O desafio do cérebro humano

O desafio do cérebro humano

Direção autônoma gera divergências sobre sua capacidade tecnológica

Renato Rossi

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Uma ida ao espaço como se fosse ao restaurante. Foram e voltaram. E não são astronautas. Se houvesse algum imprevisto provavelmente seria desesperador. Não haveria as mentes treinadas dos astronautas. No incipiente turismo espacial prevaleceu a crença cega na tecnologia que tudo resolve, como a no pensamento do dono do projeto, Elon Musk. Pois o poderoso proprietário da Tesla Motors quer sempre mais. Em poucos anos, ele transformou a marca, que ocupava espaço mínimo no Salão do Automóvel de Frankfurt, no início dos anos 90, numa poderosa indústria que é a líder mundial na produção de carros elétricos.

Neste contexto de supremacia tecnológica, Musk, à frente de sua empresa SpaceX, cria cápsulas espaciais que se parecem à suíte de um hotel de luxo. E nos carros da Tesla, graças ao sistema de direção autônoma, os motoristas ficam à vontade dentro do veículo. Este é o novo mundo feito de algoritmos e chips, onde o ser humano é cada vez mais o passageiro, o coadjuvante. 

Mas, às vezes, os algoritmos e complexos cálculos falham. E a Administração Nacional de Segurança do Tráfego nas Estradas (NHTSA), dos Estados Unidos, investiga o sistema Autopilot dos veículos da Tesla, garantido por Musk como infalível. Porém, foram mais de 30 incidentes com o sistema, que geraram 11 mortes. Para cientistas que trabalham nas montadoras de maior capacidade tecnológica, o sistema de direção autônoma não está comprovado suficientemente para ser comercializado. O grande desafio é replicar as atitudes e decisões do cérebro humano com bilhões de conexões neurais. Ter a consciência da avaliação dos riscos e as ligações com emoções e aprendizado.

 


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