Carros & Motos

Jeep Compass amplia performance com motor “Hurricane”

Modelo chega a 225 km/h de velocidade máxima, performance “esportiva”

Blackhawk supera os 272 cavalos de potência
Blackhawk supera os 272 cavalos de potência Foto : Stellantis / Divulgação CP

Num momento em que os motores a combustão estão de novo em alta no mundo, agora como componente principal dos sistemas híbrido leve ou plugin, as principais marcas travam uma batalha pela potência desta nova geração de motores à gasolina, que se adaptam à rigidez das novas leis ambientais que visam minimizar as emissões de monóxido e dióxido de carbono. Essa nova geração de motores, com três ou quatro cilindros e um ou dois turbos, alia potência a emissões reduzidas.

O novo motor "Hurricane", de produção norte-americana pela Jeep, produz 272 cavalos de potência (hps) e 40,8 kgfm de torque. No Brasil, ele equipa versões do Compass e do Commander. Para o consumidor, que tem à disposição poucos modelos de carros elétricos, em geral caros, o motor a combustão continua sendo uma opção viável pela autonomia e praticidade no uso. Infelizmente, a eletrificação ainda não está consolidada, e mesmo os SUVs chineses passaram a ser híbridos.

Diante da nova geração de híbridos chineses, que também "bebem" gasolina, a Stellantis reage, repotencializando o Compass. Afinal, há SUVs chineses potentes, como o Haval, que possuem motor elétrico e a combustão, gerando mais de 300 cavalos de potência. Agora, o Compass Black Hawk está equipado com o motor Hurricane de 272 cavalos, ou seja, são 100 cavalos a mais em relação às versões do Compass e Renegade equipadas com o motor a diesel, que possuem 170 cavalos. A utilização do Hurricane exigiu uma completa reformulação na engenharia do Compass Black Hawk.

Em dois dias de avaliação no programa "Carros e Motos" do CP, o Compass, cedido pela revenda Savarauto Jeep e Ram, mostrou sua eficácia no uso diário urbano. Além disso, evidenciou que os motores a combustão ainda serão utilizados por um longo tempo pela indústria automobilística. A razão é clara: o consumidor não pode esperar indefinidamente pela estrutura essencial para o carro elétrico.

Os dois dias de utilização, com 90% do tempo em uso urbano, confirmaram o ótimo trabalho da engenharia da Jeep, que adicionou 100 cavalos ao motor, tornando a condução do Compass Black Hawk prazerosa. A maior potência e o torque fortíssimo de 40,8 kgfm não resultam em uma performance agressiva, mantendo o controle para o motorista comum, usuário típico do Compass. A primeira impressão é que a "cavalaria" foi civilizada e "domada", permitindo ao motorista usufruir dos 272 cavalos sem sustos ou acelerações brutais, comuns em carros chineses com potência excessiva para suas estruturas. Um exemplo disso é o sedan Seal da BYD, que, com seus 531 cavalos, se assemelha a uma máquina "desafiadora e tensa".

A engenharia da Jeep foi cuidadosa ao adaptar a tração nas quatro rodas e o excelente câmbio de nove marchas à potência e torque do motor Hurricane. É evidente que o motorista sente, em tempo real, que está conduzindo o mais potente dos Compass. Em baixas e altas rotações, há sempre uma grande potência disponível, que transita pela linearidade do torque, fluindo pelas nove marchas. As aletas laterais no volante permitem uma condução esportiva, proporcionando adrenalina sem perder o bom senso. Contudo, é importante ressaltar que alta velocidade não combina com a preservação da vida. O Compass com o novo motor oferece previsibilidade, característica de veículos com engenharia muito evoluída.

A engenharia da Jeep optou por um conjunto de suspensões confiável em linha reta e em curvas. O "rolling" ou rolagem lateral da carroceria é mínimo, algo inadmissível em um veículo desse porte, que não deve "afundar" a frente em curvas ou balançar a carroceria em terrenos irregulares. A suspensão do Compass é rígida, mas não interfere no conforto da marcha. Como a origem do Compass é norte-americana, podemos afirmar que o SUV tem um excelente nível de "riding", proporcionando uma jornada confortável. A tração integral, aliada aos pneus mais largos (235/45 R19), induz a um alto nível de "road feeling", permitindo uma excelente sensação de controle direcional.

O Compass evoluiu com o tempo e se tornou gradativamente um SUV muito competente. Com o novo motor Hurricane, ele acelera de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos e atinge uma velocidade máxima de 225 km/h, tempos dignos de um carro esportivo. O consumo médio ficou em 10 km/l na cidade e 14 km/l em uma condução cuidadosa até o litoral gaúcho, com uma média de 100 km/h e sem acelerações bruscas.

O Compass Black Hawk é sofisticado, desde o belo design exterior até o acabamento interno, que utiliza materiais de revestimento de alta qualidade, evidenciando mais uma vez a tecnologia avançada de produção da Jeep. É bem equipado, com frenagem automática emergencial, assistente de manutenção em linha reta, assistente eletrônico de descida, piloto automático adaptativo, telas digitais para monitoramento de funções e sistema de infoentretenimento, entre outros diferenciais tecnológicos. O Black Hawk é um excelente veículo, simples assim.

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