Carros & Motos

Conversa de carro: Volvo vai cobrar na fila da recarga

Montadora instala postos de recarga, mas só vai atender de forma livre os clientes que comprarem os seus SUVs

Centrais de carregamento terão novo funcionamento
Centrais de carregamento terão novo funcionamento Foto : Volvo Car / Divulgação CP

A Volvo, de origem sueca, pertence à chinesa Geely desde 2010, quando os chineses adquiriram a Volvo do Premiere Automotive Group da Ford. Anteriormente, a Ford havia comprado, a partir de 2007, não apenas a Volvo, mas também a Jaguar, Land Rover e Aston Martin. No entanto, a Ford, conhecida por sua abordagem voltada para o mercado norte-americano, teve dificuldades em lidar com a engenharia refinada e artesanal necessária. Durante esse período, enfrentando dificuldades financeiras, negligenciou o Premiere Automotive Group, não investindo nas marcas de luxo que, no início do novo milênio, apresentavam sofisticação visual, mas desempenho precário.

Em 2010, a Volvo foi vendida à Geely por 1,8 bilhões de dólares, mudando-se simbolicamente da Suécia para a China. Ao longo dos anos, os produtos da Volvo começaram a incorporar cada vez mais a engenharia chinesa. No entanto, Li Shufu, o lendário fundador da Geely, investiu mais de 12 bilhões de dólares na Volvo na Suécia em 2011. Ele encarregou a engenharia sueca de liderar o projeto de uma nova linha de SUVs, buscando reposicionar a Volvo globalmente, mantendo a engenharia sueca para preservar as sensibilidades europeias e evitar a associação precoce dos chineses, então inexperientes na indústria automobilística, com a tradicional marca sueca.

A influência chinesa provou ser benéfica, resultando em modelos icônicos como o XC60 e o XC90, que foram lançados como veículos elétricos e tiveram grande aceitação inicialmente no mercado europeu e posteriormente global. Atualmente, a Volvo produz 90% de seus veículos como elétricos, embora ainda mantenha modelos híbridos como o EX40, EC40, EX30, EX90 e EM90.

No Brasil, além de sua linha elétrica, a Volvo instalou 52 eletropostos ao longo de rotas estratégicas, com planos para aumentar para 101 postos em 37 rotas, cobrindo 19 mil quilômetros. Recentemente, a Volvo anunciou que começaria a cobrar usuários de outras marcas pela utilização de seus postos de recarga para carros elétricos, o que representa um aumento significativo nos custos para esses consumidores.

Essa decisão tem sido criticada, pois contrasta com o investimento bilionário da Volvo em pesquisa e desenvolvimento de veículos elétricos, além de potencialmente prejudicar sua imagem em um mercado que ainda está em estágios iniciais de eletrificação. A falta de infraestrutura adequada para veículos elétricos já está causando desvalorização acelerada desses carros no Brasil, um país que ainda não tem uma política robusta de eletrificação.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o investimento maciço de Joe Biden na criação de uma "economia verde", incluindo a instalação de mais de 200 mil pontos de recarga elétrica, é visto como insuficiente para sustentar a mobilidade elétrica de forma ampla e eficaz. No Brasil, sem uma política clara de eletrificação, iniciativas isoladas como a da Volvo podem não ter futuro, a menos que haja um esforço conjunto entre o governo e a iniciativa privada para descarbonizar o país através dos veículos elétricos.

Enquanto isso, marcas chinesas que estão chegando ao Brasil já estão apostando em veículos híbridos, que embora poluentes, oferecem uma alternativa mais segura e viável em um mercado ainda incipiente em infraestrutura elétrica.