A Volkswagen do Brasil apresentou no festival "Anti Rock", no Rio de Janeiro, o Golf de oitava geração. No entanto, sua função como "carro imagem" foi prejudicada e soou confusa em um festival que misturou inúmeros estilos musicais, mas que não chegou a lugar algum, já que a falta de qualidade artística foi quase generalizada. Para salvar a festa, foi necessário chamar artistas consagrados, como Deep Purple, Ney Matogrosso e Alcione, entre outros octogenários. Na verdade, o festival era composto por personagens destituídos de qualidade artística, em um evento de inutilidades fomentado por uma TV sensacionalista, ávida por faturar milhões à custa da ingenuidade do público.
Nesse contexto adverso, o Golf GTI de oitava geração deveria ser uma das estrelas do festival. Contudo, quem, em meio ao ambiente amontoado, tórrido e confuso, daria importância a mais um salto de qualidade desse ícone da indústria automobilística? Alguns jornalistas convidados prestaram atenção no GTI, que passou despercebido pelo público. O Golf merecia bem mais. Afinal, lançado em 1974, já vendeu quase 40 milhões de unidades.
Se dessem um microfone para o Golf 8, ele seria melhor do que 90% das apresentações do festival, até porque o carro se comunica através de um alto nível de inteligência artificial. Aliás, nem o presidente da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobon, demonstrou certeza sobre a vinda do Golf 8 para o país, afirmando que "estudava a possibilidade". Talvez, em um futuro lançamento mais assertivo e em local adequado, saberemos se esta nova geração do Golf será produzida no Brasil. Vale lembrar que o modelo foi fabricado na unidade industrial de São José dos Pinhais de 1998 até 2019, sempre sendo bem aceito no mercado brasileiro.
A editoria de Carros e Motos do *Correio do Povo* teve uma longa vivência com praticamente todas as gerações lançadas no Brasil. A versão GTI foi a primeira a ser lançada no país, em 1984, equipada com motor 2.0 aspirado, com 8 válvulas e 116 cavalos. Mesmo assim, já apresentava um ótimo desempenho e mostrava, nas mãos dos motoristas brasileiros, por que fazia sucesso na Europa. Era um hatchback estável, seguro, prazeroso de conduzir e com ótima ergonomia interna, apesar das suspensões mais duras, devido à performance esportiva. O Golf GTI logo se tornou um dos preferidos na linha Volkswagen no mercado brasileiro.
O momento mais sublime na relação com o Golf aconteceu em setembro de 2008, quando o *Correio do Povo* aceitou um honroso convite da Volkswagen e foi para a Islândia para o lançamento do Golf de sexta geração, considerado até hoje por grande parte da imprensa europeia como o melhor Golf de todos os tempos. Foram mais de dois mil quilômetros rodados em uma semana, percorrendo a rodovia que circunda a ilha e as vias interioranas cercadas pela tundra verdejante e paisagens dramáticas e espetaculares. A Islândia foi o cenário perfeito para compreender a excepcional qualidade do carro.
Contudo, devido às leis rigorosas de trânsito, o Golf rodou de maneira contida. Na gélida Islândia, conhecida pelo alto consumo de álcool, a multa para quem ultrapassasse os 120 km/h chegava a 40 mil euros, com prisão e julgamento sumários. Caso o motorista atropelasse ou ferisse alguém, a pena era prisão perpétua. Com essas leis duríssimas, a Islândia tentava conter os acidentes rodoviários envolvendo tanto nacionais quanto turistas. Foi assim que, por uma semana, a Volkswagen "dominou" a Islândia. O tempo passou, e o que veio depois foram altos e baixos para o Golf no Brasil.
O momento mais baixo aconteceu quando a engenharia em São José dos Pinhais substituiu a suspensão traseira multilink pelo eixo de torção no Golf de sétima geração, lançado em 2013. A solução visava reduzir custos, mas soou como se uma estrela de Hollywood, como Sharon Stone, fosse comprar roupas em um "camelódromo". O resultado não foi bom: o Golf com eixo de torção perdeu sua sensibilidade e dirigibilidade. Mesmo assim, manteve-se no mercado por mais seis anos, embora com vendas cada vez menores.
Com saudades do Golf, a equipe do *Correio do Povo* optou por uma abordagem inversa à da apresentação estática no festival. Em uma solução local, foi testado um Golf GTI 2017 cedido pela revenda Savarauto Multimarcas, que possui um excelente acervo de carros. O GTI, em estado de zero quilômetro, não é um carro "barato", custando mais de R$ 150 mil. Devido ao fato de não ser mais produzido no Brasil, o modelo virou "cult", havendo grande demanda por ele. No modelo 2017, estão presentes as características que sempre diferenciaram o Golf.
Que prazer foi ver novamente um painel sem aquela tela imensa que faz o motorista sentir-se como se estivesse dirigindo uma TV digital. Hoje, há carros chineses com "karaokê a bordo", e fica difícil se concentrar na direção com tantas "atrações". No Golf, porém, a emoção voltou com a "pura esportividade". O GTI 2017 é equipado com motor 2.0 turbo de 230 cavalos, torque de 35,7 kgfm e atinge uma velocidade máxima de 245 km/h. O câmbio de seis marchas, com dupla embreagem, permite uma subida linear de torque, tornando a direção prazerosa no trânsito urbano. A suspensão, com MacPherson na dianteira e multibraços na traseira, acompanhada por barra estabilizadora, proporciona um elevado nível de estabilidade lateral e direcional. Os freios a disco nas quatro rodas, com dois discos ventilados, garantem máxima eficiência.
O Golf tem 1.456 mm de altura, 1.799 mm de largura, 4.276 mm de comprimento e entre-eixos de 2.631 mm. No porta-malas, o único elemento "família" do esportivo GTI, cabem 378 litros.
Convém lembrar que, em 2017, ainda não havia a proliferação de radares e sensores, nem assistente de manutenção de faixa ou frenagem automática de emergência. Entretanto, o GTI já possuía o piloto automático adaptativo. Ao volante, numa posição baixa, típica de carros esportivos, o prazer de condução se instalou com poucos quilômetros rodados. O GTI é aquele carro que, independente da geração, "convida" à performance esportiva. O volante, bem desenhado, amplifica o controle sobre o carro, que aceita curvas em alta velocidade sem perda de estabilidade lateral. Na freeway, o carro "rodava sobre trilhos". Esse é o DNA da sofisticada engenharia alemã. Sem grandes telas e cores chamativas, houve uma concentração exclusiva no ato superior de conduzir um dos melhores carros do mundo. Seja com 20 mil, 30 mil, 100 mil ou até um milhão de quilômetros rodados, não importa: é um Golf.
