Lançado em março de 2024 e testado suficientemente pelo Blog de Carros e Motos do Correio do Povo, o SUV de porte médio da Renault mostrou muitas qualidades, da excepcional rigidez torsional da plataforma global de última geração da Renault ao capricho no acabamento e performance geral, que colocou o Kardian acima dos projetos anteriores no segmento dos SUVs. O Kardian é melhor em relação ao “batalhador” Duster.
Nem dá para compará-lo ao “inseguro” Captur que, no Brasil, foi o “Belo Antônio”. “O Belo Antônio” foi uma atuação impagável do grande ator Marcelo Mastroianni. No filme, Mastroianni assumia um homem que fascinava as mulheres pela beleza física, mas era impotente. Um drama humano que Marcelo Mastroianni transformou numa síntese sensível dos preconceitos e do machismo que ainda marcam as relações entre sexos. A diferença entre o filme e o Kardian é que o SUV é o belo que “funciona”. Uma brincadeira, é lógico, porque um ser humano é muito mais do que uma “máquina”.
Como o Captur, que ainda faz sucesso na França, o Kardian é outro belo da Renault. Da data de lançamento em março de 2024 a agosto de 2025, mais de 55 mil unidades do Kardian foram comercializadas. É um ótimo número de vendas que não impediu a Renault de renovar de forma convincente o Kardian. Mudança que inicia na inserção da nova plataforma RGMP (Renault Group Modular Platform). Uma plataforma flexível que permite a produção de modelos com diferentes distâncias entre eixos, de 2,60 m a 2,95 m. Esta nova plataforma está também no Boreal, outro belo SUV da Renault que chega em breve.
Esta nova plataforma também permite que a Renault lance SUVs híbridos, que faltam na “prateleira” da marca e que, a partir de 2024, ganhou veículos vistosos e eficientes. Este “novo” Kardian traz o motor TCe 1.0 turbo de três cilindros, que compartilha 70% dos componentes com o TCe 1.3 turbo que equipa o Duster e Oroch. Também equipou o Captur por um tempo curto, já que o modelo foi retirado da linha comercializada no Brasil, mas prossegue no mercado francês. O motor 1.0 tem injeção direta, duplo comando de válvulas no cabeçote, acionamento do comando por corrente, tuchos hidráulicos, 12 válvulas, 72,2 mm de diâmetro do cilindro, 81,4 mm de curso do pistão e 11,1 de taxa de compressão. São 125 cv com 22,4 kgfm de torque. O regime de potência máxima é a 5.000 rpm e o torque máximo surge a 2.250 rpm. O Kardian vem equipado em todas as versões com o câmbio automático EDC de seis velocidades, de grande eficiência.
Não faremos a descrição dos vários sistemas mecânicos do Kardian. Há o pressuposto de que uma grande marca global tem a responsabilidade de produzir veículos com qualidade. E gasta bilhões em Pesquisa e Desenvolvimento para garantir essa qualidade. São raros os erros construtivos na Renault. Por exemplo, o Duster ganhou prestígio justamente por ser confiável e durável. Mas é necessária a análise dinâmica do Kardian. A primeira fase de testes aconteceu em abril de 2024, num Rio Grande do Sul que parecia viver um “fim do mundo”: molhado, encharcado, afogado. Foi nesta fase no RS que a Renault cedeu um Kardian para o Correio do Povo por um período de 60 dias. Com o limpador de para-brisa sempre ligado, o manejo do Kardian devia ser cuidadoso. Afinal, a área inundada à frente podia ter seis metros de profundidade ou mais. Mas o Kardian foi um companheiro confiável e ágil numa história que o Rio Grande do Sul e seus habitantes molhados, isolados, ainda não esqueceram. Nem esquecemos a performance do Kardian: segura e destemida.
É agosto de 2025. Numa manhã ensolarada, a nova versão do SUV entrava em ação, num dos piores sistemas de trânsito do mundo: São Paulo, a megalópole onde aflora a vontade de “voltar para a garagem”. Mas o Kardian seguiu em frente para o teste de rodagem. Após muitas orientações via GPS expostas na ampla tela central de 10 polegadas da nova versão Iconic, mais equipada. As versões de entrada continuam com tela de 7 polegadas. Ultrapassada a megalópole desafiadora, o Kardian pegou a estrada em direção ao interior do Estado de São Paulo, que ainda tem o verde preservado. O destino final do teste do Kardian foi a cidade de Itu, a mais de 100 quilômetros de distância. O trajeto inicial pela rodovia Castelo Branco teve desvios pelo caminho que propiciaram rodar com o Kardian em circuito sinuoso de serra. O Kardian é versátil no uso e não teme a reta ou a curva. Nas retas da BR, a mesma estabilidade direcional impecável e segura. Nas sinuosidades da serra, a estabilidade lateral superior do SUV, com “rolagem lateral” das suspensões reduzida, propiciou nível elevado de segurança ativa.
O Kardian reprisou a ótima performance do teste anterior e, mais uma vez, foi comprovada a eficiência, principalmente da suspensão traseira com eixo de torção semi-independente. É um conjunto leve e durável que utiliza também barras estabilizadoras. Na prática, esta suspensão tem a mesma eficiência de uma suspensão traseira independente.
O Kardian é veloz, mas não é carro esporte: é essencialmente familiar. Nesta nova versão Iconic, o acabamento tem qualidade, e permanecem os bancos “gravity zero” na dianteira, resultado de parceria “luxuosa” da Renault com a NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço). É uma parceria que faz bem para o conforto e segurança do motorista, já que os bancos têm ergonomia muito acima da média. No longo percurso desafiador do teste, a perfeita ergonomia significou menos cansaço e mais atenção ao ato de dirigir. Foram mais de 400 quilômetros em teste, onde o Kardian demonstrou, mais uma vez, a integridade de sua estrutura e plataforma, perfeito equilíbrio dinâmico, equilíbrio entre forma e conteúdo. O Kardian é simplesmente um dos melhores SUVs do mercado global.
