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Novo Kicks abre as portas do futuro para a Nissan

Estilo ganhou mais força e qualidade construtiva foi ampliada

Postura de respeito, linhas afiadas e presença que impõe; o novo Kicks não passa despercebido nem parado
Postura de respeito, linhas afiadas e presença que impõe; o novo Kicks não passa despercebido nem parado Foto : Renato Rossi / Especial CP

Foram sete dias de avaliação do Kicks 2026, cedido pela Nissan do Brasil. Um tempo suficiente para entender que o nome Kicks podia ser substituído por outro nome qualquer. Porque nada restou do antigo Kicks, que agora é o Kicks Play e ganhou alguns adereços estéticos. A Nissan resolveu estender a “vida útil” do Kicks porque sabe que o belo SUV lançado em 2016 ainda tem “fã-clube” no Brasil. Mas, ao manter o antigo na convivência com o “novo”, a Nissan dilui a atenção dos consumidores, que deviam se concentrar no novo Kicks — que é muito melhor, em tudo.

A começar pela “pose” ou stance do novo Kicks, que impressiona mesmo estacionado. É um belo design contido em medidas generosas: 4,36 m no comprimento (5 cm a mais em relação ao “antigo” Kicks), entre-eixos de 2,65 m (3 cm a mais) e largura, sem os retrovisores, de 1,80 m (4 cm a mais em relação ao Kicks anterior). Basta olhar para o novo Kicks para entender que ali está um SUV “parrudo”, que impressiona ao primeiro olhar — principalmente pela frente poderosa, “filetada”, que abre possibilidades aos sentidos.

Mas não é somente a forma que impressiona no novo Kicks: também a qualidade construtiva, que começa na utilização da nova plataforma global da Renault e Nissan, denominada CMF-B, utilizada em veículos de sucesso como o Nissan Juke, Renault Kardian e Boreal, que será lançado no Brasil até o final do ano. Esta plataforma modular, ou “base do SUV”, propicia uma excepcional rigidez torsional, permitindo que o motorista nem sinta as imperfeições do terreno — seja ruim ou sobre asfalto normal. Graças à solidez da “base”, no habitáculo ouve-se o “silêncio” ou pode-se desfrutar da superior qualidade do som Bose, com alto-falantes “incrustados” nos apoios de cabeça (headrests) dos bancos dianteiros. É uma experiência sonora excepcional que “decora” a intrínseca qualidade do novo Kicks.

Motor turbo com câmbio automático de seis marchas: respostas rápidas | Foto: Renato Rossi / Especial CP

Um parêntese para contestar algumas críticas injustas relacionadas à performance do Kicks, divulgadas na mídia. A mais injusta refere-se a uma possível falta de potência do motor 1.0, com 120 cv a gasolina e 125 cv a etanol, com torque de 22,5 kgfm, que traciona um veículo com 1.366 kg de peso. Realmente, uma crítica pode ser feita quando o motor gira acima de 5.000 rpm e a velocidade máxima já retirou 1.000 pontos da sua habilitação. E provavelmente, a 160 km/h em rodovia, você ganhou o “troféu camburão” porque acabou preso.

Este novo Kicks trocou o câmbio “elástico” e meio “pegajoso” do CVT por um câmbio automático muito eficiente, com seis “velocidades”, que explora com precisão a potência e o torque do 1.0 Turbo. Das baixas às altas rotações, o Kicks é um SUV que responde com presteza às solicitações do acelerador e, no teste rodoviário, com diversas viagens pela BR-101, a preocupação não era com eventual falta de potência, mas com a facilidade com que o Kicks chegava a altas velocidades — superiores ao limite legal da rodovia, de 110 km/h. Seria possível manter uma média de 150 km/h sem forçar o motor. Portanto, as críticas sobre eventual falta de potência do Kicks são infundadas, inexatas e irreais.

O novo Kicks proporcionou momentos futuristas na BR-101 quando, em um longo trecho, o piloto de testes tirou as mãos do volante e deixou que o “assistente de linha reta” mantivesse o veículo na trajetória correta, baseada na leitura da sinalização horizontal — que, infelizmente, é ilegível em boa parte da rodovia. Mas, no trecho com marcação legível e forte, o Kicks manteve a trajetória em reta e curva. Houve o “vislumbre” de uma direção autônoma de nível 2, ainda distante dos níveis 4 e 5, que permitem que o motorista seja apenas o “acompanhante”. Colocar um nível 2 em um veículo de preço médio é, sem dúvida, um largo passo à frente da Nissan.

O Kicks de nova geração amplia o conceito de “carro seguro” com a incrementação do sistema Sense, que se vale de sensores dianteiros e traseiros, monitor de pontos cegos, câmeras de visão 360 graus, seis airbags e freios a disco de última geração com ABS nas quatro rodas.

O Kicks pode ser a ponte da Nissan em direção ao seu passado glorioso, que produziu o primeiro carro elétrico em linha de produção, o ótimo Leaf, em 2010, e um dos melhores carros esportivos do mundo, o “fogoso” GT-R, fabricado de 2009 a 2024. Quem testou o GT-R entendeu rapidamente a que nível de dirigibilidade e esportividade a Nissan podia chegar. Infelizmente, os recentes problemas financeiros da Nissan lançaram dúvidas sobre a sobrevivência da montadora japonesa em um mercado global, onde a tradição das marcas vale cada vez menos.

Mas, ao rodar no novo Kicks, dá para sentir que a Nissan, que produziu alguns modelos míticos como o próprio GT-R, não desaprendeu a fazer carros de grande qualidade. Com certeza, abrirá a porta para o futuro.

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