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Renault Kardian fica ainda melhor

Modelo francês apresenta uma das melhores plataformas do mundo, com desempenho acima da média

1.0 Turbo de 125 cv e 22,4 kgfm de torque: desempenho ágil
1.0 Turbo de 125 cv e 22,4 kgfm de torque: desempenho ágil Foto : Renato Rossi / Especial CP

A Renault é uma montadora sempre suscetível às reações do mercado e opiniões de consumidores e proprietários de veículos da marca. Mas, principalmente na mídia virtual, a partir do lançamento em março de 2024, os “especialistas” que hoje preenchem excessivamente todos os espaços de temas automotivos foram destrutivos em relação ao Kardian ao atribuir ao SUV problemas “pontuais”, como eventual falha no câmbio, não comprovada. As críticas não se referiam à inegável integridade do projeto que insere a nova plataforma RGMP ou “Renault Global Modular Platform”. Esta plataforma equipa uma nova linha global de veículos médios e pequenos da Renault e revigora a imagem da marca. A plataforma é responsável pela excepcional rigidez torsional e dirigibilidade precisa do Kardian.

Quanto ao fato de o Kardian ter vendido menos do que a Renault esperava, tem a ver menos com possíveis defeitos mecânicos, que sempre aparecem em lançamentos pelo mundo, do que com as condições objetivas do mercado saturado de SUVs de porte médio, que, nos dois últimos anos, foi inflado pela multiplicidade das ofertas chinesas. Com modelos que se tornaram “Best Sellers” na linha Song da BYD ou Haval da GWM. São veículos híbridos plug-in de excelente qualidade, competitivos em relação ao Kardian. Portanto, a Renault lançou o Kardian na “linha de fogo” da impiedosa concorrência chinesa, que domina a venda de SUVs no Brasil.

Os especialistas de marketing citam outros fatores mercadológicos que frearam inicialmente as vendas do Kardian. Por exemplo, a percepção do consumidor de que o Kardian não teria “diferenciação” em relação aos modelos concorrentes. É afirmação discutível, na medida em que o Kardian tem belo design e sólida tecnologia que o destacam no mercado. O design não mudou nesta nova fase do Kardian, nem poderia. Ele incorpora uma sutil elegância que vigora há décadas na Renault. É uma elegância sem exageros, que agrada ao consumidor global.

Plataforma RGMP garante estabilidade e confiança em vários terrenos | Foto: Renato Rossi / Especial CP

Mas os “prós e contras” sobre o Kardian, divulgados na mídia principalmente em 2024, geraram a dúvida na Renault de que talvez sua novidade necessitasse de alguns aprimoramentos. Convém lembrar que as montadoras chinesas mudam seus modelos com extrema facilidade para se manterem competitivas. Pois a Renault tratou de aprimorar seu produto mais competitivo. A Renault não quis repetir o erro com o belo Captur, que deixava a desejar na dirigibilidade e acabamento. Quando a Renault resolveu mudar o Captur, era tarde demais e a produção do SUV foi desativada no Brasil. Mas prossegue com sucesso na Europa.

Passados 18 meses do lançamento, a Renault, de forma corajosa, mostra que o Kardian evoluiu. São mudanças pontuais que visam eliminar qualquer dúvida sobre a qualidade superior do Kardian. Mas CM do CP realizou um teste em mais de 1.700 quilômetros rodados, principalmente em rodovias, que confirmou a evolução do Kardian. No espaço de 10 dias, o Kardian Iconic, a versão mais completa, rodou por cidades, rodovias e estradas vicinais pelo litoral gaúcho. O Kardian não sofreu modificações estéticas ou estruturais. Nem precisaria. Aliás, todos os veículos da Renault ficaram mais bonitos a partir de 2023. Do tradicional Duster, agora mais suave na forma e mais atraente na Europa, ao novo Sandero, ao SUV Boreal que em breve será lançado no Brasil, são veículos que mostram o direcionamento da Renault em colocar carros mais bonitos no mercado mundial, reposicionando a “francesa” para cima.

O Kardian mantém seu grande “trunfo”: a plataforma RGMP ou “Renault Global Modular Platform”, componente tecnológico fundamental para a excelente performance dinâmica do SUV. Esta performance diferenciada é sentida pelo “corpo” do motorista, na percepção de que conduz um SUV de superior rigidez torsional e manobrabilidade. O Kardian permite manobras evasivas rápidas e precisas. As frenagens bruscas e de pânico não o desestabilizam. O Kardian mostra as suspensões recalibradas, que geram uma impecável manutenção da linha reta e estabilidade lateral acima da média. Sinceramente, é muito difícil tirar o Kardian de trajetória de curva, e o SUV parece grudado ao solo em curvas abertas ou fechadas.

Telas duplas de 10’’ e sistema multimídia Digital Life: tecnologia que facilita e conecta cada viagem | Foto: Renato Rossi / Especial CP

O Kardian 2026 mantém seus 4,12 metros de comprimento, 1,75 metros de largura, 1,54 metros de altura, com entre-eixos de 2,60 m. São medidas também justas, mas nunca claustrofóbicas, já que o espaço interno é generoso para quatro pessoas. E pode incluir o “Golden Retriever” que cabe. As medidas concisas contribuem para o comportamento ágil, seguro e confortável em trânsito. Foi mantido o conforto de marcha e performance veloz e segura em rodovia.

Há maior refinamento interno na inclusão de duas telas de 10 polegadas, uma para a leitura essencial ao motorista, com velocímetro e conta-giros configuráveis. Apesar de todo avanço tecnológico incorporado a veículos de última geração, convém lembrar que o ultra visível velocímetro do Kardian é uma espécie de “consciência externa”, que serve também para conter os “ímpetos” dos motoristas.

No Kardian, o motor 1.0 turbo com três cilindros, 125 cv e 22,4 kgfm de torque, induz a que os números graúdos do velocímetro corram rápido para cima. Portanto, é necessário “pé leve” para que a “habilitação” seja preservada. Na BR-101, com velocidade permitida de 110 km/h, houve folga de potência e torque. A 110 por hora, os giros baixos propiciaram redução no consumo, que chegou aos 15 km/l. O Kardian preza o orçamento doméstico, sem sacrificar a performance.

Já o sistema multimídia “Digital Life” permite conexões rápidas com Android Auto e Apple CarPlay. Há maior nitidez nas imagens das telas e maior sensibilidade ao toque, o que facilita o manuseio. A Renault continua empenhada em que os motoristas aprimorem sua sensibilidade no respeito ao meio ambiente, através do uso “econômico e racional” do “Eco Scoring”. O “app” pontua na tela central a performance do motorista, utilizando parâmetros como aceleração constante, retomadas de velocidade equilibradas e frenagens suaves.

O piloto de testes do CP não foi mal: na tela, apareceu, ao final do trajeto rodoviário, 80 pontos ganhos num máximo de 100. Resultado de condução responsável e segura. Mas, segundo o “Eco Scoring”, o CP podia ser mais vigoroso em trânsito urbano, nas retomadas de velocidade. É verdade. O cansaço pós-teste rodoviário intensivo resultou na queda da performance humana na volta à cidade. A inteligência artificial citou “falta de ímpeto” — e tinha razão. Os sensores detectaram que o nível de atenção do motorista estava prejudicado na condução urbana. E o Kardian tem os vários sistemas computadorizados do “ADAS” que zelam pela segurança ativa e passiva.

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