As marcas Omoda e Jaecoo, pertencentes à chinesa Chery, serão lançadas no Brasil no primeiro trimestre de 2025. O lançamento é explicado pelo Head Comercial das marcas para o Brasil e América Latina, Felipe Amaral. Segundo o executivo, "a Omoda e a Jaecoo são direcionadas ao segmento intermediário do mercado de SUVs, onde estão modelos como Compass, Haval e Song, entre outros. Embora sofisticados no design e no conteúdo, os SUVs Omoda e Jaecoo não pertencem ao segmento 'premium' do mercado", salienta o executivo.
"No Brasil, a estratégia para as marcas Omoda e Jaecoo é que sejam marcas 'significativas' para o consumidor. Já iniciamos com 20 revendas pelo país, incluindo uma em Porto Alegre. As equipes de vendas e pós-vendas foram treinadas para 'encantar o cliente', destacando os diferenciais no design, no conteúdo tecnológico e na dirigibilidade", assinala Amaral.
A estratégia para o Brasil, prossegue o executivo, contempla a acessibilidade por meio de preços competitivos, pronta entrega e, futuramente, produção local. "Não queremos ser apenas 'mais uma marca importada'. Seremos uma marca 'nacionalizada', que dará total segurança ao consumidor, principalmente no pós-vendas", acrescenta.
"Seguimos pelo mesmo caminho da BYD e GWM, que iniciaram a produção em suas fábricas no Brasil. Vamos nos posicionar como uma marca competitiva em todos os sentidos. Ser uma marca importada não garante permanência em um mercado hipercompetitivo. Por isso, a importação é apenas uma plataforma de lançamento para a Omoda e a Jaecoo. Em 2026, teremos produção no Brasil", enfatiza Amaral. "Realizamos uma ampla prospecção e análise dos 'prós e contras' das marcas chinesas que já estão no Brasil. Também analisamos as marcas locais, que, para o consumidor, estão defasadas em tecnologia. Após uma pesquisa intensiva, optamos pela produção no Brasil, que deve ocorrer na unidade industrial pertencente à Chery e ao Grupo Caoa, localizada em Jacareí, São Paulo. Esta fábrica, inaugurada em 2014, foi operacional até 2022. Agora estamos em negociação com o Grupo Caoa, que detém 50% do capital da fábrica, enquanto a Chery possui 51%, para que a unidade passe definitivamente para a Chery. O negócio está prestes a ser concretizado, mas ainda não temos a 'palavra final' da diretoria da Chery na China", acrescentou.
A Chery, salienta Amaral, ainda não possui uma forte identidade no Brasil, onde o nome Caoa se popularizou. Contudo, a Chery está entre as três maiores fabricantes na China e possui um amplo portfólio de produtos eletrificados. "A produção no Brasil dos Omoda e Jaecoo reforçará significativamente a identidade da Chery", avalia o executivo.
As marcas serão acompanhadas de estratégias comerciais inovadoras, como um clube privado que destacará que possuir um Jaecoo ou um Omoda é uma experiência diferenciada. "Teremos diversas atividades programadas para nossos clientes", afirma Amaral. "Evitar que o varejo seja a única fonte de comunicação com a marca reforçará também a imagem e o poder global da Chery, que ainda é uma ilustre desconhecida no Brasil", ressalta.
Inicialmente, serão lançados o Omoda 5, um SUV de porte médio com a nova linguagem de design da Chery, denominada Art in Motion. O Omoda 5 tem 4,40 metros de comprimento, 1,83 metro de largura e 1,59 metro de altura, além de motor elétrico com 225 cavalos de potência e 350 Nm de torque. Sua autonomia é de 400 km. "É um SUV muito bem equipado, com pacote ADAS de sistemas eletrônicos de segurança ativa e passiva, câmeras, radares e seis airbags. O Omoda 5 passou pelos testes de impacto do Euro NCAP e ganhou cinco estrelas", enfatiza o executivo.
Convém lembrar, prossegue Amaral, que o Omoda e o Jaecoo foram testados exaustivamente em condições de uso no Brasil, com suspensões, direção, câmbio e dirigibilidade adaptados ao 'gosto' dos brasileiros. "Por exemplo, tivemos que 'enrijecer' o esterço do volante, porque o motorista brasileiro não gosta de volante 'mole'. Já o motorista chinês prefere o volante 'macio'."
O Jaecoo 7 será um híbrido plug-in, com motor a combustão de 1.5 litro e dois motores elétricos, oferecendo uma autonomia combinada de 1.200 quilômetros. "O Grupo Chery investe na eletrificação porque o carro elétrico nos conecta ao futuro. Apesar do recuo no mercado de elétricos em 2024, acreditamos que a eletrificação é irreversível. Na China, o mercado de carros elétricos 'puros' cresceu 50%. Para o resto do mundo, a estratégia da Chery contempla os 'híbridos plug-in', que apresentam vendas em alta no Brasil e na América Latina."
"O consumidor tem optado pelo carro híbrido em detrimento do 'puramente elétrico', devido à ausência de infraestrutura de suporte ao carro elétrico no Brasil, que ainda está restrito ao uso urbano", analisa Amaral. "Na China, dos mais de 20 milhões de veículos comercializados anualmente, mais de 60% das vendas são de carros 'puramente elétricos'. A Chery utiliza uma impressionante sofisticação tecnológica na produção. Por exemplo, os bancos traseiros do Omoda e do Jaecoo são instalados por robôs que trabalham no habitáculo. Eu assisti a esse processo, e é algo surreal. Mas tudo impressiona na produção chinesa de carros eletrificados. A combustão é considerada o passado, que ninguém mais quer", conclui Amaral.
