O Mercedes-Benz GLB foi lançado oficialmente em 2019, num cenário bem distante de sua terra de origem, a Alemanha: Park City, um local para encontros e convenções no estado de Utah, nos Estados Unidos da América, sempre o maior mercado da MB no mundo. A missão do GLB era ser o modelo intermediário entre o SUV de entrada GLA e o mais luxuoso acima, o GLC. Cabia ao GLB ser mais "convincente" que o GLK, o SUV de design retrô que estreou muito bem com um comercial glamouroso, mostrando uma mulher belíssima estacionando o GLK na mítica Place Vendôme, em Paris, que ainda concentra os hipermilionários do mundo. A maioria daquele mundo trilhardário e sempre poluidor do petróleo. A "praça" mítica concentra, além das marcas automobilísticas superluxuosas, as joalherias mais caras do mundo. Lá, o GLK estacionou com sua bela a tiracolo, mas depois estacionou nas revendas da Mercedes-Benz e não saiu. O GLK foi um fracasso de vendas.
Então, cabia ao GLB ser bem melhor do que o GLK, principalmente na dirigibilidade, que era o ponto fraco do GLK, meio "durão" nas suspensões e sem graça na condução. O GLB manteve as linhas conservadoras herdadas do GLK, com dose maior de charme. Assim como o GLK, foi testado diversas vezes na editoria de CM do Correio do Povo. O GLB também foi testado em diversos cenários e sempre mostrou uma dirigibilidade agradável, supercompetente e muito superior à do GLK. A versão 2025 foi testada em dois dias de uso urbano e rodoviário, e sua evolução em relação à versão 2020 é notável. A meta da MB era sintetizada naquela publicidade que até soava arrogante: "The Best or Nothing". Ou fazemos o melhor ou não fazemos. Esse slogan vigorou na virada do milênio como síntese da evolução contínua dos veículos da MB.
E essa evolução prossegue, já que a CM do CP testou a versão anterior do GLB equipada com o motor turbo 1.3 que gerava 167 hp. Agora, o motor é o 2.0 turbo de 190 hp. Este novo motor trabalha em conjunto com um sistema elétrico de 48 volts, que amplia a potência do motor a combustão e gera uma pequena redução do consumo. Mas, em termos de ampliação do torque em médias ou altas rotações, é muito sensível ao "empuxo" gerado pelos 48 volts. No entanto, a Mercedes-Benz não alardeia que o auxílio elétrico caracteriza um veículo híbrido. Mesmo porque a marca tem sedãs híbridos superesportivos com potência acima de 700 hp. Então, o motor elétrico é poderoso, gera mais de 200 hp e o veículo pode ser utilizado somente no modo elétrico, mas a quilometragem é reduzida.
São muitas as qualidades do GLB 2025, e a primeira é a dualidade de comportamento do SUV de design suave, com destinação familiar, que pode levar até sete passageiros, mas que tem comportamento esportivo graças ao torque muito forte de 36,7 kgfm, permitindo acelerações poderosas que tornam o GLB um veículo ágil no trânsito urbano e veloz e prazeroso na condução rodoviária. Nos mais de 250 quilômetros rodados, essa duplicidade de comportamento ficou clara: cabe ao motorista decidir se quer ser lento ou veloz, calmo ou agressivo. Se bem que agressividade ao volante não combina com a classe e "estirpe" de um Mercedes-Benz. O GLB tem 4.634 mm de comprimento e 2.829 mm de entre-eixos, o que traduz seu amplo espaço interno e conforto igualmente ampliado para até sete pessoas. Tem 2.020 mm de largura e 1.692 mm de altura. São medidas justas e nada exorbitantes para um SUV definido como "grande porte". Nem tanto. No lado "família", o bagageiro, com capacidade para 565 litros, permite compras "sem culpa" no supermercado.
Ao contrário de alguns SUVs chineses que não gostam de frear e assustam a todos no habitáculo, a vivência da Mercedes-Benz em décadas nas pistas do mundo orientou a engenharia para a produção de freios com extrema eficiência. No GLB, que tem forte temperamento, os freios são a disco nas quatro rodas, com discos de grande diâmetro e gerenciamento eletrônico, o mesmo que ajuda os pilotos no Mundial de Endurance, que conta com a participação dos AMG GT, com 800 hp ou mais, a realizarem curvas a 400 quilômetros por hora, graças ao auxílio providencial dos freios de cerâmica dos AMG GT. No GLB, tão familiar, os freios dianteiros são perfurados e "slotados", como os freios dos carros de competição da Mercedes-Benz. Então, aí vale a experiência de mais de 100 anos da marca.
Belo e caprichado, o interior faz com que o motorista não se sinta em um SUV "familiar", mas em um "cockpit" de carro esportivo. Ali está aquele volante cuja base é quadrada, como nos AMG GT. A visualização do que está à frente é ampliada pelo para-brisa grande, e as linhas quase "quadradas" também ampliam a visualização do entorno e da traseira. Duas telas de 12 polegadas, "emendadas", dão o tom futurista do painel dianteiro, que integra na tela central o avançado sistema MBUX, permitindo diálogos agradáveis entre os ocupantes e a inteligência artificial. Mas não faça perguntas tolas ou redundantes, pois a IA se irrita e simplesmente diz: "faça uma pergunta correta". Ainda bem que a voz feminina é suave e assertiva. Brincadeiras à parte, o MBUX é a "mão na roda" que pode orientá-lo em terrenos desconhecidos e acionar o socorro caso algo grave aconteça. O GLB ganhou cinco estrelas nos testes de impacto do Euro NCAP, sendo considerado um dos SUVs mais seguros do mundo. A lista de sistemas gerenciados pela IA e voltados à segurança é enorme, e o GLB é nível 3 em direção autônoma, o que significa que você mantém as mãos no volante, mas não dirige o veículo. Ele o conduz com um nível de segurança ativa muito elevado. Deixamos que o GLB nos conduzisse de Porto Alegre a Tramandaí, com frenagens e algumas ultrapassagens realizadas pela IA. Já está no futuro, este superior GLB.
