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Renault 4: elétrico faz homenagem ao passado

Francesa foi pioneira na produção elétrica em série, agora aposta na nostalgia “hightech”

Élétrico reinventa um ícone com um toque retrofuturista, mantendo sua personalidade única e linhas clássicas
Élétrico reinventa um ícone com um toque retrofuturista, mantendo sua personalidade única e linhas clássicas Foto : Renault / Divulgação CP

Em setembro de 2024, ao ser questionado por um jornalista francês sobre o futuro da indústria automobilística europeia em relação ao carro elétrico, o CEO da Renault, o italiano Luca De Meo, com sua reconhecida objetividade, afirmou: "As marcas chinesas estão à frente em eletrificação por uma série de fatores que são tecnológicos, mercadológicos, sociais e até políticos, já que o automóvel elétrico integra o plano do governo comunista para a dominação do mercado automobilístico global. Vai acontecer", salientou o CEO, "se o mundo não reagir. Se a indústria automobilística europeia ficar passiva diante desta invasão chinesa. Convém salientar", prosseguiu, "que não serão as barreiras tributárias que irão conter o carro elétrico chinês. Devemos mostrar à Europa e ao mundo que a Europa e a Renault podem produzir carros elétricos com qualidade e dirigibilidade superiores à dos carros chineses", enfatizou De Meo.

A Renault foi pioneira na produção em série de carros elétricos a partir de 2011, quando apresentou no Salão de Frankfurt uma linha de carros elétricos. O genial, mas controverso, Carlos Ghosn era o CEO da Renault na época e investiu mais de 12 bilhões de euros na produção dos modelos elétricos Fluence, Zoe, Twizy e Kangoo. Mas, em 2011, o mercado era dominado pelos carros a combustão e assim permaneceu por muitos anos. A Renault se desinteressou pelo "carro elétrico". E Ghosn trocou o cargo de CEO mais poderoso do mundo pelo de "proscrito" e fugitivo da racista justiça japonesa. Vivendo hoje no Líbano, Ghosn concedeu recentemente uma entrevista à imprensa francesa onde afirmou, simplesmente, que não há futuro para a indústria automobilística fora da eletrificação. Ele acredita que, ao retomar a eletrificação, a Renault deu um passo importante para se posicionar novamente como uma marca de prestígio global.

Interior moderno com central multimídia avançada, integração total com smartphones | Foto: Renault / Divulgação CP

As afirmações de Ghosn foram feitas antes da Renault firmar parceria com a chinesa Geely, que, no mês de fevereiro, ultrapassou a BYD como a marca mais vendida na China. A parceria prevê o lançamento de modelos elétricos e híbridos produzidos no Brasil. Os elétricos da "safra" de 2011 eram ótimos veículos, testados por CM do CP no Brasil e na França. Mas o problema não era a qualidade dos veículos, e sim o fato de estarem à frente do seu tempo na indústria automobilística. No entanto, o expertise da Renault em eletrificação é retomado na produção dos elétricos de última geração: Scenic, Megane, Renault 4, Renault 5, entre outros. Em 2024, um período de testes de cinco dias com o Megane elétrico mostrou um sedã de belíssimo design, com dirigibilidade superior à de muitos carros chineses comercializados.

A Renault já aceita pedidos antecipados, inicialmente na Europa, de sua novidade elétrica: o belo e compacto Renault 4, que integra uma nova geração de carros elétricos e deve ser acessível à maioria dos consumidores. O Renault 4 E-Tech é oferecido com prestações mensais de 280 euros para um preço total de 29.490 euros. Equipado com um motor de 110 quilowatts, equivalente a 150 cavalos de potência, o Renault 4 tem autonomia de 409 km no ciclo WLTP, que é o padrão europeu. Na França, o Renault 4, como qualquer carro elétrico, recebe o "bônus ecológico" no valor de 4.000 euros. A Europa segue confiante de que o carro elétrico será mesmo um "game changer", marcando a transição do mundo dependente do petróleo, que explode nos oceanos em choques de navios e continua sendo um dos principais responsáveis pelo aquecimento global. O Renault 4 pode ser lançado no Brasil como importado, pois a Renault conhece as dificuldades de produzir veículos fora da França, onde possui centros tecnológicos avançados. No entanto, com a associação à Geely, essa realidade pode mudar, e o Brasil pode se tornar um centro de produção de carros elétricos. O híbrido a etanol é outra solução tecnológica que pode estar no futuro da Renault do Brasil.

Propulsor oferece 150 cv de potência e 409 km de autonomia | Foto: Renault / Divulgação CP

O Renault 4 elétrico tem "traços" do Renault 4 a gasolina, que foi lançado na França em 1961 e se tornou um ícone da indústria automobilística europeia. Até 1992, foram produzidas 8.135.424 unidades do "4", o que dá uma ideia precisa da aceitação do modelo na sociedade francesa. Com o encerramento da produção, os "4" tiveram grande valorização no mercado de usados na França e no mundo, já que o Renault 4 chegou a ser produzido em 28 países, incluindo a Argentina. Os "hermanos" nostálgicos confiam no "4", e modelos da década de 1990 ainda são vistos neste verão pelas praias da região sul do Brasil.

É uma bela e emocional produção do "4 elétrico", que, segundo a Renault, possui o DNA da versão original e antecipa diversos conceitos utilizados após 1961 por montadoras que refinaram o conceito de "carro urbano". O "4" original instituiu a tração dianteira como norma em carros pequenos, e suas "barras de torção" paralelas e inovadoras na suspensão traseira ampliavam a estabilidade direcional e o conforto de marcha. O chassi reforçado garantia um ótimo nível de rigidez torcional e aumentava a segurança ativa e passiva.

O diretor de design da Renault a nível global, Gilles Vidal, em entrevista à imprensa francesa, afirmou: "Reinventamos um veículo icônico sem eliminar seus traços sutis e sua personalidade polivalente, que o deixava à vontade tanto na cidade quanto na rodovia. O design deste 4 elétrico tem traços do design original, mas se vale de toda a tecnologia disponível aos designers nestes tempos em que a inteligência artificial já prevalece. As tecnologias mais avançadas de concepção e desenvolvimento foram utilizadas na produção do '4 elétrico', definido como um veículo 'retrofuturista'." O carro compacto elétrico tem versões de motores com 120 ou 150 cavalos de potência. Portanto, pode ser um elétrico "urbano" ou mais esportivo, com reações "fortes". "De qualquer maneira, o 4 é um 'sedutor'", afirma o designer.

Com 4,14 m de comprimento, o Renault 4 tem amplo espaço interno graças à distância entre eixos de 2,20 m, que proporciona um porta-malas com 420 litros de capacidade. A função "Extended Grip" permite que o "4 Electric" trafegue com a mesma suavidade e segurança sobre diversos tipos de pavimentos, tornando-o "usável" em mercados emergentes, onde há pavimentos desafiadores para as suspensões dos veículos. Segundo a Renault, em quaisquer circunstâncias de uso, o Renault 4 surpreende pela dirigibilidade agradável e segura, com o esterço preciso do volante que, junto à "rolagem limitada" da carroceria, garante um alto nível de estabilidade direcional e lateral. "O Renault 4 renasce para ser um veículo para o presente e o futuro, mas que reverencia um passado glorioso. Para nós, é uma honra tê-lo de volta", salienta o designer.

Não há confirmação da Renault do Brasil para o lançamento do "4" no mercado brasileiro. O "Quatro" já se insere numa nova onda elétrica, onde os carros elétricos de luxo, muito caros, perdem espaço para a praticidade dos carros compactos, belos no design, muito equipados e com preço acessível. A associação entre a Geely e a Renault para a produção de carros elétricos e híbridos no Brasil abre a esperança de que o "Quatro" seja produzido no país. No entanto, a Renault ainda não confirma essa possibilidade.

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