Foi mais uma avaliação da picape Strada, desta vez com o modelo Ultra. Cedida pela revenda Savar Multimarcas. O competente e dinâmico Elisandro Falleiro, supervisor comercial, apoia os testes com seminovos realizados por CM do CP. É amplo o plantel de seminovos da Savar, que serve como valiosa reserva nas avaliações do CM. São veículos com baixa quilometragem, cedidos por um dia ou dois. Nem precisa mais para quem já testou mais de 1.500 veículos desde 1985. A Strada tem uma longa trajetória no CP, iniciada em 1998, quando a picape com cabine simples foi lançada no mercado brasileiro. Até hoje foram centenas de testes com a Strada em praticamente todas as versões.
Do início tímido da Strada cabine simples, que substituía o “batalhador” Fiorino, a Strada foi lançada com motores 1.5 8V Fiasa e o motor 1.8 8V Sevel, com 92 hp. A Sevel era uma joint venture entre a Fiat e a Sevel de origem italiana, mas que fabricava seus motores na Argentina. A Sevel foi fundamental para a expansão da Fiat no Brasil nos anos 90, e seus motores robustos, com forte torque, equiparam a primeira geração da Strada. A surpreendente agilidade da Strada ajudou a torná-la um sucesso de vendas a partir de 1989. Quantos “desafios” CM enfrentou com aquela Strada simples, mas “cumpridora”. Como no dia em que CM, com o piloto de testes e mais dois profissionais de TV a bordo, descia com a Strada por estrada sinuosa em serra de Minas Gerais. O “piloto de testes” entrou rápido demais numa reta em descida cercada por árvores, que acaba em curva fechada à esquerda. O cálculo de frenagem mal feito, e a Strada “seguiu” reto, “cortando” a vegetação e raspando em árvores. Felizmente, com ajuda de Deus, a Strada não colidiu com árvores, e a vegetação densa reduziu a velocidade. A dupla de cameraman e operador de som, que filmavam o teste, ficaram mudos pelo resto da viagem, que prosseguiu com a lataria com marcas do impacto. Mas testes foram tantas vezes situações de risco. Dei ré, engatei a “primeira” e prossegui. Aconteceu.
Gradativamente a Strada sofisticou o handling e a dirigibilidade aprimorada enfrentou curvas desafiadoras sem incidente. Mas convém salientar que “entrar mato adentro” foi erro humano, não da engenharia da Strada, que já contava com suspensões bem calibradas e eixo de torção traseiro confiável. A engenharia da Fiat nunca optou por uma suspensão traseira multilink, que não se adapta a veículos com caçamba, e a Strada contribuiu para que muita carga fosse carregada na caçamba. O que gerou lucros para o proprietário, que nos primeiros tempos utilizava a picape mais para trabalho do que para lazer. Hoje, a Strada Ultra, muito charmosa e agradável na dirigibilidade, tem milhares de fãs no amplo mundo do lazer, que, convenhamos, é bem mais agradável do que o mundo do explorador “6x1”.
Em 2020 a Strada muda radicalmente na forma e no conteúdo. O design ganha traços de esportividade, foram introduzidas versões com quatro portas, com ganho no espaço interno e ampliação do público consumidor, que passou a utilizar a Strada também nas viagens com a família, porque quatro pessoas tinham lugares garantidos no habitáculo. Convém lembrar que o grande desafio para os designers da Strada sempre foi conciliar a capacidade de carga com o conforto interno. A Fiat foi bem-sucedida. Em 2026 a Strada prossegue como um veículo versátil que, na versão Ultra mais sofisticada, carrega mais de 650 litros de carga na caçamba. Ah, convém lembrar que lá está o “velho” eixo de torção, que amplia a rigidez da plataforma e propicia que a Strada continue a transitar entre o lazer e o trabalho sem interrupções. A Strada é produto genuinamente brasileiro na economia, facilidade na manutenção, economia de combustível, ótima dirigibilidade e durabilidade.
A versão Ultra, com caçamba coberta por estrutura em material composto leve, é o “topo” de linha da Strada. E merece estar acima das outras versões, pelos detalhes externos e internos que as outras não possuem. A Ultra ainda apresentou ao piloto de testes uma vigorosa performance estimulada pelo motor 1.0 turbo flex, com 125 hp de potência e torque de 24,5 kgfm a 1.750 rpm. A Ultra vai além: houve uma evolução significativa no câmbio CVT, continuamente variável, que elimina a falta de “graça” associada aos câmbios que substituem as engrenagens por duas “polias” cônicas que se aproximam e se afastam horizontalmente. Nesse movimento contínuo estão as marchas “infinitas”. Há praticidade para o motorista nesta continuidade que suaviza o deslocamento de veículos que utilizam o CVT, porque o “torque” fica diluído no movimento contínuo dos cones, o que acaba com qualquer possibilidade de pilotagem “esportiva”. Na Ultra, as sete marchas “marcadas” são virtuais, mas passam a impressão de câmbio automático sequencial. Surge uma dinâmica de condução forte e agradável na sensação de troca real das marchas. É ilusório, mas funciona. De qualquer maneira, o câmbio CVT torna a Ultra mais econômica: 8,3 km/l com gasolina na cidade e 12,1 km/l na estrada.
A performance da Strada Ultra ganha ímpeto na adoção do motor turbo 1.0, que justifica a “decoração” esportiva da picape, que insere uma frente ao estilo Racing presente nos modelos esportivos da Abarth. Faróis em LED e rodas aro 16 com pneus esportivos 205/60 de uso misto são detalhes em direção a uma esportividade que não é somente estética, mas funcional. No habitáculo prevalece o cuidadoso acabamento da Fiat e sua criatividade. A central multimídia com tela de 7 polegadas, com Apple CarPlay e Android Auto, é auxílio valioso ao motorista, complementado pelo painel semianalógico. O volante, com belo design e multifuncional, insere os paddle shifts para o motorista se “divertir” com uma virtualidade em sete “marchas”. Os bancos em couro, com ótima ergonomia para quem viaja à frente, também não “torturam” na traseira. Botão Sport e computador de bordo são alguns dos “luxos” úteis desta Ultra. Mas não espere piloto automático adaptativo, porque não tem. Então, trabalhe com o pé direito até achar a velocidade ideal em rodovia, por exemplo. O motor turbo 1.0 é econômico numa faixa de 80 a 100 quilômetros por hora. Deixe de pressa, curta as paisagens e ainda volte vivo para casa. É uma brincadeira num veículo com alto nível de segurança ativa, expressa na ótima estabilidade lateral. Boa de reta e de curva, a Strada Ultra continuará uma companheira do motorista. Uma relação de muito respeito e camaradagem
