A Mercedes-Benz tem uma trajetória centenária e tornou-se sinônimo de excelência tecnológica, o que lhe concede uma posição privilegiada no mercado automobilístico global. Ainda é a marca líder no segmento Premium, onde todas as marcas excedem em tecnologia e preço. Assim costumava ser até a chegada ao mercado das montadoras chinesas, que eletrificaram o automóvel. Com a fogosa BYD à frente, já desbancaram a Tesla da liderança do mercado elétrico e, confiantes em seu poder de convencimento do consumidor global, querem também a liderança do segmento Premium, numa evidente afronta à indústria automobilística alemã. Proliferam as marcas chinesas que, como "piranhas perigosas", beliscam "nacos à mostra" das montadoras europeias dominantes no segmento, como Audi, Jaguar, Bentley, BMW, Porsche, Aston Martin e, sobretudo, Mercedes-Benz.
A "aura" da Mercedes-Benz resplandece, e o chinês milionário a compra, mantendo a marca num patamar acima no mercado da China. Até quando, não se sabe, dado o rápido desenvolvimento tecnológico das marcas chinesas. A Mercedes-Benz tem a seu favor 100 anos de história ou o conceito de "Heritage", a herança histórica que ainda é um forte argumento na manutenção do mito Mercedes-Benz.
Os carros da Mercedes-Benz integram os bilhões de dólares que a marca gastou em pesquisa e desenvolvimento nas pistas de competição ao redor do mundo. Em 1930, os belos "Flechas Prateadas" rodavam a mais de 300 km/h no lendário circuito de Avus, na Alemanha, pilotados por mitos como Rudolph Caracciola e Hermann Lang. A Mercedes-Benz sempre usou as pistas de competição para comprovar sua performance e superior confiabilidade.
O ainda curto tempo de motorização da China não permitiu que suas marcas se aventurassem nas pistas "com sangue, suor e lágrimas". De tristeza, nas mortes de dezenas de pilotos, ao júbilo, nas milhares de vitórias da Mercedes-Benz em todos os tipos de competições que, sem dúvida, refinaram chassis, freios, sistemas de direção e motores. Essa experiência prodigiosa foi transferida para a engenharia dos "carros de passeio" da marca, os "reis das Autobahns", que comprovavam sua eficiência ao rodarem a 250 km/h com famílias a bordo. O modelo mais vendido da marca, o mítico Classe C, já cruzava as Autobahns a 250 km/h em 1993, sendo acessível para grande parte dos alemães.
Sem ter o menor "Heritage", mas com investimentos trilhardários em eletrificação, as marcas chinesas apresentam ao mundo produtos convincentes e sedutores, liderando boa parte do mercado global. A nova fase dessa "ânsia por domínio" é a entrada dos chineses na "fortaleza" das marcas Premium, especialmente da Mercedes-Benz. Se a Ferrari estava segura em seu nicho bilionário, não está mais. Os supercarros de marcas chinesas, com potência superior a 1.000 hp, e modelos Premium da China são elogiados na imprensa europeia. O Seal, da BYD, um belo sedã de feição esportiva com mais de 600 hp, faz sucesso na exigente Europa e já começa a competir com os modelos CLA e Classe C da Mercedes-Benz. A marca alemã sabe que é tempo de reagir.
Não estamos mais em Avus, em 1930, nem no belíssimo Museu da Mercedes-Benz em Stuttgart, na Alemanha, onde há exemplares dos "Flechas Prateadas". Estamos em Porto Alegre, em janeiro de 2025, no teste do belo, mas "conciso", EQB. O SUV de sete lugares faz sucesso no mercado europeu e vende bem no mercado chinês. O EQB integra o grupo de choque da Mercedes-Benz em relação à ousadia chinesa de querer ser "Premium". O teste do EQB mostrou que vencer os alemães não é tarefa fácil. Com potência elétrica de 292 hp, gerada por dois motores colocados nos eixos, e torque poderoso de 53 kgfm, o EQB, cedido pela Savarauto MB, deu um show de competência em quatro dias de rodagem. É o segundo modelo na "linhagem" dos SUVs que inicia com o bem-sucedido GLA a combustão. O EQB tem uma versão a combustão já testada anteriormente. Porém, a Mercedes-Benz, que já tem a "vida ganha" na combustão, sente-se ameaçada pelo "tsunami elétrico" chinês e reage.
A marca tem gasto bilhões de euros no desenvolvimento de uma linha elétrica cuja missão é manter a supremacia da Mercedes-Benz também na eletrificação. Afinal, em 1906, por incrível que pareça, a Mercedes lançou na Alemanha o Mixte, considerado o primeiro carro elétrico de uma marca estabelecida. No entanto, ao longo do século, a Mercedes dedicou-se a produzir alguns dos melhores carros do mundo a gasolina. CM do CP já testou diversos modelos elétricos da MB, como os EQA, EQE, EQS e agora o EQB. Todos demonstraram performance superior e prazer de condução, diferenciais que colocam os carros elétricos da MB como competitivos no mercado global. É impressionante como a Mercedes-Benz consegue produzir um supercarro como o AMG GT em diversas versões e ser igualmente eficiente, ou até superior, na produção de carros elétricos. Novamente, convém utilizar o conceito de "Heritage" ou tremendo expertise da MB em qualquer segmento ou motorização.
Afinal, a MB é sempre inovadora. À frente das grandes marcas, em 2011, uma frota de três modelos GLB movidos a hidrogênio percorreu 14 países numa jornada de 125 dias, estabelecendo diversos recordes mundiais. A MB domina o uso do hidrogênio e deve lançar carros com esse combustível até 2030.
O teste do EQB foi mais prosaico, dispensando rotas globais. Foi realizado numa cidade do Brasil de 2025. O teste mostrou, mais uma vez, que os conceitos teóricos que salientam os diferenciais tecnológicos da MB são comprovados na experimentação prática dos veículos da marca. Desde 1986, CM do CP já realizou mais de uma centena de testes com veículos da MB, comprovando também a qualidade "evolutiva" da marca. O EQB tem dimensões compactas: 4.684 mm de comprimento, 1.673 mm de altura, 1.834 mm de largura e entre-eixos de 2.829 mm. São medidas "espaçosas", com destaque para o generoso "entre-eixos", que proporciona um espaço interno confortável para até sete passageiros. A versão testada foi o EQB de sete lugares, a mais "familiar", mas há outra versão para cinco lugares.
O peso de 2.165 kg não é sentido por quem dirige o EQB, devido à potência de 292 hp e, principalmente, ao poderoso torque de 53 kgfm. O EQB é ágil no trânsito urbano, permitindo manobras rápidas, inclusive de fuga, quando surge aquele motorista que gosta de "passar por cima". Com o EQB à frente, não há sustos. Um leve toque no acelerador desperta a "fera faminta" do torque. É um carro "família" que integra o silêncio absoluto de um veículo elétrico, ampliado pela rigidez torsional da plataforma e da carroceria. O EQB é a "fortaleza" onde mora o silêncio.
