As vendas de carros elétricos no Brasil não ultrapassaram os 2% em 2024, um número quase desprezível. Só não se inviabiliza o carro elétrico porque a iniciativa privada, por conta própria e sem ajuda governamental, instala centenas de pontos de recarga pelo Brasil neste 2025. Serão milhares de eletropostos até 2027. A "morte" do carro elétrico seria um tremendo vexame para um governo mais preocupado em "cavar" a Floresta Amazônica em busca de petróleo do que em gerar uma consistente política de eletromobilidade. O Brasil, na visão do governo, procura uma "nova" fronteira "anti-ecológica", tão nova quanto o homem das cavernas e seu "bicho de estimação", o "dócil" T-Rex.
Mas a eletromobilidade é um ciclo "virtuoso" que já tem ao menos duas grandes montadoras voltadas à eletrificação. Como há empresas empoderadas com dinheiro de investidores que instalam milhares de "eletropostos", de preferência em cidades e às margens de rodovias, em pontos seguros como postos de combustível. A Rede Cim, de distribuição de combustível fóssil, admitiu que o futuro será diferente ao instalar diversas estações de recarga junto aos postos de combustível da Cim, nos três estados do Sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
As pesquisas de mercado mostram que quem compra carro elétrico gostaria de ter a recarga facilitada.
Para o especialista em eletrificação e gerente da Revo, Luis Felipe Santos, a recarga é possível em pontos públicos, escassos no Brasil, mas há a opção pela "recarga em casa", a preferida na Europa. Mas carregar "em casa", segundo o especialista, exige planejamento, a cargo de uma empresa com profissionais qualificados, para não colocar o prédio sob risco de incêndio. A Revo se dedica à implantação de sistemas de recarga de veículos elétricos. Hoje, salienta o especialista, os carros elétricos já vêm com o "carregador portátil". Isso acontece em marcas como GWM, BYD e Volvo. Quem compra SUVs ou carros dessas marcas recebe como "brinde" um "wallbox", que pode ser conectado à tomada de 220 volts no padrão de três pinos e 20 amperes.
Mas a capacidade de carregamento desse "wallbox" mais simples é de apenas 3 kW, o que exige um tempo de recarga superior a oito horas. Esse longo tempo de recarga praticamente inviabiliza o uso do carro elétrico em jornadas longas. Em geral, a autonomia do carro elétrico hoje é de, em média, 300 quilômetros. Os "entusiastas" do carro elétrico logo se decepcionaram com essa limitação de uso no Brasil, devido à falta de uma infraestrutura pública e privada voltada à extensão da quilometragem. E muitos que compraram o elétrico voltaram para o carro a combustão, num flagrante retrocesso em relação à proteção ambiental, enfatiza o especialista.
O especialista salienta que "a melhor opção para o uso continuado do carro elétrico é o ‘wallbox’, o carregador portátil de 7 kW, que absorve 32 amperes". Em termos de corrente elétrica, não é muito, mas o "wallbox" pode sobrecarregar a instalação elétrica do local, seja casa ou apartamento. Se o carregador estiver conectado ao mesmo circuito que alimenta, por exemplo, o chuveiro ou micro-ondas, pode gerar uma sobrecarga na fiação, acionando o "disjuntor", que "desarma" o circuito. O método seguro é fazer a readequação da instalação elétrica para que o "wallbox" tenha seu circuito exclusivo.
O especialista afirma que a instalação de pontos de recarga em condomínios requer a aprovação dos condôminos para instalar um ponto individual de carregamento ou para estabelecer uma infraestrutura que, posteriormente, poderá atender outros moradores. Luis Santos afirma que "o recomendável é que o ‘wallbox’ seja ligado diretamente ao medidor de cada unidade consumidora, a fim de facilitar o controle da energia consumida". Mas, nos casos em que o medidor não está localizado em uma central de medição, a alternativa é instalar o carregador diretamente na rede do condomínio. Será necessário, então, que cada carregador ou "wallbox" tenha seu próprio medidor, que é a única maneira de evitar conflitos de interesse em edifícios e condomínios.
O gasto na instalação do carregador é variável, salienta o especialista, e dependerá da demanda para viabilizar a instalação, cujo custo final depende de uma série de fatores. Por exemplo, a localização do carregador, que pode estar distante da caixa de disjuntores, exigindo maior metragem dos cabos de conexão, que podem ficar ocultos ou aparentes. Nos projetos mais simples, com "logística facilitada" ou reduzida metragem dos cabos, o preço inicial da instalação fica em torno de R$ 8 mil. Para uma maior extensão dos cabos, a instalação fica em torno de R$ 17 mil.
Mas convém salientar que tudo dependerá da boa vontade e da "visão de futuro" das pessoas que vivem no edifício ou condomínio, que têm o direito de aprovar a instalação.
