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GM segue pela rota elétrica, apesar de Trump

CEO Mary Barra terá dificuldades para implementar sua estratégia com desafeto no poder dos EUA

Companhia mantém suporte à eletrificação
Companhia mantém suporte à eletrificação Foto : GM Energy / Divulgação CP

Mary Barra, a CEO da General Motors Corporation, sabe que não terá facilidades para exercer a estratégia elétrica da GM para 2025 e o futuro. Afinal, o poder está com seu "desafeto" Donald Trump, que a ofendeu diversas vezes naquela "praxe" comportamental grosseira. No primeiro mandato (2017-2021), Trump anulou a legislação pró-defesa do meio ambiente de Barack Obama. À época, Mary Barra declarou à mídia que Trump condenava a indústria automobilística norte-americana ao atraso tecnológico e obrigava General Motors e Ford a "estacionarem" no "carro a combustão" à margem da progressividade tecnológica. "E isto significa um atraso insuportável", acentuou Barra.

Trump rapidamente puxou seu "revólver verbal" e disparou: "Esta provinciana, esta ‘mulherzinha’, tem que calar a boca". Mas Mary Barra não era, com certeza, uma "mulherzinha". Ela é um modelo para as mulheres norte-americanas. A "provinciana" para o destemperado Trump era a jovem de classe média, filha de funcionários da GM, que galgou todos os degraus da corporação até chegar ao cargo máximo de CEO em 2014. Mas Barra não recebeu os 400 milhões de dólares que Trump recebeu de seu pai, Fred Trump, para começar a vida aos 18 anos de idade. Donald, porém, aproveitou o "presentão" e tornou-se um "playboy milionário", sempre na perseguição a belas aspirantes e "estrelas de Hollywood".

Enquanto isso, Mary iniciava um trabalho "duro" na linha de montagem como "inspetora de qualidade". Depois, já formada em engenharia mecânica, tornou-se funcionária na área de projetos da corporação. Em poucos anos, seria a diretora de engenharia responsável pela qualidade e, no sucesso dos cargos, foi instituída como CEO da General Motors Corporation em 2014. Até hoje, é a única mulher a ter alcançado o "topo". Mary definiu uma política de diversidade na GM que não teme a sexualidade diversa, origem, fé ou outras características humanas.

A General Motors chega a 2025 com números expressivos em eletrificação e investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento de veículos elétricos de US$ 209 bilhões e geração de 240 mil novos postos de trabalho graças à eletrificação. A GM tem um longo "histórico" em carros elétricos.

EM 96, O EV ONE

O EV One foi o primeiro carro elétrico com produção em série. O modelo estava à frente de uma sociedade "viciada" em gasolina que, à época, não vivenciava os problemas ambientais que hoje geram prejuízos trilionários para a economia norte-americana. Em 1999, o projeto EV One foi cancelado e o modelo, que tinha uma sólida performance elétrica, sumiu. Os modelos que restaram na fábrica foram incinerados para que segredos industriais não fossem descobertos. Em novembro de 2010, a GM lançou o Volt, um carro híbrido "plug-in", inovador, que foi testado por Carros e Motos do Correio do Povo, numa viagem por rodovias próximas a Detroit. O Volt, afirmava o CP através de seu piloto de testes, era um modelo evoluído na tecnologia, com suspensões firmes, volante preciso e rodar suave e agradável.

Chegou à segunda geração, ainda mais evoluída, em 2015 e foi descontinuado em 2019. Mas o Volt era um híbrido plug-in, portanto tinha motor a combustão e motor elétrico.

EM 2016, O ELÉTRICO BOLT

Em 2016, a General Motors, por ordem de Mary Barra, apresentou o primeiro modelo "totalmente elétrico": o hatchback Bolt, lançado no mercado em 2017, custava US$ 26 mil. Um preço que 90% das marcas chinesas com qualidade não conseguem alcançar neste 2025. Só as marcas chinesas sem qualidade lançam veículos de US$ 15 mil, mas são precários e não duram. O Bolt será relançado até o final de 2025 dentro de uma nova "plataforma" elétrica que origina outros modelos elétricos como Silverado, Blazer e Equinox, lançados em 2025. Apesar de um governo que retoma e amplia o negacionismo em relação à proteção ambiental, a General Motors Corporation segue determinada a ser uma marca "neutra em carbono até 2040". Mas a linha da GM até 2035 já será totalmente elétrica. Mary Barra, por diversas vezes, declarou que qualquer marca automobilística, se quiser sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo, terá que se "desapegar" do petróleo. Os carros a gasolina chegaram ao máximo de desenvolvimento tecnológico dos motores a combustão e continuam poluidores. Os carros híbridos também não significam a passagem segura para um futuro neutro em carbono porque soltam dióxido e monóxido de carbono, gases que alimentam o aquecimento global. E a humanidade só sobreviverá na descarbonização.

CAVE, GAROTO, CAVE

O "mote" do governo Trump, o "cavernoso e retrógrado" drill baby drill ou "cave baby cave", até achar petróleo. É um slogan que omite que não há mais petróleo a ser explorado em solo norte-americano. Restam os oceanos e a Amazônia, que será coberta por óleo espesso. O presidente do Brasil quer isto e se iguala a Trump, que deseja transformar Gaza e seus mais de 70 mil cadáveres em "parque de diversões". Uma filial da Disney, talvez. Contra essa ideologia retrógrada, a General Motors aposta na eletrificação e dribla o nacionalismo exacerbado de Trump. Senão, vejamos: a GM estabeleceu um acordo de muitos bilhões de dólares com empresas para desenvolver projetos em solo norte-americano, como a Vianode para prospecção e exploração de materiais sintéticos como o "grafite anódino", cuja exploração inicia em 2027. Também tem parceria com a Lithium Americas para desenvolver as fontes de lítio localizadas no Thacker Pass, no estado de Nevada. Há ainda o acordo com a MP Materials para a manufatura de componentes para veículos elétricos feitos com ligas metálicas sofisticadas. A produção acontecerá em uma unidade industrial sofisticada em Fort Worth, Texas, a partir de dezembro de 2025. A produção de componentes magnéticos essenciais em carros elétricos também está garantida. Os magnetos integram os motores elétricos, assim como os transformadores, indutores e filtros de linha. A fábrica da E-Vac Magnetics recebeu milhões de dólares em investimento da GM, com início de produção na Carolina do Sul em 2026. A oposição de Donald Trump ao carro elétrico não ficará imune aos investimentos bilionários em eletrificação promovidos pela General Motors Corporation.

SPARK ELÉTRICO NO BRASIL

O Brasil não fica fora da investida em eletrificação da GM. "O Spark EUV chega ao Brasil em 2025 e reúne aquilo que o consumidor mais valoriza em um carro elétrico, com o diferencial da marca Chevrolet, que completa 100 anos no Brasil. Sempre com foco na inovação e na satisfação de nossos clientes", afirma Santiago Chamorro, presidente da GM América do Sul. O Spark EUV é o resultado da parceria entre a General Motors e a chinesa SAIC, "velha parceira" da GM. A associação entre as duas marcas iniciou em 1997, quando se uniram para montar inicialmente o norte-americano Buick Regal, adaptando-o ao "gosto chinês". Em 2000, surgia o Buick GLB, uma minivan que fez grande sucesso na China. Em 2003, a China já era o segundo maior mercado mundial para a GM. Agora, a GM aproveita sua grande experiência em eletrificação e lança o criativo Spark, que deve ser o elétrico de "entrada" da GM no mundo. O Spark tem belo design, entre um hatchback e um mini SUV, projetado para uso urbano. Seu preço na China, onde se chama Baojun Yep Plus, é de 10 mil dólares. Uma pechincha chinesa que, em mandarim, se diz "Haochu".