Em dois dias, o Mercedes-Benz GLA 200, 2026, percorreu os belos caminhos da Serra Gaúcha. Num convite da Savar Mercedes-Benz, uma campeã de vendas da Mercedes-Benz no Brasil. Aceito o convite e rumo à Serra pela sinuosa e perigosa BR-116, que equivale a uma pista de testes de montadora. Afinal, na rodovia de traçado antigo, o motorista não terá facilidades, mas a exigência de atenção redobrada na estrada de duas mãos, apenas. Que está defasada diante da performance atual dos veículos, que sem dúvida chegam em curvas muito mais rápidos do que há 10 anos atrás. Estas rodovias "antigas" não foram projetadas para serem seguras. Tantas vezes como a BR-116, são estradas cênicas em montanhas magníficas. Mas antes da "cena" da natureza, tem aquela descida veloz que acabará em curva desafiadora. Então qualquer descuido do motorista, como uma chegada em alta velocidade em curva fechada, extremamente perigosa, será o desastre. E motoristas e motociclistas morrem nestas estradas "cênicas". Numa definição até "romântica" para o "perigo à vista". Ou "sem vista", porque a maioria das curvas da BR-116 não tem sinalização eficiente. Por isso mesmo, estar a bordo de um SUV com tecnologia avançada e nível 5 nos testes de segurança do EuroNCAP, sem dúvida ajudou o piloto de testes a serviço do CM do CP, numa ida e volta à Serra, sem perturbações. O que estava no habitáculo era a experiência e bom senso de quem testava mais esta tecnologia diferenciada da Mercedes-Benz.
O Mercedes-Benz GLA foi lançado na Europa em 2013 e integrava uma estratégia de rejuvenescimento da marca, sempre associada a uma faixa etária acima dos 40 anos de idade ou mais. Com as mudanças sociais, culturais e econômicas das últimas décadas, numa maior mobilidade social e econômica, isto possibilitou que jovens numa faixa de 30 anos passassem a ser clientes da Mercedes-Benz. Os modelos lançados em 2013 pertencentes à New Generation Compact Cars, composta dos modelos Classe A, GLA e CLA, que no lançamento impactaram inicialmente o mercado europeu com preços mais acessíveis e praticidade no uso de modelos que não eram suntuosos, mas tremendamente atraentes no design e relativamente acessíveis nos preços. Mas o GLA foi o modelo que mais atraiu este público "jovem" pelo ineditismo do design, que mesclava traços de SUV com cupê esportivo, com um perfil baixo e ótimo coeficiente de penetração aerodinâmica. CM do CP testou por diversas vezes a linha NGCC, onde o GLA aparecia como um produto sólido, ao mesmo tempo com grau elevado de esportividade que cativou principalmente o público feminino na Europa. Em 2014, o GLA ganharia a versão AMG, dotada de motor 2.0 turbinado com 355 hp, que foi sucesso imediato na linha da Mercedes-Benz. Agora, a versão "normal" do GLA é dotada de motor 1.3 com 163 hp. Mas prossegue em linha a versão AMG, com motor 2.0 turbo com 306 hp, que também foi testada por CM no autódromo Velocittà, em São Paulo.
A atual formatação de SUV "raiz", com tradicional carroceria em três volumes bem definidos, define que a Mercedes-Benz aprendeu com a geração anterior que um SUV deve parecer um SUV e não um cupê esportivo, como o GLA lançado em 2013 era entendido pelo consumidor primeiromundista. Quando ressurgiu no Salão de Paris, em 2022, o novo GLA recebeu atenção da mídia global justamente por ser um autêntico SUV dentro da linha Mercedes. Logo depois, iniciou a comercialização numa escala global, com a produção do GLA na Alemanha, Índia e Tailândia. Atualmente, para o Brasil, os GLA são produzidos na Alemanha. Mas convém lembrar que o GLA de primeira geração foi produzido no Brasil, na unidade industrial de Iracemápolis, em São Paulo, entre setembro de 2016 e final de 2020, com nível razoável de nacionalização, já que o GLA usava o motor 1.6 flex produzido no Brasil, além de outros equipamentos também de fabricação local.
A fábrica foi vendida para a chinesa GWM, que a reestruturou com tecnologia para a produção de veículos híbridos e elétricos. Portanto, onde os alemães só enxergaram a impossibilidade, os chineses entenderam a fábrica como uma grande oportunidade para o futuro. Mas o passo avançado em tecnologia da Mercedes-Benz beneficiou os chineses da GWM, que herdaram uma cabine de pintura utilizada pela Mercedes, que ainda é considerada uma das mais avançadas do mundo.
O GLA é um SUV muito veloz, embora dotado de motor com média cilindrada, um 1.3 turbo com 163 hp, que resultou da associação entre Mercedes-Benz e Renault, já desfeita. É um ótimo motor, com ampla faixa de torque linear que possibilita o uso em quaisquer situações de rodagem. No teste, as sinuosidades em aclive da BR-116 não representaram nenhuma dificuldade na pilotagem do GLA, que possui um notável equilíbrio dinâmico, apesar da altura de 1,61 m em relação ao solo. O SUV parece mais imponente devido ao teto elevado em relação às laterais. Isto propicia uma grande área envidraçada que facilita a visão privilegiada do "em torno". Se você tinha um Range Rover Evoque, pensará que desperdiçou dinheiro com psicanalista para curar a "claustrofobia". No atual GLA, os ocupantes se sentem livres, quase integrantes da paisagem, graças à grande área envidraçada e ao grande teto solar. Lembra do vidro traseiro do Evoque e suas "janelinhas"? Pois tem marcas que sacrificam a ergonomia em função da estética. Não é o caso da Mercedes-Benz.
Foi uma viagem tranquila até Gramado e não houve perda sensível de potência e torque na "subida da Serra", com dois ocupantes a bordo. O que significa que os 163 "cavalos" e o torque generoso de 27 kgfm são mais que suficientes para tornarem a condução do GLA ágil e precisa, num veículo que pesa 1.570 quilos. O uso de ligas de aço leve e resistente e a plataforma de última geração MFA2, de superior rigidez torcional, são elementos tecnológicos responsáveis pelo alto nível de solidez da carroceria e manobrabilidade excepcional do SUV, o que amplia a sensação de domínio. O volante com "peso" ideal, nem tão leve que pareça que você pilota uma "borboleta gigante", como acontece em certas marcas chinesas que ainda não entenderam que o motorista brasileiro gosta de sentir as reações do veículo através do volante.
Mas, nas irregularidades do terreno, com asfalto fraturado e desníveis, foram sentidas ao volante, e é impressionante a maciez e performance consistente, mas suave, do GLA. Convém salientar ainda o capricho "geral" no acabamento do GLA, que é definido pela própria Mercedes-Benz como um "SUV luxuoso". Não há arrogância nesta afirmação, mas acabamentos de painel, bancos e laterais que inserem alcantara, couro legítimo, alumínio e outros materiais nobres. E há consistência em tudo, o que significa que a nobreza dos materiais passou por tecnologia avançada em produção. E a Mercedes gastou mais de 8 bilhões de euros em pesquisa e desenvolvimento de produto em 2025. O Mercedes-Benz GLA é parte deste investimento.
