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Kardian mecânico tem DNA, tecnologia e qualidade do automático

Produto mais moderno da Renault no Brasil mostra seus atributos com rodagem exemplar

Design é bonito e agrada diversos públicos
Design é bonito e agrada diversos públicos Foto : Renato Rossi / Especial CP

O Kardian, não importando a versão, tem um diferencial tecnológico que não pode ser visualizado pelo consumidor. No showroom do concessionário, será atraído pelo belo design do SUV e por outros detalhes. Se escolheu o Kardian, ficará surpreso e encantado com a leveza na condução, estabilidade direcional impecável em trânsito rodoviário e performance segura e ágil em trânsito urbano.

A essência da ótima performance é a nova plataforma RGMP (Renault Group Modular Platform), que equipa o novo Clio francês, Duster e Captur europeus e mais alguns modelos compactos. Foi projetada para melhorar a qualidade e confiabilidade dos veículos de porte médio da Renault. Também para reduzir custos de produção por ser uma plataforma modulável que "encolhe ou estica, alarga ou estreita". Isto facilita sua adequação a diversos modelos.

Os detalhes tecnológicos, na maioria das vezes, não atraem o consumidor brasileiro, interessado na potência do motor, design ou "tamanho do porta-malas", que agrada à "patroa". Há veículos no mercado brasileiro que possuem plataformas defasadas em tecnologia ou "adaptadas".

Versão mais em conta não deixa para trás nenhum dos bons atributos | Foto: Renato Rossi / Especial CP

A Renault gastou alguns bilhões de dólares e se deu bem: a linha de carros compactos melhorou em itens fundamentais como estabilidade, adaptabilidade à diversidade de terrenos, melhoria da performance das suspensões, alto nível de rigidez torsional e leveza.

O novo Duster, testado em Paris em dezembro, em viagem particular, também mostrou o valor desta plataforma. O Kardian pesa apenas 1.161 quilos. Utiliza uma suspensão traseira com eixo de torção e sua dirigibilidade é ótima. Se utilizasse uma suspensão multibraços, a dirigibilidade não ficaria abaixo da excepcionalidade. Mas o custo final para o consumidor seria muito maior.

O câmbio mecânico equipa as novas versões. De novo, impõe-se a necessidade de redução do preço final ao consumidor. O uso do câmbio automático encarece qualquer veículo. No trágico período das enchentes, um Kardian cedido pela Renault acompanhou o jornalista pelas poucas vias transitáveis numa cidade "sob as águas". Coisa triste de se ver. E foram quatro semanas de uso, quando o Kardian gradativamente mostrou sua valentia em terrenos precários às margens do perigo.

Alavanca de câmbio é diferencial da versão com seis marchas | Foto: Renault / Divulgação CP

Uma imagem na memória: na última quadra antes do mar de "lama" e água suja, que chegava a seis metros de profundidade, o Kardian, estacionado no meio da rua deserta, parecia o fiel guardião da solidão e desamparo. Logo chegou um bote do Exército com paraquedistas do esquadrão de salvamento da Marinha. Bravos na difícil missão de salvar vidas e acolher os aflitos. Encapuzados e fortemente armados, vieram próximos ao Kardian, porque a profundidade estava a poucos metros à frente. Perguntaram se procurávamos por alguém ou pelas casas.

As pessoas tinham sido retiradas, mas as casas de familiares permaneciam. Deixamos o Kardian e seguimos com os paraquedistas para vermos, algumas quadras à frente, somente o segundo andar acima da água. Muito triste. Um alívio sair dali a bordo do Kardian. No ambiente de tristeza da cidade alagada, a segurança e precisão daquele amigo fiel motivou o jornalista a "seguir em frente", mas com emoções à flor da pele. Nada foi fácil.

O tempo passou, e a diferença sensível neste teste é a utilização do câmbio mecânico com seis velocidades, de engates leves e precisos. O câmbio mecânico utilizado pela Renault aproveita linearmente o torque forte de 22,5 kgfm do motor TCe. Por ser mecânico, tem algumas características que dependem do manuseio pelo motorista. As duas primeiras marchas são de "força", com arrancadas fortes e acelerações idem. Após, na terceira, quarta e quinta marchas, são ideais para uma rodagem mais solta, com economia de combustível. A sexta marcha é só de manutenção da "tocada", por exemplo, numa faixa de 80 a 120 quilômetros horários.

A elasticidade do torque permite um rodar sem trabalho excessivo e cansativo da mão direita: não há necessidade de trocas constantes. A vantagem do câmbio mecânico é a economia de combustível. Fizemos medição de consumo com média de 12 a 13 quilômetros por litro na cidade e até 15 quilômetros por litro em rodovia, em sexta marcha, a 90 quilômetros horários.

O Kardian mecânico é bem equipado mesmo na versão de entrada, com destaque para a central multimídia, que tem o essencial para uma condução segura e monitorada pelo modo "eco", que ajuda o motorista a ser mais consciente, ecológico e suave ao volante. Faz bem a todos.