Finalmente, a Chery se descolou do Grupo Caoa e resolveu seguir solitária no mercado brasileiro, com planos futuros de produção local. Os primeiros produtos desta Chery livre, sem dúvida, são superiores na forma e conteúdo à linha Tiggo, dos SUVs sem grande atrativo na forma e performance que, graças aos milhões de dólares investidos pelo Grupo Caoa em publicidade, venderam ao distinto público uma impressão de sofisticação que não possuem. Afinal, a Tiggo é linha popular e mais barata da Chery na China.
A Chery sozinha apresenta agora suas linhas Omoda e Jaecoo, compostas por modelos cuja forma e conteúdo estão bem acima do que era apresentado no Brasil. A Omoda se autodefine como marca com design contemporâneo e tecnologia embarcada de nível superior. A Jaecoo é posicionada como marca mais luxuosa no design, que insere pinceladas do design da Land Rover, principalmente do Range Rover Evoque, um sucesso global de vendas. Os chineses continuam com suas inspirações estéticas baseadas em marcas e modelos europeus consagrados. Embora utilizem os rastros do sucesso alheio, nota-se a evolução constante do design, que já integra o talento de jovens designers chineses que estudaram em escolas famosas e consagradas, como o Art Center em Pasadena, na Califórnia, hoje com grande número de chineses como aplicados estudantes. Estes modelos, recém-lançados no mercado brasileiro, como o Jaecoo 7 HS ou Omoda 5 EV, expressam uma nova fase da indústria automobilística da China direcionada a segmentos superiores de mercado.
As linhas sinuosas e insinuantes, com esportividade, deste Omoda 5 querem comunicar ao consumidor algo diferenciado à primeira vista. Afinal, Jaecoo e Omoda são marcas sedutoras pela forma, inicialmente. Mas isso não basta. Então, foi necessário testar o Omoda 5 totalmente elétrico para entender o que realmente significa a evolução desta Chery, que passa dos simples Tiggo para marcas direcionadas a patamar estético e tecnológico superior.
Foram mais de 150 quilômetros rodados com um Omoda 5 em circuito urbano, com breve incursão pela BR-101. O Omoda é SUV raiz. Isto significa que seu design em três volumes bem definidos, com frente poderosa, teto elevado e traseira fastback, não é a regra do design que define a maior parte dos SUVs chineses à venda no mercado global. Na Jaecoo, as linhas se tornam menos angulosas, mais arredondadas, na busca por uma suavidade luxuosa. A Chery oferece estes dois caminhos. Convém salientar a semelhança do Jaecoo 7 HS, híbrido, com SUVs da consagrada e caríssima Land Rover. Mas aí está a jogada mercadológica dos chineses em oferecer um Jaecoo ou Omoda que custam bem menos em relação aos SUVs europeus. Além da Land Rover, os chineses visam as marcas luxuosas alemãs como BMW ou Audi.
O Omoda 5 foi cedido pela revenda da marca em Porto Alegre, que pertence ao poderoso grupo econômico Felice, com origem no interior do Estado do Rio Grande do Sul. O consumidor, e principalmente a imprensa, necessita da diversidade. Senão, fica-se à mercê da BYD, que é acintosa e arrogante. A Felice Jaecoo Omoda foi profissional no relacionamento com o jornalista do CP. Este tratamento receptivo e cordial facilitou o entendimento do Omoda. Já nos primeiros quilômetros rodados, o Omoda 5 passou ao Piloto de Testes a serviço de CM do CP uma marcante impressão de SUV com dirigibilidade em nível elevado, um surpreendente conforto de marcha e, principalmente, leveza e agilidade em trânsito urbano.
O Omoda 5 é avançado na tecnologia e, no mercado da China, se posiciona bem acima da linha Tiggo. Ganhou 5 estrelas nos testes de segurança do EuroNCAP e vende muito no mercado europeu. Os sistemas de segurança do Omoda 5 incluem frenagem automática emergencial, monitoramento eletrônico de ponto cego, câmeras em 360 graus que propiciam uma visão periférica nítida e ampla — o que significa maior segurança em manobras urbanas e rodoviárias. O assistente de linha reta vigia as ações do motorista que, se forem inadequadas, provocarão perda de potência e provável estacionamento sem ação do motorista desatento. O completo sistema de infoentretenimento tem à disposição uma tela de 14 polegadas no centro do painel, que se une à tela em frente ao motorista. As duas ocupam praticamente todo o painel dianteiro e realizam completo monitoramento das funções e possibilidades tecnológicas do Omoda. São tantas funções que exigem um tutorial ou manual de uso se o motorista quiser dominá-las. É lógico que vendedores treinados são muito úteis para que o proprietário saia da revenda com sólido entendimento sobre as funções desta última geração de carros chineses.
Em relação à performance, o motor elétrico equivalente a 204 hp é mais do que suficiente para um comportamento dinâmico ágil e previsível do Omoda. Embora o youtuber que vende camisas enquanto testa e o pequeno azougue tenham reclamado da estabilidade lateral num SUV que inclina demais, essa percepção de balanço lateral não foi sentida pelo piloto de testes do CP: as suspensões incluem uma maciez que não chega a perturbar o sentimento de veículo preciso e seguro. A capacidade de absorção das irregularidades do terreno é elevada e o handling ou dirigibilidade mostra-se sempre seguro e preciso. E o Omoda segue as orientações do seu dono como cachorro ensinado que nem precisa de coleira. O Omoda 5, na versão elétrica ou híbrida, ainda mostra vantagem no preço, que não chega aos 200 mil. Num comparativo entre Omoda e BYD Song, é nítida a vantagem da tecnologia Chery, que agora, livre do Caoa, não está mais dependente unicamente dos medianos Tiggo. Este Omoda 5 é um Chery superior. Vale a pena conhecê-lo e testá-lo.
