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Test-drive: GWM Ora mostra a evolução dos chineses

Modelo elétrico apresenta muita tecnologia e supera performance de rivais

Modelo deu show de competência na pista
Modelo deu show de competência na pista Foto : Renato Rossi / Especial CP

O hatchback Ora foi testado na pista do autódromo de Interlagos em fevereiro deste ano. Naqueles dias 21 e 22, festivos e muito bem organizados, o SUV Haval era a principal atração. A GMW "capitalizava" o SUV Haval híbrido "plug-in", sucesso de vendas no mundo e no Brasil. Na pista estava também o Ora, "quietinho" em seu canto e quase ofuscado pelo imponente e ultra potente Haval com 393 hp. Mas o Ora não se intimidou e deu um show de competência na pista. Em julho deste ano, o Haval teve 2800 unidades comercializadas, enquanto o Ora teve 400 unidades comercializadas. Isto significa que o carro elétrico perde espaço para os híbridos "plug-in", que são a nova "onda global".

A volta do hibridismo, tecnologia lançada pela Toyota em 1997, não surpreende. As "petroleiras" tentam inviabilizar o carro elétrico, que recebe críticas inexplicáveis e falsas na imprensa global. As vendas dos elétricos refluem enquanto as vendas dos híbridos se ampliam, o que é péssimo para o meio ambiente, já que os híbridos emitem dióxido e monóxido de carbono.

Design tem inspiração em esportivos, com verve futurista | Foto: Renato Rossi / Especial CP

O Ora foi testado em três dias, e sua performance está muito acima de muitos concorrentes do mercado elétrico. Na cidade, sobre pavimentos irregulares, o Ora mostrou sua excepcional rigidez torsional, com suspensões que "assimilam" as irregularidades do terreno e propiciam um conforto de marcha excepcional para um carro de pequeno porte. O conjunto motor elétrico com 171 hp e 25,5 kgfm de torque, sistema de direção firme e sensível, e suspensões muito bem calibradas garantem uma rodagem suave mas assertiva. Os 300 quilômetros rodados foram prazerosos. Mais uma vez, confirmou-se a superioridade tecnológica do carro elétrico em relação ao "carro a combustão". O silêncio absoluto do Ora é "reflexivo", reduz a adrenalina e gera a consciência de mobilidade feliz, tranquila e totalmente a favor da preservação ambiental.

O carro elétrico é o sutil aprendizado em conduzir um automóvel de forma segura e madura. Mas a bateria de íon lítio não suporta as acelerações bruscas a todo momento, e a autonomia pode ser reduzida em 40% se o carro elétrico for conduzido a alta velocidade constante ou se for praticada direção "abusada", comum no carro a combustão. As acelerações inúteis em semáforos e a alta velocidade criminosa na cidade são problemáticas. O ronco do Porsche que abre caminho para o ego inflado. O carro elétrico não nasceu para o uso anti-social, já que está comprometido com um futuro que até pode conter seres humanos. Certos cuidados na condução do elétrico são necessários, já que a "corrente contínua" resulta em um torque fortíssimo. O Ora, com seu torque poderoso extraído de apenas 171 hp, faz de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos. É uma marca de carro esportivo "brabo". Mas o torque contínuo e fortíssimo está presente em todos os segundos e microsegundos da performance do Ora e dos elétricos de estirpe. O sedan esportivo Seal da BYD, com 531 hp, mais parece uma Ferrari que nasceu na China. Os motores a combustão "perdem torque" nas trocas de marchas, mas no elétrico basta a ré e o "drive" para obter uma performance superior.

Performance acima dos concorrentes elétricos | Foto: Renato Rossi / Especial CP

O design do Ora remete às linhas dos carros esportivos europeus da década de 1970, como o Porsche 911 e o Renault 5. Há nuances que correm pela carroceria num jogo constante entre o "retrô" e o design contemporâneo, até futurista. É um jogo sutil que seduz o consumidor e mostra que, depois das "cópias", os chineses finalmente soam originais em seus projetos. A GWM quer fazer do Ora um sucesso no exigente mercado europeu. A dirigibilidade do Ora, ao gosto do consumidor europeu, é precisa e bem mais "rígida" em relação a carros vendidos somente na China, que ainda têm suspensões moles e volante leve e inconsistente. As suspensões do Ora mostram um alto nível de "grip" ou agarramento ao solo, e o curso reduzido das suspensões mantém o Ora na trajetória da curva, seja na frente ou na traseira. Há uma previsibilidade de comportamento que encanta.

Bem "engenheirado", o Ora é conformado em aço de alta resistência, e o "pacote" de baterias que ocupa boa parte da plataforma é protegido por um invólucro metálico. Algo muito útil em um país onde os pavimentos são muitas vezes armadilhas que podem amassar e retorcer a plataforma. Baterias de íon lítio são explosivas se impactadas. O Ora tem 4.235 mm de comprimento, 1.824 mm de largura, entre-eixos de 2.650 mm e altura de 1.603 mm. O Ora é espaçoso para até 5 pessoas e baixo, o que ajuda na penetração aerodinâmica. O entre-eixos "grandão" reduziu o porta-malas, que comporta somente 228 litros. Se for com a família ao supermercado fazer o "rancho", baixe os bancos traseiros que ficam "planos" e ali cabem mais uns 800 litros. Mas a família e o cachorro querido voltam de ônibus. Há uma longa lista de equipamentos de segurança: "piloto automático adaptativo", assistente de faixa, alerta de tráfego traseiro, alerta de abertura de portas, monitor de pontos cegos, entre outros. O mais importante para a preservação da vida são os percentuais de segurança obtidos nos testes de impacto do Euro NCAP. Eis os resultados dos testes realizados em 2023: proteção para ocupantes adultos de 92%, proteção para crianças de 83%, e segurança para pedestres de 74%. Os sistemas de assistência à condução propiciam um nível de segurança de 93%. É um resultado que orgulha a indústria automobilística chinesa e a GWM.