Dá para iniciar a avaliação do Duster 2025 pela frase enigmática de um jornalista francês que, em algum ponto entre o lançamento na Europa em 2010 e a versão atual, afirmou: "Não se preocupe em analisar o Duster, se você gostou ou não gostou. É melhor saber que, em algum momento de suas escolhas de vida, terá um Duster. Ele será seu melhor amigo, nem mais nem menos." Até hoje, é a melhor definição para este SUV de feição meio "rude", que, lançado na França em 2010 e no Brasil em 2011, teve até hoje mais de 2,5 milhões de unidades produzidas e comercializadas em mais de 70 países.
É fácil encontrar um Duster em algum parque nacional da África, acompanhado por um leão bacana, assim como pode estar no estacionamento de um shopping no Brasil ou no mundo. Acertou "na mosca" o jornalista francês ao intuir que o Duster teria uma aceitação intensiva e global. Em 2024, mais de 1.500 unidades são produzidas diariamente na unidade industrial de Pitești, na Romênia, com 90% da produção direcionada à exportação. No Brasil, o Duster é produzido na unidade industrial da Renault em São José dos Pinhais, subúrbio de Curitiba.
Em 15 dias com o CP do Correio do Povo, o Duster mostrou, na prática, que os acréscimos formais e tecnológicos fizeram bem ao produto. Por exemplo, o ótimo motor 1.3 turbo com 170 cavalos de potência e 27,5 kgfm de torque. A linearidade excepcional da potência e torque é transmitida pelo câmbio automático de oito velocidades com precisão. O conjunto motor, direção, suspensões e plataforma evoluiu com o tempo e chegou ao atual estágio de eficiência impressionante.
O motor potente torna o Duster sensível nas acelerações, com respostas rápidas que agilizam seu comportamento no uso urbano. A performance consistente e segura também se sustenta no nível superior de rigidez torsional da plataforma, com suspensões muito bem calibradas que ignoram as imperfeições dos pavimentos. Em Porto Alegre, com terrenos instáveis, a solidez das suspensões e da estrutura, compreendida como plataforma e carroceria, ampliaram a suavidade de marcha e o silêncio no habitáculo, abrindo caminho para a "paz de espírito".
A posição ao volante, com regulagem de altura e profundidade, é tipicamente de um SUV "raiz". É uma posição mais "ereta" e dominante, que faz você se sentir como Indiana Jones, o herói que curtia "múmias". É uma brincadeira com fundo de verdade, afinal o design do Duster sempre foi "parrudo", destemido e inspirador de aventuras no "fora de estrada". Mas convém lembrar que o Duster 4x4 continua no mercado europeu, mas não teve aceitação no Brasil, onde a versão 4x4 com motor 2.0 saiu de linha em 2020.
No entanto, basta ser um 4x2, já que em 90% dos casos o uso do Duster é na cidade ou sobre asfalto. Com pinta de aventureiro, o Duster quer ser apenas o "amigão" do motorista nas "aventuras" do dia a dia. Nos seus 14 anos de mercado brasileiro, ganhou fama de confiável, forte e durável, mas principalmente de ser um SUV acessível no preço e versátil no uso. "Acolhedor" é o termo correto para defini-lo.
Nesta nova versão, há adereços estéticos bem interessantes, e a modernidade se insere nos seis airbags, tela digital de 8 polegadas no painel, que espelha smartphones "wireless", com entradas USB do tipo A e C, além de carregador de celular por indução. Conta também com câmera "multivisão", aviso de ponto cego e sensor de chuva. O Duster não tem o refinamento tecnológico do Kardian, nem a dirigibilidade superior de seu irmão "moderno". Em muitos aspectos, é ainda um "conservador" que não abre mão de ser o que sempre foi: fiel ao seu dono, com fidelidade "canina".
