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GLA é pura heritage, a herança automotiva de alto padrão da Mercedes

GLA 2026 adota a tecnologia de híbrido leve, com sistema elétrico de 48 volts sem capacidade de tração

GLA 200 tem 163 cv no motor a combustão
GLA 200 tem 163 cv no motor a combustão Foto : Renato Rossi / Especial CP

O Mercedes-Benz GLA foi lançado no início de 2019 como sucessor do GLA de primeira geração, apresentado no Salão do Automóvel de Frankfurt em 2013. O primeiro foi um salto no escuro da Mercedes, que não tinha experiência com SUVs de porte médio. Também não havia, naquele momento, o compromisso da marca mítica em evoluir no segmento, já que esse era praticamente o primeiro SUV compacto da fabricante.

O GLA não era um SUV típico ou “raiz”, com frentes altas e volumosas, teto elevado e traseira “truncada”, como os rivais da época. A Mercedes o apresentou em Frankfurt, e o Correio do Povo estava ao vivo naquele salão, algo surpreendente. Tratava-se de um SUV com “cintura baixa”, laterais rebaixadas, teto igualmente baixo e frente igualmente rebaixada. A impressão era de um misto entre hatchback esportivo e SUV.

Essa “diluição” do conceito tradicional de SUV — exposto, por exemplo, no grandalhão ML — tornava o GLA um diferentão dentro da tradicional linha Mercedes, onde um Classe C sempre foi sinônimo de sedã elegante. O impacto foi imediato, e a imprensa europeia dividiu-se entre prós e contras.

O consumidor alemão, porém, aderiu ao GLA, que de 2014 a 2019, quando sua produção foi encerrada, tornou-se um veículo veloz e prático da família alemã. O GLA passou a integrar também a família europeia, norte-americana e brasileira, já que foi sucesso de vendas no Brasil, onde chegou como importado em 2014 e foi “nacionalizado” em 2016 na fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis — a mesma planta que hoje pertence à chinesa GWM.

Ainda assim, a trajetória do GLA sempre carregou uma dúvida: seria um SUV ou um hatchback esportivo? A própria Mercedes-Benz, na mesma época do lançamento do GLA, apresentou o novo Classe A, este sim um legítimo hatchback.

Em 2019, a MB lança a nova geração do GLA, cujo design de três volumes bem definidos — frente alta e imponente, laterais elevadas e traseira truncada — não deixava dúvidas: ali estava um autêntico SUV. Sucesso imediato na Europa, o novo GLA passou a oferecer maior precisão ao volante, sendo capaz de contornar curvas rápidas sem perda de estabilidade lateral e rodar em linha reta como se estivesse sobre trilhos.

É nessa precisão mecânica que o GLA de nova geração expressa o valor do conceito Heritage — a herança associada a uma marca que evoluiu ao longo do tempo e que invariavelmente resulta em produtos melhores. O GLA 2026 é, de fato, muito mais evoluído do que os modelos do passado recente e remoto.

O novo GLA 2026 adota a tecnologia mild hybrid (híbrido leve), com sistema elétrico de 48 volts sem capacidade de tração. O motor elétrico adiciona 14 cv ao motor a combustão 1.3 turbo de 163 cv. Este propulsor, aliás, mostra desempenho superior a motores 1.0 e 1.3 turbo de concorrentes e, em conjunto com o sistema elétrico, entrega 174 cv. A potência é acompanhada por 27,5 kgfm de torque, claramente percebidos pelo motorista.

O desempenho é ousado e veloz: o GLA acelera de 0 a 100 km/h em 8,9 segundos e atinge velocidade máxima de 215 km/h — com vento a favor. E por que o vento importa? Porque o novo GLA apresenta coeficiente aerodinâmico (Cx) de 0,31. A geração anterior, mais baixa, registrava Cx de 0,29. Portanto, o fator aerodinâmico deve ser considerado em um SUV com altura de 1.494 mm.

Dimensões do GLA 2026:

Comprimento: 4.417 mm

Distância entre eixos: 2.699 mm

Largura: 1.804 mm

Peso: 1.415 kg

Porta-malas: 421 litros

Vão livre do solo: 134 mm

São medidas equilibradas, que resultam em notável equilíbrio dinâmico.

Diante da retração na demanda por veículos elétricos — especialmente no Brasil, onde a preferência voltou a ser pelos modelos a combustão —, mas também na Europa e nos Estados Unidos, a Mercedes-Benz passa a revalorizar seus motores térmicos. Nos EUA, por exemplo, a marca equipa seus poderosos AMG GT com motores que chegam a 800 cv.

Para uma empresa que investiu bilhões em uma linha de veículos elétricos de alta performance, como o imponente EQS, ampliar novamente a combustão não deve ser tarefa agradável para engenheiros atentos às questões ambientais. Contudo, a Mercedes sabe que, no momento, os veículos a combustão ainda geram mais lucro do que os elétricos.

Retoma-se, então, o conceito de Heritage: essa herança rica e inestimável que a Mercedes carrega na produção de automóveis. Nos anos 1930, ases como Manfred von Brauchitsch e Rudolf Caracciola desafiavam as curvas inclinadas do autódromo de Avus com os imortais Mercedes W25, SSKL e W125, superando os 300 km/h. É impossível ignorar a influência dessa história na evolução constante da marca.

Será que a excepcional performance do GLA — um modelo de ampla acessibilidade — não carrega algo do espírito de Avus e da tecnologia espetacular daqueles bólidos prateados? O significado é claro: a Mercedes ensinou os chineses — e não o contrário.

Para finalizar, o GLA incorpora elementos fundamentais do presente e do futuro, refletindo novas preferências e necessidades. O modelo conta com duas telas de 10 polegadas no painel, responsáveis pela exibição dos sistemas de assistência à condução e segurança, reunidos sob a sigla ADAS.

No GLA 2026, estão disponíveis: Assistente Ativo de Distância DISTRONIC, que mantém automaticamente a distância segura do veículo à frente; Assistente Ativo de Direção, que auxilia na centralização em faixa; Frenagem Autônoma de Emergência; Alerta de Ponto Cego; Assistência de Permanência em Faixa; Assistência à Atenção, que monitora sinais de fadiga do motorista; Sistema de Pré-Alerta, que prepara os sistemas de segurança em situações críticas, incluindo o travamento de portas e janelas; câmera de 360°; e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, que reduzem significativamente o estresse ao volante.