A versão Attack, cedida para avaliação pela Nissan do Brasil, é a picape "aventureira" da linha Frontier. O design apresenta toques diferenciados que expressam poder e esportividade, além da maior altura em relação ao solo, permitindo que seja notada na cidade e também "ataque" mato adentro, sem medo de ser feliz. Num país onde a picape virou "artigo de luxo", veículo caro e de status, as montadoras às vezes erram no marketing. É o caso da Amarok, divulgada na publicidade como uma "picape veloz" que chega aos 200 km/h. Que o boi não esteja na caçamba, porque vai "berrar". Quem rodou com a Amarok em terrenos off-road sabe da sua competência para encarar vias desafiadoras, com tração 4x4 eficiente e um motor capaz de performar bem até em baixas rotações.
Nos terrenos desafiadores das enormes propriedades rurais, onde a soja enriquece o produtor, a velocidade de uma picape é o que menos importa. O que conta muito mais é a robustez e o destemor. A Nissan conquistou a simpatia dos ruralistas justamente por sua confiabilidade. A Frontier também pode ser utilizada em ruas e rodovias sem problemas, com dirigibilidade fácil e precisa. A engenharia da Nissan merece elogios pela escolha da suspensão multi-link na traseira, que proporciona um nível de estabilidade lateral e direcional superior ao das concorrentes. A líder de mercado, a forte e competente Hilux, embora tenha evoluído tecnologicamente, às vezes "brinca de pula-pula" e até parece "criança feliz".
Nas picapes grandes, os "feixes de molas" elípticas na traseira, junto ao eixo rígido, são amigos da carga, mas não dos passageiros. Por mais que Hilux ou Ranger tenham avançado em conforto de marcha, os "sacolejos" com a caçamba vazia "enchem o saco" do motorista e passageiro. Esse desconforto só é superado com a caçamba cheia, que distende ao máximo as molas elípticas, deixando-as mais "dóceis". A Frontier, graças à adoção da suspensão traseira independente, oferece um nível superior de conforto. Não é o conforto de um SUV de última geração, como o Haval da GWM ou o Song da BYD, mas convence e seduz com seu rodar suave.
Em oito dias, foram percorridos 1.200 quilômetros com a Frontier em cidade, estradas asfaltadas e "caminhos coloniais" na Serra Gaúcha, com pisos de terra e pedra, onde a Frontier, com tração 4x4 acionada, mostrou um nível excepcional de "grip" ou aderência ao solo. É importante que a Frontier seja veloz e segura, caso precise cumprir alguma missão urgente nos caminhos rurais do Brasil, como levar alguém ao hospital "próximo", a uns 500 quilômetros de distância. Afinal, em espaços enormes do Brasil rural, nem vale a pena contar distâncias em quilômetros, já que é desanimador.
O motor biturbo, com quatro cilindros em linha a diesel, entrega 190 cv e um torque robusto de 49,5 kgfm. A Frontier, com este motor, acelera de 0 a 100 km/h em 10 segundos, um tempo otimizado para uma picape grande. A Frontier mede 5.250 mm de comprimento, 1.850 mm de largura, 1.835 mm de altura e tem entre-eixos de 3.150 mm. Na caçamba, cabem 1.054 litros. Graças ao generoso entre-eixos, o habitáculo acomoda confortavelmente quatro pessoas de qualquer biotipo.
Quem entra na Frontier vindo de um SUV chinês de última geração pode estranhar, a princípio. As marcas chinesas substituíram o contato físico com instrumentos pelos movimentos do dedo na horizontal ou vertical em uma ampla tela central, que concentra todos os controles. Já na Frontier, o habitáculo mantém botões e até o comando "antigo" do ar-condicionado, com movimento circular, fácil e intuitivo de usar. A tração 4x4 também depende de um comando físico, e os engates do câmbio emitem aquele som "antigo" das marchas que entram em seus espaços físicos com um ruído metálico.
Nos SUVs e picapes chineses, os engates são feitos por uma macia "roda" ou por manoplas tipo joystick nos SUVs equipados com câmbio CVT. Porém, na Frontier, uma picape voltada para o trabalho rural pesado, as trocas no câmbio automático de sete velocidades são mais precisas. Quanto ao ar-condicionado, basta mover o comando para a direita para que "dois esquimós e um urso polar" venham soprar "ar gelado" no habitáculo – é impressionante a eficiência do ar-condicionado da Frontier. No entanto, os faróis dianteiros poderiam ser mais potentes, já que são fracos.
A Frontier Attack vem bem equipada: piloto automático, direção com ajuste de altura (mas não de profundidade), ar-condicionado com saídas para o banco traseiro, descansa-braço dianteiro e traseiro, computador de bordo, vidros elétricos nas quatro portas com sistema de um toque para descer e subir nas portas dianteiras, volante multifuncional, ajuste elétrico dos retrovisores, destravamento interno do tanque de combustível, travas elétricas, alarme e acionamento automático dos faróis.
A Nissan Frontier foi lançada no Brasil em 1993, mas tem uma longa trajetória no mercado mundial, onde sempre se destacou por resistência, durabilidade e destemor diante dos maus caminhos do mundo. Apesar da aparência agressiva, esta Attack é muito cordial e civilizada. A garantia de seis anos mostra que a Nissan confia no seu produto.
