinetes nas calçadas gerava medo e apreensão. Além disso, entre 2021 e 2023, ocorreram mais de 500 acidentes com patinetes elétricos na França.
Um caso trágico intensificou o debate: uma senhora que varria a calçada em frente de casa foi atropelada por um patinete em alta velocidade. Usuários, principalmente jovens, abusavam da velocidade nas calçadas de Paris, o que gerou reações negativas. O presidente da Lime criticou a proibição, argumentando que Paris era referência em ações ambientais e que os patinetes, além de não poluentes, contribuem para a imagem ecológica da cidade. Apesar dos apelos, os patinetes permanecem proibidos em Paris, embora sejam permitidos em outras cidades da França e Europa, com regras específicas: não podem ser utilizados por menores de 12 anos, transportar duas pessoas ou exceder 15 km/h.
No Brasil, a expansão da micromobilidade elétrica é evidente pelo número crescente de usuários de patinetes e outros veículos elétricos, como skates e monorodas, acessíveis e disponíveis em diversos modelos online. No entanto, cerca de 90% dos usuários transitam pelas calçadas, devido à carência de ciclovias nas cidades. Esse cenário é prejudicial, pois os praticantes da micromobilidade ficam expostos ao trânsito urbano e também utilizam as calçadas, dividindo o espaço com pedestres e aumentando o risco de acidentes.
Em cidades como Porto Alegre, onde as ciclovias são limitadas, usuários de patinetes muitas vezes enfrentam riscos se deixam as calçadas. Recentemente, um homem de 43 anos morreu após cair de seu patinete ao tentar desviar de uma moto em alta velocidade. Esse foi o primeiro acidente fatal com patinete elétrico em Porto Alegre.
No Brasil, a falta de infraestrutura para veículos elétricos, aliada à ausência de regulamentação e de educação para o trânsito, gera situações perigosas tanto para os usuários de micromobilidade quanto para os pedestres. Nas calçadas, os pedestres agora dividem espaço com patinetes, que podem atingir velocidades de até 20 km/h. Infelizmente, condutores de patinetes e outros veículos elétricos costumam transitar de maneira agressiva e irresponsável nas calçadas, o que coloca em risco a segurança de todos.
Cabe ao Poder Público regulamentar o uso da micromobilidade elétrica antes que mais fatalidades ocorram. Em Porto Alegre, a prefeitura deve ampliar, em 2024, a rede cicloviária, que também atenderá à micromobilidade elétrica, oferecendo um espaço seguro e adequado para todos.
