Carros & Motos

Conversa de Carro: Renault e as baterias limpas para um futuro elétrico

A divisão Ampere divulgou recentemente a produção de uma nova geração de baterias que integram a tecnologia LFP (Lítio Ferro Fosfato)

Kwid E-Tech é principal produto eletrificado da marca no mercado nacional
Kwid E-Tech é principal produto eletrificado da marca no mercado nacional Foto : Renault / Divulgação CP

O Grupo Renault possui atualmente duas divisões autônomas dedicadas à pesquisa e desenvolvimento de novos produtos: a "Horse" e a divisão de tecnologia elétrica, Ampere. A Renault é pioneira na eletrificação, tendo lançado uma linha completa de carros elétricos em 2011, durante o Salão Internacional do Automóvel de Frankfurt. Na época, Carlos Ghosn, um CEO talentoso, liderava a Renault, vislumbrando-a como campeã mundial em inovação tecnológica. Os modelos elétricos Kangoo, Fluence, Twizy e Zoe da Renault chamaram a atenção da mídia global. Na ocasião, a Renault investiu 14 bilhões de euros em pesquisa e desenvolvimento dos quatro veículos elétricos.

A Editoria de Carros e Motos do Correio do Povo estava presente em Frankfurt e conseguiu testar os modelos durante o salão, todos com desempenho convincente. No entanto, em 2011, os modelos elétricos da Renault estavam à frente de seu tempo, e as vendas foram decepcionantes, pois não havia outras marcas chinesas para estimular o mercado elétrico. Assim, a Renault redirecionou seu foco para a produção de carros a combustão, seguindo o padrão das montadoras europeias.

Atualmente, o cenário mudou significativamente com a preocupação global com o aquecimento global, promovendo um retorno ao carro elétrico. Neste contexto de urgência na descarbonização, o mercado global conta com dezenas de marcas chinesas que estão definindo um ritmo acelerado na eletrificação. A BYD, líder mundial em eletrificação, planeja produzir 8 milhões de carros eletrificados em 2024.

Releitura do clássico hatch esportivo Renault 5 busca a nova era | Foto: Renault / Divulgação CP

A Renault está reintensificando seu foco no carro elétrico, mas mantém a produção de modelos a combustão e híbridos, como o Kwid elétrico lançado no Brasil e o SUV Bigster, que será lançado globalmente no segundo semestre de 2024. O Megane elétrico e o Kwid elétrico foram testados pela Editoria de Carros e Motos do CP e são veículos com excelente desempenho e tecnologia sólida.

Há uma preocupação ecológica da Renault para que o ciclo de produção seja totalmente "limpo", assim como o pós-vida das baterias. Uma das preocupações em relação aos carros elétricos é o descarte de milhões de baterias de lítio, que não se degradam no meio ambiente e podem ser nocivas décadas após o descarte, necessitando de reciclagem adequada.

A divisão Ampere divulgou recentemente a produção de uma nova geração de baterias que integram a tecnologia LFP (Lítio Ferro Fosfato) junto com a tecnologia NMC (níquel, manganês, cobalto) já utilizada pelo grupo Renault. No entanto, a eletrificação enfrenta desafios na extração de lítio, um mineral essencial para a energia dos carros elétricos, devido a fatores geopolíticos, como as minas de lítio em regiões problemáticas como o Congo, dominado pelo terrorismo islâmico e com as maiores reservas de lítio do mundo.

Luca de Meo, CEO da Renault, afirmou que a empresa está empenhada em evitar a volatilidade dos mercados de lítio e os problemas geopolíticos, focando na pesquisa e desenvolvimento de novas fontes de energia para carros elétricos. A Ampere trabalha em parceria com fornecedores como LG Energy Solution e CATL para implementar uma cadeia de valor agregado na Europa, garantindo maior competitividade para a tecnologia LFP nos veículos produzidos no continente.

A Renault está apostando na tecnologia "Cel to Pack" em colaboração com a LG Energy Solution, que integra baterias do tipo "pouch" utilizando LFP (Lítio Ferro Fosfato). Essas baterias possuem maior densidade energética, menor tamanho e peso, o que aumenta a autonomia dos veículos. Além disso, custam cerca de 20% menos do que as atuais baterias de íon-lítio. Os primeiros modelos equipados com esta nova geração de baterias LFP estarão disponíveis nos pequenos e médios veículos da Renault já em 2026, sendo 100% recicláveis.

José María Recasens, diretor de operações da Ampere, afirmou que a utilização de novas tecnologias pode reduzir até 40% o custo dos carros elétricos até 2030, enfatizando a eficácia da estratégia aberta e horizontal da Ampere em parceria com os melhores fornecedores globais como LG Energy Solution.

Para Luca de Meo, CEO da Renault, a dinâmica do carro elétrico é estimulada pela intensa concorrência entre marcas chinesas e ocidentais, tornando-o uma solução de alta tecnologia direcionada para a descarbonização do planeta. É o uso responsável e socialmente responsável do automóvel que o torna um parceiro fiel tanto para os seres humanos quanto para o meio ambiente. Fontes limpas e renováveis de energia, especialmente a energia elétrica, são vistas como a única via segura e confiável para o futuro.

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