Rosangela Groff
A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) reuniu-se, de forma inédita, com os jornalistas especializados da área automotiva do Estado, para expor os objetivos da entidade em prol do setor, além de poder discorrer sobre os trabalhos mais relevantes em estudo ou em acompanhamento pela Associação. Em um almoço realizado no dia 19, no restaurante Na Brasa, o vice-presidente da AEA, Sidney Oliveira, conversou com a imprensa sobre diversos assuntos, como o programa Inovar-Auto, renovação de frota, veículos elétricos e híbridos e atendimento às demandas de órgãos governamentais.
Oliveira apontou uma grande deficiência do segmento, que é a falta de engenheiros no mercado, assim como identificou as propostas desenvolvidas pela entidade, como o cinto de segurança de três pontos, o sistema Isofix e o freio ABS. O dirigente também relacionou a atuação da AEA em relação ao funcionamento do sistema do veículo elétrico, a questão do processo evaporativo no abastecimento do carro e as fontes móveis.
Quanto aos veículos movidos a gasolina, Oliveira acredita que esse tipo de combustível terá vida longa, ainda. “O motor de combustão não termina nos próximos 30 anos, embora entrem no mercado os carros elétricos ou com célula de combustível”, considera o executivo, que também tem opinião formada a respeito do veículo autônomo. “O veículo vai ser um autônomo dirigível; a automação será parcial. É uma tecnologia que vem a médio prazo. Naturalmente, já estamos indo para essa tecnologia”, ressalta.
Oliveira criticou, no encontro, a falta de infraestrutura viária e o transporte público, que tornam o trânsito problemático nos grandes centros urbanos. Por outro lado, segundo ele, hoje a qualidade do ar é muito melhor, mesmo com uma frota maior de veículos em circulação, comparada a de dez anos atrás. “Antes havia menos veículos em trânsito mas sem sistemas de controle de emissões que existem agora”, reforça.
Sobre as metas da Associação para este ano, Oliveira citou o Inovar-Auto como um dos principais temas. “Estamos trabalhando fortemente no programa, apoiando decretos, focando a inspeção veicular, com o objetivo de trazer mais segurança para a população. Também buscamos a exigência, que deverá ser por etapas, do Controle Eletrônico de Estabilidade”, explica. Ele ainda adiantou que a AEA coloca na pauta de discussão outros dispositivos que ajudam a reduzir o consumo de combustível. “O sistema star/stop é um item que estamos discutindo para que seja reconhecido no ciclo, trazendo assim o crédito para a montadora”, especifica. A entidade está criando novas diretorias, como a de pós-venda, reciclagem, bicombustíveis para atuar nas discussões dos projetos.
“O grande passo do governo foi o Inovar-Auto, alavancando o desenvolvimento da engenharia e nós, como sociedade, somos beneficiados também com o programa. Precisamos agora é aperfeiçoar as tecnologias, como as de segurança e emissões para tornar a proposta mais completa”, frisa Oliveira que se posiciona a favor da utilização de motores a diesel. “Os nossos motores a diesel já se equivalem aos produtos que têm lá fora. E acho que devemos ter a liberdade de escolha, mesmo pensando na melhoria do consumo. Há muito a fazer e uma questão essencial é a renovação da frota. Isso passa por muitas esferas, mas é necessário pensar sobre isso”, reforça.
