Carros & Motos

Test-drive: EQA é a prevalência do conceito heritage da Mercedes

Modelo entrega a qualidade, performance e luxo esperados da montadora alemã

Conforto e estabilidade são destaque do conjunto de suspensões
Conforto e estabilidade são destaque do conjunto de suspensões Foto : Renato Rossi / Especial CP

Um dirigente de montadora chinesa, desses que trocaram a “humildade oriental” pela “vitória elétrica” ainda não consolidada, afirmou na imprensa europeia: “Durante muitos anos seguimos as montadoras europeias e seus ‘mitos’. Agora, elas nos seguem.” Pelo menos da parte da Mercedes-Benz, há uma certeza: as marcas chinesas, que agora se aventuram no segmento premium, ainda não conseguem produzir carros com a qualidade diferenciada da Mercedes-Benz, algo que o motorista percebe logo nos primeiros quilômetros rodados em teste.

Desculpe, “dona BYD”, mas a senhora ainda deixa a desejar na “tunagem” das suspensões de carros e SUVs, que, em muitos momentos, parecem incertos na estabilidade direcional.

A Mercedes-Benz tem cem anos de história e já rodava com suas “flechas prateadas” no Autódromo de AVUS, na Alemanha dos anos 1930, a mais de 300 km/h. Em AVUS, a Mercedes-Benz aprimorava o aprendizado sobre a configuração e regulagem de suspensões, um conhecimento consolidado em milhares de vitórias nas pistas, que foi transferido para os carros de rua. É justamente esse conceito de “heritage” que está presente também no excepcional Mégane elétrico da Renault, mantendo as marcas históricas competitivas em 2024.

Design segue a elegância esportiva | Foto: Renato Rossi / Especial CP

Foi essa herança que o CM do CP sentiu já nos primeiros quilômetros rodados com o SUV EQA, a versão elétrica do mundialmente consagrado GLA a combustão. O EQA tem 4,47 metros de comprimento, 1,834 m de largura e 2,729 m de entre-eixos. É, portanto, um veículo bem proporcionado, que se insere facilmente no trânsito urbano, proporcionando um prazer de condução que “atiça” os sentidos do motorista. O bem-estar a bordo começa pelo acabamento luxuoso do habitáculo, que integra materiais de visível e sensível qualidade. No painel, duas telas de 10,6 polegadas para o motorista e uma de 10 polegadas no centro formam um bloco único, unindo praticidade e refinamento estético. Filetes horizontais que mudam de cor no painel e nas portas destacam ainda mais o estilo. A cor vermelha inicial já indicava que, além do bom gosto a bordo, haveria uma complementação de forte performance.

Felizmente, há um toque retrô, com comandos físicos no EQA, contrastando com o futurismo das telas de alta definição. Surpresa encontrar no modelo elétrico o cilindro que controla o som, fácil de manusear. É o conceito “heritage” ou “herança” que se impõe, lembrando ao motorista que o futurismo em excesso pode ser cansativo e irritante. Modos regenerativos de energia, assim como modos de condução, também são acessados através de controles físicos.

O volante, uma “obra de arte” com diâmetro reduzido, borda achatada e acabamento luxuoso, destaca o controle preciso, refletindo a qualidade do conjunto de suspensões: McPherson na dianteira e uma sofisticada multilink na traseira. A plataforma especializada para a linha elétrica da Mercedes-Benz oferece alto nível de rigidez torsional, resultando em uma rodagem confortável e estável, contribuindo para um elevado nível de segurança ativa.

Motor entrega 190 hps de potência | Foto: Renato Rossi / Especial CP

O EQA conta com uma bateria de 66,5 kWh, equivalente a 190 hp, que proporciona uma condução confortável e sem estresse. Afinal, o EQA foi projetado para a família. Os 190 hp evitam o “excesso de potência” que poderia gerar problemas para o motorista, pois o torque elétrico pode ser “brutal” e induzir a perda do controle direcional. No EQA, o torque de 39,2 kgfm possibilita fortes acelerações e um comportamento dinâmico, já que as suspensões suportam uma pilotagem mais agressiva. Mas isso pode ir contra o bom senso; é melhor curtir o lado “passeio” do EQA, que é bastante prazeroso. O habitáculo é acolhedor e ergonômico, com filetes luminosos no painel, nas laterais e no assoalho, que mudam de cor, proporcionando uma experiência visual harmoniosa. A vontade de quem está a bordo é de permanecer ali pelo simples prazer de conduzir.

No teste, mais de 300 quilômetros foram percorridos, com autonomia total de 400 quilômetros. Sistemas de condução autônoma, que inexistiam em 2014, aumentaram a segurança ativa em 2024: ajuste automático de distância (Distronic), assistente ativo de direção, assistente ativo de frenagem, assistente de manutenção de faixa, alerta de ponto cego, alerta de tráfego cruzado e aviso de porta aberta para desembarque. Mais do que suficiente para preservar a segurança de todos a bordo.