A essência do Nissan Kait é ser honesto. O que significa que o Kait, que tem traços fortes do Kicks na forma e conteúdo, tem também a honestidade de ter dado um passo à frente em relação ao SUV lançado em 2011, que fez sucesso no mercado brasileiro a partir de seu lançamento em 2011. Bonito e competente, o Kicks, se não marcou época, também passou longe da decepção. A família brasileira entendeu o Kicks como um veículo a seu favor. E centenas de milhares compraram o Kicks no Brasil e no mundo, já que o Kicks, mercê de sua dirigibilidade fácil, prazerosa e consistente, cativou a família nas regiões do mundo onde foi comercializado.
O Kait dá continuidade à trajetória bem-sucedida do Kicks e não decepciona. Embora tenha recebido críticas negativas por incorporar a mesma plataforma do Kicks, mesmo motor, mesmo câmbio CVT. Com “roupagem” nova, o que significa um design que se distancia do Kicks, mas não completamente, já que partes da estrutura de carroceria do Kait também derivam do Kicks.
O mundo não desconhece os problemas financeiros da Nissan, que fechou sete fábricas e demitiu milhares de trabalhadores. Mas a Nissan não é qualquer marca. É a marca que produziu o primeiro carro elétrico em grande quantidade, o Nissan Leaf, atualmente em segunda geração. Produziu o carro esporte compacto 350Z que, testado por CM do CP, ajudou no entendimento de que um carro japonês podia encarar Audis e até Ferrari. Ok, ficaria atrás da Ferrari, mas não muito. O 350Z foi testado nos autódromos de Tarumã e Interlagos, dotado do kit ultraesportivo Nismo. Aliás, o 350Z continua a fazer sucesso no mundo e ainda esnoba a “tomada”.
São histórias necessárias no entendimento de que a Nissan não é uma marca qualquer. Ela tem mais de 90 anos de história.
Portanto, é este experimento que se integra ao Kait, um SUV de porte médio com 4,30 m de comprimento, entre-eixos de 2,60 m que, pressionado o botão de partida, logo se distancia do Kicks para mostrar uma identidade que é só sua. O Kait é veloz, seu motor 1.6 aspirado continua sólido e econômico, e a dirigibilidade, ou handling, fica alguns degraus acima do Kicks. Mas, acima de tudo, a condução, principalmente em trânsito urbano, é prazerosa. Na BR-101, em diversas idas e vindas a partir de Porto Alegre, o Kait, a 110 a 120 por hora, fez mais de 17 km por litro com gasolina no tanque. Nas complicações da cidade, com seus para e anda, não fez menos de 13 por litro. É um consumo convincente para quem ainda não está convencido de que carro elétrico é a solução. Mas esta será uma decisão pessoal, porque há sólidos carros elétricos no mercado brasileiro.
Se o Kait supera fácil o quesito performance, o interior parece simples demais. Nos revestimentos há excesso de plástico duro, e a Nissan podia ter se esmerado um pouco mais nesta “beleza interna”. Mas os bancos de gravidade zero continuam como um ponto alto na ergonomia. E o entre-eixos generoso propicia conforto para quatro passageiros. A impressão é de um habitáculo que não oprime ninguém. Esta impressão de ampliação inexiste em alguns SUVs médios à venda no mercado brasileiro. A tela central tem visualização nítida e diversos sistemas de informação, entretenimento e segurança ativa, monitorados por câmeras, radares e sensores. Há versões com mais ou menos equipamento, dependendo do preço do Kait, que é bastante acessível. É bom, honesto e confiável.
E, apesar das semelhanças com o Kicks, vai vender muito.
