O termo "montadora verde" identifica as marcas chinesas que chegaram ao Brasil com a intenção de produzir localmente. Duas marcas se destacam: BYD, líder global em eletrificação, e GWM, muito forte na China e com crescente atuação no mundo. A BYD possui uma fábrica em Camaçari, na Bahia, e a GWM, em Iracemápolis, interior de São Paulo. A BYD vendeu ao mercado a imagem de montadora verde, associada ao primeiro modelo lançado no Brasil, o hatchback Dolphin. Enquanto isso, a GWM apresentou o totalmente elétrico Ora e o SUV híbrido Haval. Em setembro de 2024, a BYD já não era "tão" verde. Hoje, vende o Song, um SUV híbrido rival do Haval. No contexto do retorno do motor a combustão, o Dolphin parece "deslocado" no showroom das concessionárias da BYD.
A GWM não se promoveu como "verde". Ao chegar ao Brasil, estava mais próxima do "amarelo", a cor da gasolina, que impulsiona seu principal produto: o híbrido Haval. A GWM, em nenhum momento, abdicou do petróleo. Um híbrido é bem mais poluente do que "elétricos puros", como o Dolphin ou o Seal.
A ressurreição do carro híbrido mostra que o futuro do automóvel ainda é incerto. O carro elétrico "estagnou" em vendas em 2024, por diversos motivos. Há uma campanha intensa, patrocinada pelas petroleiras, para desacreditar o carro elétrico. Além disso, políticos de extrema direita, que em 2024 ganharam mais espaço no Parlamento Europeu, discursam sobre uma possível catástrofe para o emprego na indústria automobilística europeia, caso os chineses dominem o mercado com seus veículos elétricos. Há também fatores negativos inerentes ao próprio carro elétrico: preço elevado, limitação de autonomia e falta de infraestrutura global que garanta uma eletrificação segura. Assim, o lamentável retorno do motor a combustão, que estava programado para morrer em 2035, agora com os híbridos, pode durar algumas décadas. Isso, se o planeta resistir, o que parece improvável.
O Haval GT, cedido para avaliação do Caderno de Motores do **Correio do Povo** pela autorizada GWM Iesa, demonstrou, na prática, que, embora as considerações ecológicas favoreçam o carro elétrico, o veículo híbrido também oferece uma tecnologia convincente. O HAVAL GT possui dois motores elétricos movidos por uma bateria de lítio de 34 quilowatts, posicionada na plataforma do veículo. Os dois motores podem trabalhar separadamente ou simultaneamente com o motor 1.5 turbo a gasolina. A GWM não revela a potência deste motor, mas, em conjunto, os três motores geram 393 cavalos de potência e 77,7 kgfm de torque.
O Haval GT é o esportivo da linha Haval, que também possui versões "normais" com bateria menor e potência combinada com o motor a gasolina de 243 cavalos. No entanto, não é possível comparar o desempenho das duas versões. O Haval GT é um SUV com forte caráter esportivo. A potência de 393 cavalos surpreende os "desavisados", não acostumados com o torque linear de 77,4 kgfm. É potência e torque comparáveis aos de um Porsche. Portanto, é necessário um "manual de sobrevivência" para quem decide adquirir o Haval GT. Um SUV tão potente, com centro de gravidade alto, não deve ser acelerado impulsivamente, como "pé no fundo". Em piso molhado, sob aceleração máxima, o Haval GT pode ser como um "pitbull" sem focinheira: vai "morder" e pode, eventualmente, acompanhar o dono até a UTI.
Em linguagem técnica, carros elétricos muito potentes exigem controle emocional e precisão nas acelerações, especialmente em circuitos sinuosos, onde o excesso de potência é traiçoeiro. Um vacilo, e você "dança". No entanto, o que prevaleceu na avaliação urbana e rodoviária do Haval GT foi uma condução "planejada e cuidadosa" por um profissional. Na BR-116, com suas sinuosas curvas traiçoeiras, o Haval GT demonstrou notável equilíbrio dinâmico, sustentado por uma plataforma de alto nível de rigidez torsional, suspensões bem calibradas com "rolling" ou rolagem lateral reduzida, e um sistema de direção com peso ideal. O Haval não "flutua" em alta velocidade, como o "tapete voador" Tiggo 8, que aliena o motorista do pavimento.
No entanto, como nada que se move sobre rodas é perfeito, o Haval GT poderia ter uma frenagem mais eficiente. O conjunto de freios a disco nas quatro rodas continua "borrachudo", causando a desagradável impressão de que o Haval não vai parar. É necessário pressionar o pedal com mais força para que finalmente o veículo pare. Esses segundos entre a intenção de parar e a parada são tensos. Para evitar sustos, utilize o Haval GT de forma suave, sem acelerações bruscas e agressivas.
Na cidade, a leveza da condução do Haval GT passa a impressão de que o veículo é menor do que realmente é. Suas dimensões são 4727 mm de comprimento, 1940 mm de largura, 1729 mm de altura e 2738 mm de entre-eixos. A generosidade do entre-eixos proporciona amplo e confortável espaço interno, independente do "biotipo" do motorista ou dos passageiros. Ao rodar, o silêncio absoluto dos motores elétricos passa a sensação de um carro totalmente elétrico. O Haval GT permite até 130 quilômetros no modo elétrico, em velocidades baixas e médias. Na BR-101, o motor a combustão entrou em ação para manter a velocidade sem desgastar excessivamente a bateria, a 110 km/h. A autonomia total do veículo ultrapassa 1.000 quilômetros.
Sensores, câmeras e radares monitoram, em tempo real, o comportamento dinâmico do Haval GT. O assistente de manutenção de linha reta é um pouco "irritante", atento aos mínimos desvios de trajetória. Esta nova versão do GT permite que o motorista silencie os avisos sonoros desse assistente, que muitas vezes causam estresse a bordo. Na BR-101, a inteligência artificial do Haval "percebeu" algo errado com a cabeça do motorista, que se movia para a esquerda e para a direita. Apenas uma provocação, que induziu a voz feminina digitalizada a alertar o motorista para prestar atenção à condução, focando-se à frente.
As duas telas no painel exibem imagens vivas e bem delineadas. O software das telas reconhece faixas de seguimento, pedestres, animais, cones, caminhões e outros veículos ao redor. As câmeras de 360 graus permitem uma visão detalhada do ambiente. O objetivo dessas imagens é antecipar o imprevisto, ampliando a segurança viária. Em 2023, 65 mil chineses morreram em acidentes de trânsito. Portanto, a segurança deve prevalecer, o que é ótimo para o consumidor brasileiro, já que o Haval e outros veículos chineses conquistaram cinco estrelas nos testes de impacto do Euro NCAP.
Enquanto isso, no Brasil, o minúsculo Jac E JS1, famoso por sua "zero estrela", com proteção "0" para crianças, continua sendo vendido sem restrições. A China evoluiu muito em qualidade de produto e em tecnologias voltadas à segurança. O Brasil, infelizmente, não.
