Se o casamento entre a China e os Estados Unidos da América se desintegrou pela guerra tarifária, os chineses buscam outra parceria estável e sem traumas tarifários num Brasil progressista e favorável às relações comerciais e ideológicas multilaterais, que beneficiam a indústria automobilística. A Renault mantém vínculo profícuo com o Brasil em 26 anos de atividade intensa, através do Complexo Industrial Ayrton Senna, localizado em São José dos Pinhais, bairro de Curitiba. Agora, a Renault anuncia uma nova parceria tecnológica e comercial com a chinesa Geely, para a produção do modelo EX5. “Beneficiará a marca, como também beneficiará ao Brasil”, explica o vice-presidente de Comunicação do Grupo Renault na América Latina, o executivo Carlos Henrique Ferreira, que concedeu entrevista exclusiva à CM do Correio do Povo.
A Renault está num dos melhores momentos em sua longa trajetória global, através de uma sólida estratégia industrial e comercial, iniciada no Projeto “Renaulution”, deflagrado pelo CEO da Renault, Luca de Meo, em 2023. Dentro do “Renaulution” — salienta o executivo — a Renault estabelece uma série de parcerias com gigantes da tecnologia, como a Google. Também definimos nova parceria com uma das marcas líderes na eletrificação do automóvel: a chinesa Geely. Esta associação define a produção futura de carros da Geely no Brasil, na unidade industrial de São José dos Pinhais, que também utiliza o poder tecnológico da Horse, a marca da Renault líder mundial na produção de motores híbridos e a combustão, com alto nível tecnológico. Nesta associação com a Geely — líder atual na produção de carros elétricos na China — além da Horse, entra também a Ampère, a divisão elétrica da Renault.``
Enfatiza o executivo: “A Renault foi pioneira no carro elétrico ao lançar a primeira linha elétrica no mundo, no Salão do Automóvel de Frankfurt, em 2011. Agora — prossegue —, sob o comando de Luca de Meo, a Renault lança modelos elétricos revolucionários, como o Renault 4 e 5, Mégane elétrico, Scenic, entre outros. Na associação com a Geely, a Renault terá maior competitividade na produção de veículos elétricos nos próximos anos”, enfatizou o executivo.
Para o vice-presidente de Comunicação, a associação entre a Renault e a Geely é uma feliz conjunção de interesses. “Temos uma trajetória de 26 anos no Brasil, com uma série de produtos com enorme sucesso comercial, como a linha Sandero. E promovemos, no Complexo Industrial Ayrton Senna, a evolução tecnológica constante em nossa linha de produtos. A Renault tem também uma grande rede de distribuidores, forte economicamente e com grande expertise, o que garante um pós-venda de alto nível para milhões de clientes da marca. É lógico que esta sólida base industrial e comercial interessa à Geely, que poderá se expandir rapidamente no mercado brasileiro”, comentou.
“O parceiro escolhido pela Renault, a Geely é uma potência tecnológica que não atua somente na área de automóveis, mas também na indústria aeroespacial, na comercialização global de redes de satélites, que já atuam no espaço da China, onde a Geely tem centenas de satélites na órbita terrestre. Também lançará comercialmente, até 2027, os `carros voadores`, que estão sendo homologados na China. A Geely poderá comercializar o `carro voador` também no Brasil num futuro próximo, mas isso depende de legislações futuras”, acrescenta.
Segundo Carlos Henrique Ferreira, o automóvel que hoje depende unicamente do motorista é, seguramente, uma visão de futuro. Há uma nova geração de carros elétricos — principalmente das marcas chinesas — conectados em tempo real com satélites e com a `nuvem`. Esta nova geração elétrica ou híbrida pode mudar o comportamento dinâmico através da `nuvem`. E revisões e `consertos` podem ser feitos de forma remota. A Geely é uma das empresas líderes no mundo em carros `autônomos`, que significam um novo padrão de conduta para o motorista, que, cada vez mais, é o supervisor dos sistemas autônomos. A Renault também está muito avançada na tecnologia autônoma, e a associação à Geely, sem dúvida, agilizará o emprego de novas tecnologias no mercado brasileiro, salienta o executivo.
Este acordo de mútua cooperação, assinado no dia 17 de fevereiro de 2025, prevê — segundo Carlos Henrique — três aspectos fundamentais: importar e comercializar os produtos inovadores da Geely no Brasil. Este é o aspecto comercial da parceria, que beneficiará as duas marcas. Com os carros elétricos e híbridos da Geely disponíveis para o consumidor brasileiro no segundo semestre de 2025, a Renault reforça sua imagem no Brasil. Mas Carlos Henrique Ferreira salienta que a Renault continuará com sua estrutura industrial voltada exclusivamente à produção dos modelos Renault. Enquanto isso, a Geely se beneficiará inicialmente dos sólidos grupos econômicos que já são parceiros da Renault na comercialização dos veículos. Estes grupos podem ser também revendedores da Geely.
Numa segunda fase, a Geely e a Renault podem se associar na produção de modelos, compartilhando tecnologias, acrescenta. Esta fase de produção conjunta necessita ainda de aprovação pelas diretorias da Renault-Nissan e da Geely, além das autoridades brasileiras. As perspectivas são excelentes para a Geely, que terá à disposição o know-how de 26 anos no mercado brasileiro.``
As pesquisas de mercado mostram que a Renault tem o menor número de reclamações de clientes no Reclame Aqui e outros órgãos de defesa do consumidor. A Renault pode se beneficiar do enorme conhecimento da Geely sobre novas tecnologias, que inclui o uso intensivo da Inteligência Artificial, assinala o executivo.
A chegada da Geely — reitera o executivo — não muda nada na estratégia da Renault para o Brasil, que, neste 2025, investe mais de 2 bilhões de reais na produção do SUV de porte médio-grande, que já está sendo testado no Brasil e será lançado até o primeiro semestre de 2026. Enfim, a Renaulution, que nasceu francesa, se globaliza e ganha a feliz companhia desta tecnológica Geely, concluiu.
