O Duster no Brasil prossegue na segunda geração. Enquanto na Europa o Duster deu um belo salto no visual e na performance, dignos de saltador olímpico, a imprensa francesa dedicada à cobertura do segmento automotivo foi unânime em salientar a notável evolução tecnológica da Dacia, a subsidiária romena da Renault, responsável pela produção do novo Duster.
Na unidade industrial da Dacia, na cidade de Pitești, a mão de obra em 100% é romena. A Romênia, convém lembrar, sempre foi referência em mão de obra de alta qualidade em mecânica. Sob o comunismo, a indústria automobilística romena produzia veículos militares para o exército da Rússia – a grande exploradora da mão de obra gratuita das nações subjugadas pelo comunismo totalitário de Stalin.
A própria Dacia seguiu essa trajetória de exploração comunista até ser comprada pela Renault em 1999. Os franceses investiram bilhões na renovação tecnológica da unidade industrial na Romênia, o que resultou no lançamento econômico do Logan em 2004. Gradativamente, a Dacia deixou de ser uma marca totalmente dominada pela Renault, ganhou autonomia e lançou produtos fortes e baratos para o mercado global.
O sedã Logan foi lançado no Brasil em 2004. Um carro robusto, com dirigibilidade simplória que, no Brasil do senso estético apurado, tinha um defeito mortal: era um carro feio.
A Dacia evoluiu na forma e no conteúdo, e o belo Duster de terceira geração em nada lembra a segunda geração desse Duster robusto e um tanto quanto rude no design, ainda comercializado no Brasil. A Renault, aliás, já avisou que o Duster de terceira geração não será lançado no Brasil, já que o preço original de 28 mil euros o colocaria acima do Duster no mercado. A Renault deve lançar o Bigster, SUV de categoria maior, com sete lugares.
O novo Duster ganhou 25 prêmios internacionais em 2024 e foi escolhido como a melhor compra no mercado europeu no ano passado. Embora o design do novo Duster seja muito mais suave e sedutor em relação ao estilo jipão do Duster de segunda geração, ele é conservador na mecânica, mantendo o eixo rígido na traseira. A imprensa francesa criticou o uso do eixo rígido em detrimento da suspensão independente, como no Renault Kardian. O eixo rígido sente mais os pisos irregulares. No geral, o novo Duster excede as expectativas, destacam os experientes jornalistas da revista L’Argus, que não admite neófitos nem formiga atômica de óculos oportunista em sua equipe.
A L’Argus é uma das mais importantes publicações automobilísticas da Europa. Cinco jornalistas e pilotos de teste da L’Argus foram à luta, rodando mais de três mil quilômetros com o novo Duster. E salientaram, com unanimidade, a grande evolução tecnológica e formal do modelo. O destaque para os jornalistas foi a versão híbrida full (ou completa), que combina um motor a gasolina de 140 cv com dois motores elétricos. É um sistema híbrido tradicional que, por meio de módulos eletrônicos de sensoriamento, efetua as trocas na tração, dividida entre os modos a combustão e elétrico.
O novo Duster permite uma economia de combustível de até 40% em circuito urbano. Como em todo híbrido, a carga da bateria é regenerada nas desacelerações e frenagens, e a autonomia supera os 1.000 quilômetros – um forte argumento de vendas para o Duster.
Ao contrário do que ocorre no Brasil, o Duster de terceira geração aposentou o Duster anterior, que, reestilizado, prossegue no mercado brasileiro.
