Vamos iniciar na objetividade da percepção sobre o Geely EX2. Testado por 10 dias por CM do CP. A objetividade carrega de antemão a definição de que o EX2 é um dos melhores carros elétricos disponíveis no mercado global. Com 4m10cm de comprimento, mas com entre-eixos de 2m68cm e largura de 1m80cm, o Geely é compacto por fora, mas muito espaçoso no habitáculo, onde quatro pessoas se acomodam com conforto ampliado. A percepção, a partir deste interior generoso, é que estamos a bordo de um carro maior. E podemos defini-lo como um hatch, porque o design está muito mais próximo do hatch do que do SUV.
O design do Geely EX2 é tipicamente de carro chinês, mais sinuoso, sutil e amigável em relação ao Geely Mini Dolphin, cujo excesso de ângulos retos e recortes na carroceria induz que o Batman se interesse por ele. Parece mesmo um mini Batmóvel, o pequeno BYD. Enquanto isso, o EX2 mostra maior sutileza no design e maior integração do interior com o mundo externo. Enfim, o EX2 é mais atraente e assimilável em relação ao Mini Dolphin, também um bom carro, mas com uma carência afetiva que o transforma num ser que implora por atenção.
No Geely EX2, a atenção humana chega através das linhas suaves, sem ângulos agudos, que acabam sedutoras. O Geely EX2 atualmente é o líder do mercado chinês. Num mercado com mais de uma centena de marcas disponíveis e centenas de modelos, ser líder de mercado significa que o EX2 tem "algo a mais".
No teste, com uso intensivo, muitas recargas e utilização prioritária em rodovia, o Geely EX2 propiciou aquela impressão renovada de qualidade que os bons e ótimos veículos possuem. São qualidades que encantam o atual proprietário e futuros usuários.
Num lance familiar, a esposa ficou encantada com o que definiu como "facilidade de manejo" e suavidade do conjunto mecânico do EX2. A esposa do piloto definiu como de extrema qualidade o acabamento interno. Achou bonito o design. Com 62 anos, Gisele comprou seu primeiro carro em 1996, um Palio. Tem larga experiência com veículos motorizados e hoje se sente atraída pelo carro elétrico. Ela e milhões de consumidores pelo mundo.
Para o piloto de testes, outros fatores tecnológicos chamaram a atenção, como o ótimo nível de inteligência artificial que disponibiliza sistemas avançados de ajuda à condução, ou o silêncio quase absoluto no habitáculo. Também a transposição fácil dos pavimentos degradados nas cidades do litoral gaúcho, com Imbé como campeã das pedras pontudas e hostis a qualquer sistema de suspensão.
Ao volante, o jornalista e piloto de testes experimentou, na prática, a grande capacidade de absorção das profundas e diversas irregularidades dos terrenos degradados. A rigidez torcional da plataforma elétrica de última geração integra um conjunto de suspensões multilink nas quatro rodas. O sistema de direção com assistência elétrica é calibrado para um rodar suave, mas adaptável, pela via da eletrônica, à diversidade dos pavimentos. Os freios a disco nas quatro rodas são de grande eficiência.
São, enfim, partes que formam um todo harmonioso voltado a uma direção segura e confiável. O nível elevado do handling, ou dirigibilidade.
Mas convém salientar que a maciez do volante pode irritar os adeptos da "esportividade", que gostam de volantes mais "rígidos". A engenharia da Geely não esqueceu destes "velozes"; basta clicar na tela do painel para mudar a dirigibilidade até chegar ao modo Sport, que enrijece o volante.
O modo Sport muda os parâmetros de comportamento e o familiar EX2 fica agressivo nas acelerações, fortíssimas e surpreendentes, por se tratar de um motor com 116 hp apenas. Mas este "gostinho" da esportividade encurta demais a autonomia de 300 quilômetros do EX2.
A engenharia de qualquer carro elétrico visa à ampliação da autonomia. Então convém utilizar, na cidade e na estrada, os modos Comfort e Eco, que, junto à frenagem regenerativa, servem para que a autonomia seja ampliada.
No teste, no modo Comfort de condução, menos de R$ 100 de carga elétrica renderam mais que 320 km de autonomia. Mas, numa das viagens de Porto Alegre a Imbé pela BR-101, o erro do piloto de testes foi superestimar a autonomia. O erro de avaliação trouxe de volta a chamada "angústia elétrica"; o entendimento de que a carga de íon-lítio, mal utilizada em velocidade excessiva, talvez não leve você ao destino.
Senti esta "angústia" em rodovia no Paraná, a bordo de um Kwid elétrico. Também com o Kwid, a incômoda realidade de estar com pouca carga numa RS-118 que era somente escuridão e medo, sem postos de recarga elétrica próximos.
Nesta recente angústia elétrica com o Geely EX2, a utilização do modo Eco e a velocidade de não mais que 60 quilômetros horários permitiram que um "resto" de carga levasse o EX2 a seu destino.
Mais uma vez, convém lembrar que carro elétrico tem que sair para qualquer destino com carga completa. O que exige a pesquisa sobre onde estão os postos de recarga pelo caminho. É óbvio que os chineses sentiram que o vasto território brasileiro é inóspito em relação ao uso seguro do carro elétrico, já que a concentração de postos de recarga está restrita às grandes cidades, com São Paulo na liderança da eletromobilidade.
Feitas as ressalvas, voltamos ao EX2 para citar outras qualidades do produto Geely, que são a ergonomia e o acabamento, ambos impecáveis. O acabamento se impõe no encaixe perfeito entre as peças do painel. No destaque ergonômico da tela central ampla, que permite a generosa visualização dos conteúdos em alta definição.
O "cluster" para o motorista, em posição ergonômica, tem informações essenciais, mas não pode ser configurado. O que não acontece com a tela central, que sintetiza os principais sistemas do carro e as configurações para uma condução personalizada.
Por exemplo, o sistema de regeneração de energia permite regulagem suave ou intensiva. Neste caso, o freio regenera a carga da bateria. O sistema serve também como freio-motor, que evita o desgaste prematuro das pastilhas. Mas o uso da regeneração mais agressiva é cansativo porque passa a sensação de "carro freado". Melhor utilizar o sistema no modo leve e fluido.
O mais importante é ter carga na bateria que permita que você chegue ao destino sem a "angústia elétrica". Mas isto depende da viagem a ser feita e da pesquisa sobre a existência de pontos de recarga pelo caminho.
Salientamos de novo que esta verificação é essencial para o uso seguro do carro elétrico.
Mais um diferencial importante do EX2: a performance, que surpreende na capacidade de aceleração do motor elétrico, que rende 116 hp, com torque de 15,6 kgfm.
Parece pouco, mas não é. O EX2 faz de 0 a 100 km/h em 10,4 segundos. O que significa que o EX2 é muito ágil na cidade e também na rodovia.
A velocidade limitada a 140 quilômetros horários serve como um limitador tecnológico muito útil para aqueles motoristas que passam a 170 a bordo do Compass e outros "velozes", como os de Onix ou Fiat Fastback. São três de temperamento instável que parecem estar sempre acima do limite legal, que na BR-101 é de 110 quilômetros horários.
Mas a limitação da velocidade acaba por privilegiar os que viajam no conforto superior deste Geely EX2. Quando o carro nos acarinha, nós queremos passar mais tempo com ele. Assim é o Geely EX2: um suave e "carinhoso".
