Primeiro, o GWM Haval entrega ao consumidor seu porte. É imponente já no showroom, onde o comprimento de 468,3 cm, largura de 188,6 cm e altura de 217,3 cm sinalizam que ali está um veículo de grande porte que pode ser um "estorvo" no trânsito "apertado" das cidades brasileiras, geralmente formadas por ruas estreitas. Essa impressão de "grandeza" prossegue no amplo espaço do habitáculo, que acomoda com folga até cinco pessoas. A razão desse amplo espaço está no entre-eixos de 273,8 cm. É generoso, sem dúvida.
Mas basta entrar com o Haval H6 HEV no circuito urbano para que o SUV, na facilidade e "leveza" de rodagem, pareça um veículo bem menor em dimensões, como um Creta ou Renegade, talvez. Testado por dois dias em circuito urbano e rodoviário, esta versão mais "tranquila" do Haval, dotada de motor elétrico que funciona com uma bateria de 1,6 kWh e um motor a combustão 1.5 turbo com 243 cv, revela logo sua praticidade. Durante o teste, os 243 cv em nenhum momento "incomodaram" o piloto do CP, com eventual falta de potência ou torque. Nada disso. A potência é suficiente para retomadas rápidas de velocidade, e o torque de 50 kgfm acentua a agilidade do Haval.
As citações sobre potência e torque são necessárias e pertinentes, considerando que, na semana passada, foi testada a versão PHEV, híbrida "plug-in", com potência conjugada de 326 cv e 54 kgfm de torque. O PHEV é um "cavalo selvagem" a ser domado, mas o excesso de potência às vezes incomoda, pois as acelerações podem ser bruscas e muito agressivas. Isso é desaconselhável para temperamentos impulsivos e motoristas inexperientes. Já o HEV mostra-se mais suave e cordial nas retomadas de velocidade, sem perder o "ímpeto elétrico".
Aqui, seria necessário estabelecer uma diferenciação tecnológica entre o motor elétrico e o motor a combustão, o que demandaria vários parágrafos. Vamos "atalhar": não dá para comparar o poder do torque elétrico com o torque gerado pelo motor a combustão, por mais potente que este último seja. A potência e o torque em um motor a combustão "se perdem pelo caminho", enquanto, no carro elétrico, a entrega é imediata, um verdadeiro "soco no queixo". É como pedir a Mike Tyson que dê um soco em nossa cara.
Estabelecida essa diferença, vamos salientar novamente que a potência de 243 cv é mais do que suficiente para uma dirigibilidade prazerosa em ruas e rodovias. Nessas condições, o Haval se mostrou veloz e "apegado" à linha reta. É interessante observar o Haval entre as linhas de "conduta segura" projetadas além do para-brisa. Qualquer desvio de trajetória faz com que essas duas linhas paralelas mudem de cor, do amarelo para o vermelho. Se o desvio for muito acentuado e contínuo, uma voz digitalizada lembrará que se trata de uma direção perigosa, e o motor perderá potência.
O Haval HEV conta com múltiplos sistemas de segurança que auxiliam o motorista a fazer as melhores escolhas. Os modos de condução, que vão do "ecológico" ao esportivo, alteram parâmetros de direção, como o maior enrijecimento do volante em uma condução esportiva.
Mas o que mais impressiona no Haval é sua adaptabilidade aos péssimos pavimentos do Brasil. Buracos, depressões, falta de aderência em asfalto desgastado, pedras e ausência de pavimento são desafios constantes, que exigem muito de motoristas e veículos. O Haval ignora as imperfeições do terreno, mas não no estilo do Tiggo 8, o SUV "tapete voador" que mal percebe o que está sob as rodas. De forma alguma: o Haval, com suspensões muito bem calibradas, reconhece o que está sob os pneus e oferece um nível elevado de "road feeling", o "sentir a rua ou rodovia".
Não houve "economia" no projeto, considerando que a suspensão traseira é uma sofisticada "multilink", que amplia a estabilidade direcional e lateral.
