A Geely do Brasil apresentou, em São Paulo, o EX5 EM-I que, segundo o diretor comercial da Geely, Alex Chen, é o terceiro modelo de uma gama muito bem-sucedida no Brasil, que inclui ainda os modelos 100% elétricos Geely EX2 e EX5. O modelo lançado é o primeiro super-híbrido plug-in da Geely equipado com a nova plataforma GLA. Segundo Chen, desenvolvida exclusivamente para veículos elétricos e híbridos e projetada desde o primeiro momento para garantir uma performance superior, que se reflete, por exemplo, na autonomia estendida de mais de 1300 quilômetros.
O sistema de propulsão Super Híbrido EM-I, ou “E Motive Intelligence”, disponibiliza uma potência combinada entre o motor elétrico e o motor a combustão de 262 hp e torque total de 360 Nm, que permite aceleração de 0 a 100 em apenas 7,8 segundos. O sistema EM-I traz como principal fonte propulsora um conjunto de motores elétricos de 160 kilowatts, combinado a um motor a combustão de quatro cilindros 1,5, que atua também como gerador de energia e trabalha em conjunto com a tração elétrica. O resultado é máxima eficiência do sistema em quaisquer condições de utilização.
O sistema, prossegue o executivo, permite a melhor eficiência energética entre veículos do seu segmento, de 0,55 MJ/km, com a maior autonomia entre os SUVs híbridos. No modo totalmente elétrico, a autonomia é de 112 km, com consumo urbano médio de 14,8 km/litro, segundo dados do Inmetro. Para o motorista, ainda há a conveniência da utilização de três modos de operação: elétrico, híbrido e sport. No modo elétrico, o veículo é tracionado apenas pelo motor elétrico principal. No modo de potência máxima, os três motores — elétricos e a combustão — atuam combinados na máxima tração. O motor a combustão ainda alimenta o motor gerador em série para recarregar a bateria. Em marcha lenta ou estacionado, o motor a combustão é acionado para recarregar a bateria do sistema elétrico. “E tudo reflete na maior autonomia”, salientou Alex Chen.
O Geely EX5 EM-I faz uso de um avançado conceito estrutural em formato de “trevo”, que redireciona 44,5% da força de impacto frontal para as estruturas laterais do veículo. Mais 39,7% do impacto é absorvido pelo subchassi. A “célula de segurança proprietária” trabalha junto a um sistema de proteção em 360 graus, composto por seis “anéis” que formam uma “blindagem” em torno do tanque de combustível e da bateria.
O Geely EX5 EM-I integra um completo ADAS, ou sistema de prevenção a acidentes via sensores e radares: frenagem automática de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, controle inteligente de cruzeiro, sistema de alerta de colisão frontal, sistema de alerta de colisão traseira, alerta de tráfego cruzado traseiro, frenagem automática na iminência de colisão traseira, sistema de reconhecimento de placas de trânsito, assistente de permanência em faixa, assistente de ponto cego, assistente de mudança de faixa, aviso de segurança para abertura de portas, entre outros sistemas.
Esta preocupação com a segurança dos passageiros também se reflete na otimizada segurança interna, onde bancos foram projetados para dar maior apoio ao corpo, além do direcionamento ergonômico das telas no painel, que evitam a distração do motorista. São evidências de que o Geely EX5 EM-I chegou ao futuro. “É sensível e perceptível isto”, concluiu o executivo.
Longo e proveitoso teste
Com saída em São Paulo, capital, o teste de rodagem do Geely EX5 EM-I confirmou que a Geely é uma marca poderosa em tecnologia, capaz de produzir veículos de extrema eficiência para suas diversas marcas. A Geely é proprietária da Volvo, Zeekr, Lotus, Polestar, LEVC, Farizon, Proton, Geometry, Riddara, Smart e Livan. Tantas marcas refletem o poder da Geely e de outras grandes fabricantes da China, que representam a face mais vistosa do sucesso do país como produtor de veículos motorizados. Um mercado interno de mais de 27 milhões de veículos, somado aos fartos subsídios do governo chinês à sua indústria automobilística, são fatores essenciais para a constante evolução tecnológica do setor, que tem como contrapartida a aceitação global dos veículos “made in China”. Nem todas as marcas chinesas têm qualidade superior, mas a Geely tem.
Foram mais de 350 quilômetros rodados com o Geely EX5 híbrido, que comprovou na prática a qualidade superior do SUV. Mas, para CM do CP, a qualidade disponibilizada pelo EX5 não surpreende. O Geely EX5 “normal”, puramente elétrico, já havia mostrado suas qualidades em teste anterior, também em São Paulo, com maior uso urbano.
Este novo teste teve como cenário rodovias no uso do EX5 no sinuoso e desafiador caminho para o município de São Roque, região de turismo rural e vinícolas, às margens de vias estreitas e perigosas. No constante sobe e desce em região montanhosa, foram colocados à prova os sistemas vitais do EX5, como freios, suspensão e, sobretudo, a integridade estrutural do SUV.
A nova plataforma, sem dúvida, ampliou a segurança ativa, sintetizada em uma dirigibilidade precisa de nível superior. A manobrabilidade excepcional do EX5 sintetiza a rigidez torsional da nova plataforma, que corrigiu alguns problemas detectados no teste anterior, como a oscilação excessiva da carroceria em curvas. Neste teste, as curvas “abertas e fechadas” eram apenas mais um desafio superado com facilidade pela experiência do piloto de testes e pela solidez e confiabilidade da plataforma e das suspensões do EX5 híbrido.
Aliás, é notável a rapidez com que os chineses respondem às críticas que surgem no mercado global. Os carros chineses, em geral, melhoram rapidamente.
Desta vez, o teste não contou com aquele dissabor quase sempre presente no uso do elétrico: a limitação da autonomia restrita ao uso urbano. Enquanto as baterias ainda não superam os 400 quilômetros rodados, a utilização do sistema híbrido no Geely EX5 permite autonomia de até 1300 quilômetros. Encha o tanque e faça o trajeto de Porto Alegre a São Paulo sem parar.
É lógico que, se for utilizado apenas o modo elétrico, a autonomia será de cerca de 100 quilômetros. O sistema de regeneração de energia do EX5 induz uma constância na reposição de carga da bateria, e a autonomia se expande de forma significativa. O mundo ecológico não tolera o petróleo e sabe que gasolina no tanque é sinônimo de poluição, o que não combina com o carro elétrico. Mas combina com a aceitação mais “genérica” do EX5 híbrido, justamente por sua autonomia ser muito superior à de um veículo puramente elétrico.
Iniciamos o teste no trânsito sempre complicado e desafiador de São Paulo. O GPS, com tom de voz muito elevado, precisou ser regulado, pois interferia na atenção do piloto. Foram centenas de orientações como: “siga para noroeste na Avenida Paulista, vire à esquerda em direção ao Pacaembu, pegue a rampa à direita em direção à Anhanguera”, etc.
Ao lado do piloto de testes estava um jornalista paulista da nova geração, ágil em informática e com informações mais precisas do que as instruções “gritadas” pela voz digitalizada. Próximo ao meio-dia, com fluxo intenso nas rodovias, o Geely EX5 já mostrava seu conforto interno. O amplo espaço é resultado de medidas generosas: 4,74 m de comprimento, 1,90 m de largura e entre-eixos de 2,75 m.
A suavidade do design externo, com linhas limpas, disfarça essas dimensões. A impressão, tanto externa quanto ao volante, é de um veículo de porte médio adaptado à cidade. À medida que o teste avançava, a precisão dinâmica, o amplo espaço interno e o acabamento refinado contribuíram para que o trânsito pesado e arriscado das estradas paulistas não interferisse na “paz a bordo”.
A viagem tranquila e veloz até São Roque sintetizou, na prática, a rápida evolução tecnológica do EX5 híbrido: muita potência, torque sempre disponível, excelente visibilidade graças à ampla área envidraçada e tecnologia de ponta auxiliando o motorista. Destaque para o head-up display, que parece flutuar sobre o capô dianteiro, trazendo informações valiosas sobre a rodovia e o fluxo de trânsito.
São fatores que relaxam motorista e passageiros e tornam os mais de 300 quilômetros rodados não apenas confortáveis, mas desejáveis. Pena que a Geely Renault não cedeu o EX5 para um teste de retorno até Porto Alegre. Afinal, havia mais de 1300 quilômetros de autonomia à disposição.
