As eleições na Inglaterra, França e Alemanha, que junto formam o poderoso "triunvirato" da Indústria Automobilística Europeia, definiram o retorno da "esquerda" ao poder. Isso modifica a estrutura do poder e traz de volta o "carro elétrico" ao centro do debate ecológico e econômico. Afinal, o carro elétrico também é um negócio estimado em mais de 500 bilhões de dólares até 2030.
A partir de 2022, o carro elétrico sofreu um "contra-ataque", segundo fontes da imprensa europeia, por parte das petroleiras, que investiram bilhões de dólares pelo mundo em busca de "inimigos" do carro elétrico, entre políticos e meios de comunicação que denegriram sua imagem. Agora, enfrenta o percalço da mudança de rumo da indústria automobilística chinesa, que passou a produzir principalmente carros híbridos em detrimento dos elétricos puros. No Brasil, as marcas chinesas dominantes, BYD e GWM, agora vendem principalmente carros híbridos. Os chineses perceberam que perderiam bilhões se insistissem apenas nos carros elétricos.
No Brasil, cujo governo trocou a visão para o futuro por uma que olha para trás ao decidir explorar petróleo na Amazônia, não é necessária a destruição da Amazônia, mas sim uma política consistente que una os setores público e privado na instalação de milhares de pontos de recarga elétrica pelo país. Sem o auxílio do governo, devido ao alto valor investido nos pontos de recarga, isso se torna uma miragem. As poucas estações de recarga limitam a expansão do mercado elétrico.
O retorno da esquerda ao poder muda a realidade do mercado europeu. Nas semanas após as eleições, o interesse pelo carro elétrico aumentou significativamente, com um aumento de 30% na busca na França. A esquerda inclui partidos políticos ecológicos, como o poderoso "Partido Verde" na Alemanha, que junto a outros partidos de orientação ecológica terá maior presença no Parlamento Europeu de 2024. Os eurodeputados da esquerda e do centro-direita legislarão a favor da proteção ambiental, o que inclui o incentivo ao carro elétrico.
Das grandes potências, a China continua seu caminho em direção ao carro elétrico como única forma de despoluir o meio ambiente. A China absorve 30 milhões de veículos anualmente, e uma grande parte da frota ainda utiliza gasolina. A partir de 2030, a produção de carros elétricos será a única permitida na China, buscando eliminar o "smog", a terrível poluição "leitosa" que acompanha os chineses em suas deslocações pelas megacidades com até 40 milhões de habitantes. A China exporta para mercados emergentes os veículos híbridos que poluem. A BYD já anunciou que a maior parte da produção em sua unidade industrial de Camaçari será de carros híbridos, compreensível dado o objetivo de lucro das montadoras chinesas no Brasil.
Nos Estados Unidos, tudo depende das próximas eleições. Se Joe Biden for reeleito, a atual política verde será mantida. Esta política investiu 370 bilhões de dólares na instalação de 200 mil pontos de recarga nos Estados Unidos, uma iniciativa elogiada pela General Motors e Ford, que receberam centenas de milhões de dólares em subsídios para a produção de carros elétricos. Ambas as montadoras têm hoje pelo menos 50 modelos elétricos prontos para consumo até 2030. Se Donald Trump retornar à presidência, o carro elétrico poderá enfrentar uma regressão significativa, dado seu histórico de políticas anti-meio ambiente, que resultaram em aumento de 60% nas emissões de gases de efeito estufa durante seu mandato. Recentemente, pesquisas de opinião nos Estados Unidos mostraram que a maioria da população não aceitaria o retorno dos carros a combustão em detrimento dos elétricos, especialmente após desastres ambientais como incêndios na Califórnia e tempestades variadas.
