Carros & Motos

Hyundai HB20 na frente

Em quatro anos de mercado, sempre entre os mais vendidos, o HB20 em versão hatchback e sedan, conseguiu levar a Hyundai a uma participação de 8% no mercado brasileiro. Uma façanha e tanto para este HB20 que consegue “emplacar” mais de dez mil unidades mensalmente. O HB é destes modelos que no mercado global são chamados de “game changer”, que são aqueles modelos que mudam a sorte e o norte de uma grande marca.

Outro “game changer” no mercado brasileiro é o competente e sedutor Renegade que em pouco mais de dois anos colocou a marca Jeep entre as mais vendidas. São carros, portanto, de aceitação imediata que é sempre mais emocional que racional. No caso especifico do Renegade, havia a mística global da marca Jeep com demanda reprimida por décadas no Brasil. Quando “abriram a porteir” da grande e tecnológica fabrica em Goiana, Pernambuco e de lá saiu o belo Renegade, foi “sopa no mel”, o sucesso instantâneo.

No Brasil, antes da chegada do HB20 a marca Hyundai era direcionada a uma elite econômica através de crossovers e sedans invariavelmente caros. O Grupo Caoa até hoje só atende às elites e dispensa a classe média. Mas a Hyundai é marca generalista que atende a todos os segmentos e vislumbrou no Brasil um amplíssimo segmento de entrada desprovido de novidades. O segmento dos “ancestrais” Palio e Gol que com mais de 25 anos de mercado ainda vendem muito. O HB20 é o resultado de uma pesquisa realizada junto aos consumidores brasileiros em mais de 4 anos. Equipes da montadora coreana percorreram o território brasileiro, realizaram milhares de entrevistas e o resultado concreto baseado na percepção do consumidor é o belo HB20, porque havia carência de belo design no segmento de entrada.

Dos diversos testes realizados com a primeira e com a segunda geração do HB20, ficou a impressão do hatch que não é excepcional na tecnologia ou performance, mas que convence plenamente no segmento de entrada acostumado aos carros que mudavam para não mudar. Em geral, ofereciam ao consumidor a morosidade excessiva na forma e no conteúdo. Convincente no handling ou dirigibilidade desde a primeira geração, o HB20 recebeu novo motor turbo com 95hps com gasolina e 105 hps com etanol, em 2015.

O motor apresenta a um forte torque de 13kgfm mas não insere a modernidade da injeção direta de combustível, que reduziria ainda mais os níveis de emissões. Também foi mantido o antiquado “tanquinho” de gasolina para a partida a frio. Enquanto o Mobi e Up! já oferecem a resistência elétrica que aquece o combustível ainda na admissão. Tudo bem, ninguém é perfeito.

Então melhor se apegar a parte “boa” do HB20. É carro suave no manejo que melhorou muito as suspensões, que na segunda geração receberam buchas de maior espessura, novos mancais no motor que ficou mais leve na redução do número de peças móveis. A excelente estabilidade direcional e lateral do HB 20 geram um alto nível de segurança ativa. E o interior caprichado e ergonômico e relativamente espaçoso, passa “raspando” pela exiguidade, mas convence. No lado estético o HB20 é um sedutor. O público feminino adora o HB20. Quando não compram, induzem o marido a comprá-lo.

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Por Renato Rossi