Carros & Motos

Corolla Cross mostra charme e praticidade

Toyota oferece versatilidade híbrida para uso familiar

Desenho frontal é elegante
Desenho frontal é elegante Foto : Renato Rossi / Especial CP

O Corolla Cross tem um parente ilustre: o sedã mais vendido no mundo até hoje, com mais de 55 milhões de unidades comercializadas desde o lançamento em 1966. Mais do que números, o Corolla impôs ao Japão e, gradativamente, ao mundo o conceito de carro durável, confiável e econômico, que, ao longo das décadas, passou por constantes atualizações tecnológicas. Atualizações mais tecnológicas do que formais, já que o design do Corolla sedã nunca foi "emocionante" e continua sóbrio.

Aliás, a Toyota não é uma marca ousada na forma, nem criou diferenciais estéticos marcantes em sua trajetória iniciada em abril de 1936, quando lançou no Japão o pequeno sedã AA, produzido até 1943. O nome disso é história, herança ou "heritage", conceitos que marcas históricas revivem para conter as marcas chinesas que o presidente da Toyota, Akio Toyoda, desprezava. Errou na avaliação. Mas a Toyota, em 2024, continua como líder global em produção e vendas. Seu poder segue intacto.

Com proximidade tão bem-sucedida, a poucos passos no showroom das concessionárias, o Corolla Cross soa até oportunista. Porque, embora seu conceito de SUV nada tenha a ver com o sedã, o nome Corolla vale muito e impulsiona vendas. O Corolla Cross compartilha com o sedã a plataforma, e suas medidas são contidas: 4.460 mm de comprimento, 2.640 mm de entre-eixos, 1.825 mm de largura, 1.620 mm de altura, 440 litros de porta-malas e 1.450 kg de peso. Não há nenhum exagero nessas medidas adaptadas ao uso familiar e urbano. O Corolla Cross não gera o impacto emocional imediato do Haval, que insere aquela bela arrogância. O Haval é o que o brasileiro gosta de mostrar para o vizinho, indicando que "chegou lá". É o status que até pode disfarçar alguma carência financeira. O Corolla Cross é diferente. Não impacta à primeira vista, mas insinua uma elegância que gera status gradativamente. A elegante praticidade do design equilibrado, o grande espaço interno e o hibridismo funcional e econômico são também fortes argumentos de venda.

Traseira reflete praticidade com amplo porta-malas de 440 litros | Foto: Renato Rossi / Especial CP

Mas raramente se vê um "saradão" ao volante de um Corolla Cross. Nem poderia, porque os "musculosos" digitalizados circulam de Haval ou Song, que são sucessos de vendas. Já aquele público que, no fundo do "inconsciente", tem o nome Corolla colado com "Super Bonder" como sinônimo de credibilidade e durabilidade, escolherá o Corolla Cross. Por isso, a Toyota aproveita o nome Corolla para vender o Cross.

Foram dois dias de avaliação com um Corolla Cross cedido pela Savarauto Multimarcas, que tem um surpreendente "plantel" de seminovos nacionais e importados. A opção do CP pelo Corolla Cross foi testada em seu lançamento no Brasil, em março de 2021. O Cross ainda visa rivais da Jeep, como o Renegade e o Compass, com a vantagem de ter versões híbridas full, compostas por motor elétrico e motor a combustão "flex". O hibridismo do Cross insere um motor 1.8 de quatro cilindros flex, com ciclo Atkinson, que rende 98 hp a gasolina e 101 hp a etanol, com torque equivalente nos dois combustíveis de 14,5 kgfm. Já o motor elétrico tem o equivalente a 72 hp e 16,6 kgfm, e a potência combinada é de 122 hp. Esse número de potência soa humilde quando se sabe que o Haval híbrido plug-in tem 393 hp. Se os dois frequentassem a mesma academia, o Corolla Cross nem ficaria perto do "bombadão chinês", que é "trovão" mesmo em dia ensolarado.

O SUV chinês, em geral, gosta de "colar as costas" do motorista no encosto, tal é a potência do torque. Com menos "musculatura", o Corolla Cross não decepciona na performance, que é conservadora e destinada ao uso "familiar". Os 122 hp proporcionam respostas rápidas ao acelerador. Mas convém não exagerar, porque as suspensões do Corolla são direcionadas ao uso tranquilo, e curvas feitas em velocidade elevada induzem a um rolling ou oscilação lateral da carroceria, que pode desestabilizar o veículo. O Corolla Cross utiliza na suspensão traseira um eixo de torção que é eficiente, mas fica aquém da estabilidade lateral superior do Corolla sedã, que utiliza suspensão independente, uma escolha para reduzir o custo final do veículo.

Mas família não precisa "correr junto". Só se o pai de família for meio "matusquete" e adepto de fortes emoções para ir até Tramandaí levando junto toda a coleção do AC/DC. E tem 60 anos de idade. Mas, com certeza, não estará a bordo do tranquilo Corolla Cross.

Motor oferece 122 cavalos de potência combinada | Foto: Renato Rossi / Especial CP

O Corolla Cross, com seu temperamento contido, mas eficiente, não joga o corpo do motorista contra o "encosto" mesmo em forte aceleração. Já os SUVs chineses, se provocados, viram "ursos pandas", comedores de gente. Aliás, o panda só come bambu em filmes promocionais da espécie. Longe das câmeras, ele gosta de morder o tratador. É um bicho bonito e agressivo, como um Haval de 393 hp.

Na BR-101, a caminho do litoral, o Corolla Cross, a 100 km/h, foi silencioso, preciso na dirigibilidade e prazeroso. Os bancos são ergonômicos, acolhedores, sem exageros. A posição ao volante é mais "ereta" em relação ao sedã, e a visibilidade é satisfatória nas amplas áreas envidraçadas. O silêncio de "carro elétrico" no habitáculo resulta da interação do motor elétrico com suas trocas contínuas com o motor a combustão. É uma dualidade favorável ao motorista, que facilmente faz 17 km/l ou mais.

São muitos os sistemas que visam à segurança ativa e passiva: freios a disco nas quatro rodas, sete airbags, controle de estabilidade e tração, assistente de partida em rampa, assistente de permanência em faixa, alerta de ponto cego, controle de cruzeiro adaptativo e frenagem autônoma emergencial, entre outros sistemas. O Corolla Cross é mais um sólido e confortável produto da Toyota. No Brasil, é um sucesso de vendas, merecido.

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