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Spark renova eletrificação na General Motors

Motor elétrico surpreende no torque forte de 18,4 kgfm e potência equivalente a 101 cv

Linhas retas e traços retrô do Spark: design quadrado que surpreende pela sensação de “SUV grande”
Linhas retas e traços retrô do Spark: design quadrado que surpreende pela sensação de “SUV grande” Foto : GM / Divulgação CP

A General Motors tem uma longa vivência com a eletrificação, numa trajetória iniciada em 2012 no lançamento do sedã Volt, o primeiro híbrido plug-in da indústria automobilística global e um dos primeiros modelos eletrificados lançados no mundo. O primeiro carro eletrificado foi o Prius, lançado em 1997, que está em sua segunda geração. O Volt, com seu belo design, foi a ousadia da GM que queria romper a dependência do petróleo em um país que, em 2011, já tinha uma frota de mais de 250 milhões de veículos a gasolina. O Volt inseria um belo design aerodinâmico que “envelopava” um motor elétrico e um motor a combustão. Somente com motor elétrico o Volt rodava 40 milhas ou 65 quilômetros. A era era estendida com o uso do motor 1.4 a gasolina. Somadas combustão e eletricidade, a autonomia era de mais de 600 quilômetros. O Volt teve um relativo sucesso de vendas, com 150 mil unidades comercializadas de 2012, primeiro ano “pleno” de comercialização, até 2020, quando foi encerrada a produção. O belo sedã de design esportivo gerou o interesse dos norte-americanos pela eletrificação. O Volt tornou possível a produção de outros modelos elétricos da General Motors, como o ótimo hatchback Bolt, lançado em 2016 e descontinuado em 2023.

Na semana passada, a revenda Sinoscar em Porto Alegre cedeu o Spark para avaliação pelo Carros e Motos. A Sinoscar tem uma área reservada para divulgação e comercialização da linha de “elétricos puros” da General Motors, constituída, além do Spark, pelos SUVs Blazer e Equinox. Estes SUVs são de grande porte, enquanto o Spark, com quatro metros de comprimento, é um SUV essencialmente urbano, com autonomia de 258 km. Ficou evidente, nos primeiros quilômetros rodados, que a trajetória da General Motors foi sólida e consistente na eletrificação. Só não foi maior no número de veículos produzidos desde o lançamento do Volt em 2012 devido à opção política e reacionária dos Estados Unidos da América pelo petróleo.

Num teste realizado com o Volt por rodovias do estado de Michigan em 2012, ficava evidente a qualidade dinâmica do sedã plug-in híbrido. Ficava clara a versatilidade do uso da combinação da bateria de íon-lítio com o motor 1.4 a combustão. O dinamismo do Volt era sustentado por suspensões evoluídas, freios a disco nas quatro rodas de grande eficiência e conforto interno superior, que destacavam uma General Motors avançada na tecnologia e que podia tranquilamente fazer da eletrificação uma opção com qualidade superior à dos carros a combustão.

Suspensões reforçadas e ajuste fino no Brasil: dirigibilidade firme | Foto: GM / Divulgação CP

Mas o belo e superior Volt não foi a opção da GM para o futuro. A produção do Volt foi descontinuada em 2020.

Tudo mudou. Em tempos de domínio chinês na eletrificação, o Spark e demais modelos elétricos da GM passam a ser talvez a única opção para um futuro que não suporta mais a poluição. Os seres humanos, e principalmente os jovens, rejeitam cada vez mais os veículos movidos a petróleo. Aí está a falta de interesse dos jovens pelos modelos a gasolina recém-lançados no Brasil. O “badalado” T-Cross não tem vendido o esperado pela conservadora Volkswagen do Brasil. Já o rival elétrico Mini Dolphin, da BYD, vende muito.

De volta ao Spark: ele é resultado da associação norte-americana GM com as chinesas Wuling e SAIC. Esta dupla tem “peso na China”, sendo especialista na produção de SUVs pequenos com preços acessíveis. Em 2020 a Wuling lançou o Mini EV, com 3,26 m de comprimento. Sucesso instantâneo, custando 10 mil dólares, foi o veículo mais vendido na China. Em dois meses, março e abril de 2020, o Mini EV vendeu 60 mil unidades. Uma demanda que não arrefeceu durante os próximos anos. Em 2025 o Wuling Mini EV continua entre os SUVs urbanos mais vendidos na China. Sem dúvida, é o inspirador do Spark.

O design do Spark, com traços “retrô”, linhas retas e ausência de sinuosidades, gera uma primeira impressão de tamanho ampliado em relação aos 4 m “reais”. A altura de 1726 mm coloca “dois palmos” de espaço livre acima da cabeça do motorista. É muito para um homem com 1,76 m de altura. A distância entre-eixos de 2560 mm também é generosa em relação aos 4 metros de comprimento e 1760 mm de largura, ampliando o conforto para até quatro passageiros. O design de linhas quadradas pode desagradar consumidores “futuristas”, mas gera conforto e surpreendente sensação de “SUV grande”. A posição ao volante sintetiza uma perfeita ergonomia, que sempre foi ponto forte nos SUVs da GM.

Não foi um teste estático: o Spark rodou muito em cidade e menos em rodovia. Nos primeiros quilômetros rodados em cidade, o Spark surpreendia pelo rodar firme e consistente, silêncio surpreendente no habitáculo para um veículo pequeno. Em mais de 100 quilômetros rodados, o Spark mostrou o acerto da parceria entre a Wuling, SAIC e GM. A construção do Spark teve participação maior da Wuling, que adaptou a tecnologia ao uso no Brasil, um espaço físico sempre desafiador para qualquer marca que se aventure pelos pavimentos em geral ruins do país.

Aí estão as suspensões prejudicadas dos carros chineses de luxo, que são macias, delicadas e só querem deixar o ser humano confortável. No Brasil, o conjunto de suspensões de qualquer veículo é levado ao limite. Então, a GM, que tem enorme experiência no Brasil, ajudou na “tunagem” do conjunto mecânico do Spark, que tem volante de giro rápido, mas com firmeza, e suspensões mais rígidas do que as utilizadas na China. Isso significa que o Spark foi testado em milhares de quilômetros pelo Brasil antes de seu lançamento.

No teste também deu para notar que um pouco da maciez do carro chinês foi trocada pela confiabilidade no uso. Num teste “circular”, quando o Spark rodou em velocidade crescente sobre seu centro de gravidade, surgiu a sólida e segura estabilidade lateral, com suspensões que não “rolaram” lateralmente. Como acontece em grande parte dos carros chineses que não abrem mão do tal “conforto de marcha”, mesmo que isto signifique suspensões que mais parecem “balas de goma” na imprecisão. É lógico que há SUVs chineses que são precisos em reta e curva, como o confiável Haval da GWM.

O motor elétrico também surpreende no torque forte de 18,4 kgfm e potência equivalente a 101 cv. Convém lembrar que a potência do carro elétrico é sempre maior em relação à potência do carro a combustão. Não há equivalência precisa entre quilowatts e cavalos-vapor.

Enfim, uma experiência bacana e prazerosa com esta GM de grande competência global.

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