Carros & Motos

Golf sempre traz boas recordações

Volkswagen do Brasil lança no dia 8 de setembro o novo GTI, a versão esportiva com motor quatro cilindros turbo de 245 cv

Tradição de eficiência e performance
Tradição de eficiência e performance Foto : VW / Divulgação CP

Em 29 de março de 1974 a Volkswagen lançava na Alemanha o seu maior triunfo: o Golf. Um hatchback com design conservador que escondia uma performance precisa e muito veloz. Em 74 o Golf tinha como missão substituir o Volkswagen Beetle, o popular “fusca” que motorizou a Alemanha em reconstrução no pós-guerra. O Beetle também foi um marco: o carro que devolveu o orgulho e a confiança dos alemães em sua indústria automobilística. Se o fusca era simplório na mecânica, com tração traseira e motor refrigerado a ar, a primeira geração do Golf, em 74, já disponibilizava motor dianteiro refrigerado a água e dirigibilidade superior, resultado de uma plataforma inovadora com alto nível de rigidez torcional. O sucesso imediato do Golf deu início a um mito da indústria automobilística que atravessou o tempo. O último número de produção do Golf, em 2024, contabiliza 37 milhões de unidades produzidas e comercializadas. O sucesso permanente do Golf rendeu bilhões de dólares em lucratividade para a Volkswagen. Em 2024 o Golf comemorou 50 anos com o lançamento da 8ª geração, considerada outro marco tecnológico.

A Volkswagen do Brasil lança no dia 8 de setembro o novo Golf GTI, a versão esportiva com motor quatro cilindros turbo de 245 cv. A editoria de Carros e Motos do Correio do Povo participou na Islândia e na Alemanha, presencialmente, dos lançamentos da sexta e da sétima geração. O Golf de sexta geração é considerado até hoje o melhor dos Golf. Mas a evolução do Golf não para.

Este “melhor Golf 6” teve lançamento espetacular na Islândia em 2008, num evento com a marca da competência da Volkswagen. A sexta geração mostrava um ápice de evolução formal e tecnológica. O Golf 6 era dotado de controle de velocidade adaptativo, airbags para os joelhos, controle eletrônico adaptativo do chassi e uma estrutura super reforçada, que colocava o Golf como um dos carros mais seguros do mundo, com 5 estrelas nos testes de impacto promovidos pelo EuroNcap. As cinco estrelas sempre fizeram parte da “constelação” Golf. O evento na Islândia deu a medida exata de que o Golf era algo único e insubstituível para o Grupo Volkswagen.

Esportividade do carro família | Foto: VW / Divulgação CP

Muitos Golf em diversas versões foram testados em CM do CP ao longo de décadas. A trajetória do Golf no Brasil iniciou em 1994, com a importação da terceira geração, que agradou ao consumidor brasileiro. Este “saltava” da simplicidade do Gol para um Golf com tecnologia e dirigibilidade superior. Afinal, somente no lançamento do Polo em 2002 a Volkswagen passou a ter um hatchback próximo da excepcional dirigibilidade do Golf, que foi produzido no Brasil até 2013. No país, infelizmente, algumas “atualizações” soaram como retrocesso. Por exemplo, a substituição da suspensão traseira “multilink” por suspensão de eixo rígido reduziu a qualidade da dirigibilidade (handling) do Golf. Os consumidores sentiram a menor eficiência da suspensão simplificada e o Golf vendeu bem menos. Com a queda das vendas e a chegada dos SUVs ao mercado brasileiro, como o Jeep Renegade em 2015 e o Compass em 2016, a Volkswagen resolveu suspender a produção em 2020. Os brasileiros ficaram “órfãos” do excelente produto. Em 2020 uma última versão híbrida GTE tentou recuperar em parte a aura do Golf, em um lote de 99 unidades, mas foi mais um momento infeliz da Volkswagen no mercado brasileiro. O global Golf merecia um final feliz no Brasil — que não aconteceu.

No entanto, para CM do CP restaram as lembranças poderosas. E o lançamento do “melhor Golf”, da sexta geração na Islândia, vive na memória do jornalista e piloto de testes até hoje. Da janela do avião, a visão da ilha vulcânica no meio da imensidão azul do oceano Atlântico, a 2800 quilômetros do ponto de partida em Munique, na Alemanha, era magnífica e desafiadora. O avião se aproximava da ilha e somente montanhas vulcânicas surgiam. O tempo mudava do céu aberto ao céu tempestuoso da Islândia: o país das mudanças climáticas intensas a qualquer hora do dia. O clima islandês é indomável e imprevisível. Mas a natureza bravia sugeria que a Volkswagen tinha preparado algo especial para os jornalistas do mundo, no lançamento do Golf de sexta geração. Em 2008 o Golf era líder de vendas do mercado europeu e ainda não havia a competição chinesa. No solo vulcânico recoberto pelo asfalto contrastante, o perfeccionismo germânico havia montado uma grande estrutura para recepcionar mais de mil jornalistas vindos de todo o mundo.

Em cinco dias os jornalistas tiveram contato com a cultura de um país que parece perdido no meio da natureza vulcânica e selvagem, mas logo se mostrava civilizado na colorida capital Reykjavik, do país formado pelos vikings que, saídos da Noruega primitiva, conquistaram o território inóspito açoitado por ventos constantes. A ilha desértica, com mais de 300 mil habitantes, foi transformada em séculos num país que hoje fatura bilhões de dólares com turismo de aventura e receptivo, que não necessita de “alpinistas” para ser “curtido”. O “show” do Golf 6 iniciou no aeroporto de Reykjavik, onde os jornalistas eram recepcionados pelo recém-lançado Phaeton, o ultra luxuoso sedã da Volkswagen que à época visava combater o luxuosíssimo Mercedes Classe S.

O Phaeton não “emplacou” em vendas na Europa e foi descontinuado. Havia uma centena de Phaeton disponíveis para transportar jornalistas a partir do aeroporto de Reykjavik até a capital da Islândia, uma bela cidade de porte médio, super organizada, mas açoitada pela fúria constante do Mar do Norte. Os jornalistas teriam dias intensos com cenários inóspitos e selvagens para sentirem a excepcional performance do Golf 6, principalmente ao rodar pela impressionante “Ring Road”, que circunda a ilha e tem 1322 quilômetros de extensão. A Ring Road permitia que o Golf “entrasse” por estradas vicinais que davam acesso a outras partes da ilha, com asfalto recobrindo o solo arenoso vulcânico, cercado por um verde que não é de paisagens floridas, mas da tundra pegajosa e funda, que lembra ao motorista que “sair da estrada” é alto risco. Mas nem tudo é tundra: havia terrenos arenosos que levavam a outros destinos exóticos. A bordo do Golf e guiado pelo GPS, o jornalista e piloto de testes de CM se deslumbrava com as paisagens selvagens, mas também notava que aquele Golf não era apenas um bom carro: era espetacular na performance. Mas a todo momento o piloto de testes lia, à margem da rodovia, avisos em letras gigantes que lembravam que ultrapassar o limite de 90 quilômetros em 50% significava pagar multa de milhares de euros. Se por acaso atropelasse alguém, então seria prisão perpétua. O impetuoso Golf teve que se contentar com 80 km/h.

Diante dos cenários gélidos e impressionantes, para que serviria a alta velocidade? Os ventos uivavam em volta do Golf 6, que ainda deu show de estabilidade direcional. Melhor ser nostálgico em relação a momentos elevados desta vida. E testar o Golf 6 foi um destes momentos.