Foi um teste intensivo com o Volvo C40, o "SUV cupê" cedido pela Savarauto Multimarcas. A Volvo produziu seu primeiro carro em 1925, na Suécia, na cidade de Gotemburgo. Nas décadas seguintes, ganhou reputação mundial como produtora de carros muito seguros, com performance consistente, mas raramente atraentes no design. Eram sólidos, familiares e confiáveis, mas nunca foram sedutores ou passionais.
A Volvo foi comprada pela norte-americana Ford em janeiro de 1999 por 6,45 bilhões de dólares. Sob controle da engenharia da Ford, que achava os suecos "frios e esnobes", os erros de engenharia e marketing se sucederam. A Volvo gradativamente tornou-se uma marca comum, que só mantinha a "pose" por integrar o Premiere Automotive Group (PAG), o grupo de marcas de elite da Ford, que também incluía Land Rover e Jaguar. As três europeias elitizadas se tornaram marcas que, metaforicamente, comiam "Big Mac" e frequentavam "baile country": aquela chatice.
Em 2009, a Ford, em crise e necessitando de muitos bilhões de dólares para continuar suas operações no principal mercado dos Estados Unidos, vendeu as três marcas do PAG. Os chineses da Geely pagaram 6 bilhões de dólares pela Volvo, uma pechincha diante da reputação da marca, que foi inovadora em segurança ao lançar os primeiros cintos de segurança de três pontos em 1959. A partir daí, a Volvo começou a salvar milhões de vidas. Na história do automóvel, ela é pioneira em segurança.
Estamos em setembro de 2024, e um Volvo C40, cedido pela Savarauto Multimarcas, está em teste na seção Carros e Motos do Correio do Povo. A bordo, o piloto de testes, que já teve diversos contatos anteriores com o C40, reflete que a associação com os chineses só beneficiou os suecos, que ampliaram o conhecimento sobre eletrificação, área em que os chineses são mestres. Em compensação, o expertise quase centenário da Volvo flui na performance do C40. Por exemplo, no conjunto mecânico composto pela estrutura, sistema de direção, suspensões independentes e no acerto geral do conjunto. Na performance veloz e precisa, a engenharia da Volvo prevalece, enquanto o conhecimento da Geely em eletrificação é fundamental para a proteção ambiental e para a autonomia de mais de 400 quilômetros do C40.
Há evidente superioridade tecnológica do C40 em relação a muitos concorrentes chineses. Outros modelos da marca, já testados, como o SUV XC40 Recharge ou o recém-lançado EX30, também são sedutores para quem os pilota. As impressões subjetivas, especialmente para quem já testou muitos elétricos, são ampliadas pela precisão do comportamento em reta e curva. O C40 suporta mudanças bruscas e dramáticas de trajetória com mínimo "rolling" lateral da carroceria, proporcionando uma condução que pode ser ultra veloz, mas sem pressionar o motorista, como ocorre em alguns modelos chineses com torque excessivo e mal dosado.
No C40, o manejo do torque de 467 Nm e 408 hp, gerado por dois motores elétricos, não significa um desafio perigoso. A engenharia sueca dosou o torque e ampliou a segurança ativa. No interior, o sóbrio luxo nórdico impera, com tecidos derivados de fibras naturais, excepcional ergonomia nos bancos dianteiros e ótima ergonomia para quem viaja no banco traseiro. A grande tela central é marca registrada da Volvo. O C40 tem 4.440 mm de comprimento, um entre-eixos generoso de 2.702 mm e 1.591 mm de altura. É, portanto, um SUV cupê de tamanho médio, que se sente à vontade no trânsito urbano e, na rodovia, oferece uma estabilidade impecável, como se estivesse "sobre trilhos".
A segurança também é típica de um Volvo: controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, monitor de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, assistente de condução semi-autônoma e muitos airbags. É, sem dúvida, um dos melhores veículos elétricos do mundo.
