Um teste profissional de veículo tem uma dose maior de racionalidade e analise técnica com um eventual lado emocional. É impossível não se emocionar se o teste é realizado em rodovias que levam a cidades turisticas acolhedoras como Gramado. Em 19 de março, o belo Kardian da Renault foi apresentado à imprensa na cidade de Gramado, que recebeu jornalistas do Brasil e da America Latina.
No dia 20, o Kardian era testado na zona urbana, vias coloniais periféricas de Gramado, como na enigmática Linha Bonita que corre sinuosa e desafiadora em meio a paisagem verde. A linha Bonita termina num complexo turístico com mirante, restaurante e áreas abertas, que a Renault utilizou para que jornalistas realizassem o trabalho de entrevistas, fotos e filmagens.
Foram três dias prazerosos onde a Renault soube destacar as paisagens deslumbrantes da Serra. Era o lado “lúdico” do Kardian, complementado por mais de 250 quilometros rodados em testes exigentes.
Mas no dia 29, as chuvas torrenciais que iniciaram fracas no dia 27, arrasavam cidades no interior do Rio Grandde do Sul e os rios chegavam ao Lago Guaíba para alguns dias depois “afogarem” a cidade. Gramado já não era mais o lugar belo e idicilo do lançamento do Kadian. Estavam semi destruidas as localidades de “linha Bonita” que o Kadian percorreu no teste. Mais a zona central, Bavaria, Planalto, Varzea Grande, Linha Quilombro, Estrada do Moreira e Morro Redondo entre outras localidades, onde a busca por pessoas desaparecidas e carros enterrados sob a lama prossegue. São lugares ainda com solo instável, assim como as estradas no Rio Grande do Sul. É a terrível consequência da catástrofe.
A Renault estendeu o período de testes para o Correio do Povo. Kardian prosseguiu na região de Porto Alegre e suas periferias que foram as mais antingidas pela enchente. Sinceramente não havia mais o prazer da condução do Kardian que integra um alto nível de segurança ativa e passiva e uma dirigibilidade muito acima da media.
Nas periferias transformadas em lagos perigosos e traiçoeiros, os veículos mais fortes e cumpridores como picapes 4x4 chegavam aos locais onde botes do Exército levavam pessoas desesperadas para verem suas casas, tentam achar seus animais queridos.
Quando o Kardian percorreu o bairro Sarandi com mais de 100 mil moradores, o que surgia a frente não eram ruas, mas um lago profundo. Esta era uma parte de um todo cheio de dramas e tristeza. Depois o Kardian voltaria ao bairro para transitar no meio do interminável entulho que restara do patrimônio material e emocional das famílias.
Passados mais de 30 dias da catástrofe, as montanhas de entulho continuam nas ruas da periferia. Não é o cenario ideal o Kardian, que em 20 de abril “curtia” a bela, turística e receptiva Gramado – que deve ter uma grande redução do fluxo turístico devido às condições ainda estáveis das estradas. Também porque não há mais um aeroporto civil acolhedor e bem estruturado. Somando a isso, as incertezas em relação ao clima no inverno contribuem para a redução do fluxo turístico. O clima global é hoje um perigoso enigma.
Quanto ao observador silencioso das múltiplas tragédia o Kardian, e somente uma maquina destituída de sentimentos. Que cumpriu a missão de ir e vir, íntegro e valente. Ajudou na observação e descrição de uma tragédia.
