O Presidente da Anfavea, Marcio de Lima Leite, referiu-se à tragédia no Rio Grande do Sul na coletiva de imprensa, realizada a partir do Salão do Automóvel da China, visitado na terça-feira por uma comitiva de executivos e representantes de montadoras. Presente também o presidente do Sindipeças, Henrique Seadi. Para Marcio de Lima Leite, a Anfavea intensifica as ações solidárias com a Cruz Vermelha Internacional, que há décadas mantém parceria com a organização.
"Nosso desejo é que a situação dramática se dissipe com o menor custo humano. Há uma corrente solidária que utiliza recursos humanos e materiais de outros estados do Brasil. Unidades de salvamento e busca agem em conjunto num trabalho de excepcional efetividade que salva vidas", enfatizou. "Também há a ação rápida do governo federal que disponibiliza recursos financeiros que ajudarão na reconstrução das regiões afetadas", acrescentou.
A Anfavea disponibiliza tratores, colheitadeiras, caminhões, carros e picapes para serem utilizados por ruralistas, a fim de que possam manter ativas suas propriedades. Segundo o Presidente da Anfavea, o Rio Grande do Sul é um elo importante na cadeia produtiva da indústria automobilística. "Há milhares de pessoas que trabalham em empresas do segmento automotivo, impactadas pelas enchentes. Então, neste momento, não computamos o prejuízo material, mas focamos na minimização dos danos humanos", salientou.
Para o Presidente do Sindipeças, Claudio Sahad, "o setor automotivo se divide em três regiões no Rio Grande do Sul. Por exemplo, na região de Porto Alegre e municípios vizinhos, as fábricas de autopeças e prestadores de serviços para o segmento automotivo foram impactadas pela enchente. Muitas empresas não estão operacionais. Nas regiões de Gravataí e Caxias do Sul, que não foram atingidas pela enchente, as fábricas continuam operacionais. Em Caxias do Sul, um dos polos metal-mecânicos mais importantes da América Latina, as empresas não foram afetadas. Mas a logística está prejudicada na interrupção das principais vias de acesso e saída da cidade. Na recuperação da malha rodoviária, em obras emergenciais já iniciadas, acreditamos que não faltarão componentes nas linhas de montagem das montadoras", observou.
Para o Presidente da Anfavea, "a tragédia localizada nos entristece. Mas também nos induz a pensar que a transição energética deve ser acelerada no programa em execução. Esta viagem à China mostrou a impressionante vitalidade do setor automobilístico, demonstrada no Salão de Pequim. Também nos avisa que o automóvel passa por mais uma revolução tecnológica, impulsionada pela China.
A Anfavea vai incentivar as trocas tecnológicas entre China e Brasil, nas associações possíveis entre montadoras brasileiras e chinesas. O que é uma realidade na medida em que gigantes chinesas como BYD e Great Wall iniciarão em breve a produção local e desenvolverão redes de fornecedores de componentes em associação com empresas brasileiras. Outras marcas chinesas chegam em breve e devem produzir no Brasil, num futuro próximo, veículos elétricos e híbridos. E o etanol pode ser um componente importante na descarbonização", concluiu.
