FCA interrompe produção do Viper
Em todos os Salões de Detroit a partir de década de noventa havia uma “víbora” a espreita. Lá estava o “Viper” o supercarro da Chrysler sempre com a mesma aparência baixa, larga ameaçadora. Uma cobra Python com motor e rodas prestes a dar o “bote”. O Dodge Viper, mito automobilístico norte-americano, teve o desenvolvimento iniciado em 1992 nos estúdios de design e no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Chrysler em Auburn Hills, um subúrbio de Detroit. E o excesso de “cavalos”, num carro esportivo que já nasceu com 406 hps, e a brutalidade no manejo naquele Viper sem recursos eletrônicos de ajuda a pilotagem, era um certo primitivismo tecnológico, firmal, que no passar dos anos só ajudaram a forjar em aço quente e nas altíssimas velocidades o mito Viper.
Nos Estados Unidos da América, na década de noventa, o Viper obteve ótimo nível de vendas, impulsionado também pelo orgulho norte-americano que nos anos 60 tinha “ensinado” aos “almofadinhas” franceses e europeus que um super carro norte-americano, o Ford Gt 40, podia vencê-los em seu templo com altar sagrado de Lemans. E três vitórias consecutivas do Ford GT contra as Ferraris e Porsches em Lemans em 65, 66 e 67, nas 24 de LeMans, levaram o “Comendador Enzo Ferrari à depressão e lagrimas, pelo fato dos Ford GT terem humilhado as Ferrari. As vitórias geraram nos Estados Unidos da América um mercado para os supercarros norte-americanos.
A partir de 1989 o Viper foi comercializado no mercado norte-americano e após na Europa onde foi também um sucesso de vendas. E seu maior mercado no continente europeu foi a Alemanha que começou a ver Vipers ultrapassarem a Porsches, Mercedes e Audis nas rodovias de velocidade. Nos anos 90 o Viper ganhou refinamentos tecnológicos como motor com bloco em alumínio, suspensões no mesmo material, controle de tração e estabilidade, enquanto a potência dos V8 aspirados crescia de ano para ano, chegando aos 630 hps atuais. No Brasil existe somente um “culto secreto” dos “adoradores” do Viper. Em São Paulo há uma “oficina Viper” que expõe na área de recepção quatro Vipers de anos diversos em perfeita condição de uso. Diariamente o proprietário, famoso na capital paulista, liga um Viper e o manda ”rugir” ali no showroom. Os corajosos ficam perto do berro do motor, aterrorizante. Mas o resto foge para a calçada. Evitarão a surdez.
Mas o Viper não é um “carro show” como um Camaro que só serve para o status pessoal. É feroz e tremendamente exigente na pilotagem e já foi testado por Carros & Motos do Correio do Povo na pista de Auburn Hills em 2010. Não é enigma que não possa ser decifrado. Mas exige de quem o pilota no mínimo um “currículo” com carros muito velozes. As reações do Viper, apesar do controle de tração, são sempre brutais. E a acelerarão em saídas de curva em carro com tração traseira devem ser “cirúrgicas” na gradação da potência de um pé direito que no Viper nunca pode ser excessivamente confiante. O “histórico” Viper tem vitórias em Lemans em sua categoria, no Campeonato mundial de Carros esportivos ou FIA GT. Com vitórias num grande número de autódromos do mundo, enfim.
Mas esta longa trajetória do Viper se encerra em 2017. Na semana passada, na sede do FCA Group em Londres, o Presidente mundial da Fiat Chrysler Automobiles, Sergio Marchionne anunciou que o Viper terá produção encerrada até o segundo semestre de 2017. Mas Marchionne, do alto de sua “italianidade”, sempre “sanguínea”, também declarou que o Viper deixará a cena global com um “bang”, um estrondo, um impacto. Não como “sussurro”. E quê “bang”. A nova família Viper é composta de cobras ferozes quase “macabras”.
São as edições especiais denominadas de “215 Special”: Voodoo II Edition, Snakeskin Edition GTC, GTS-R Comemorative Edition AC-R. Foram anunciadas na semana que passou e foram vendidas em apenas 40 minutos. No que deve ser um novo recorde mundial em tempo de comercialização. Chegaram pedidos dos 10 cantos do mundo, inclusive do Brasil. E todos que compraram sabem que os 150 mil dólares de preço médio, serão alguns milhões de dólares por unidade, interrompida a produção.
Aliás a edição mais vendida é a 1:28 ACR Viper. Que faz uma homenagem ao Viper pilotado por Randy Pobst, um multicampeão em diversas categorias do automobilismo de competição norte americano. Pobst estabeleceu um novo recorde de volta no lendário autódromo californiano de Laguna Seca, com 1:28.65. Uma marca excepcional que deixou no retrovisor a Porsches e Ferraris. O Viper atual tem motor com 10 cilindros com injeção direta aspirado com 650 hps. A velocidade deste carro de “rua” é de 330 quilômetros horários. Mas que rua é esta? Tenha a “santa paciência”.
Por Renato Rossi

