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Test-drive: Jaguar XE é puro “heritage”

Modelo mostra resistência da plataforma e qualidade no produto

Linhas associam esportividade e luxo
Linhas associam esportividade e luxo Foto : Renato Rossi / Especial CP

Não é uma marca qualquer, é a Jaguar. A mítica marca de origem inglesa, fundada em 1922 na Inglaterra, originalmente produzia os "side cars", ou seja, o espaço para passageiro acoplado lateralmente às motos. O primeiro automóvel da Jaguar foi produzido em 1935. A companhia, que produzia carros aerodinâmicos no pré-guerra, se chamava SS, e em 1935 passou a utilizar o nome Jaguar. Em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, a nascente indústria automobilística inglesa se expandia, sustentada pelos bilhões de dólares do Plano Marshall para a reconstrução da Europa. Foi então que surgiu a poderosa estatal British Leyland, que, entre outras marcas, incluía a Jaguar.

Nos anos 1950 e 1960, os belos Jaguar eram considerados carros velozes, mas problemáticos. A fragilidade mecânica era quase uma "tradição inglesa". Em 1984, a Jaguar tornou-se um grupo privado e floresceu com belos esportivos de melhor qualidade, até ser comprada pela Ford em 1990. Em 2008, foi vendida aos indianos da Tata Motors.

Com os bilhões de dólares investidos pela Tata, a Jaguar renasceu, depois de sofrer um processo de degradação acelerada sob o comando da Ford. A Ford havia tentado "popularizar" a Jaguar, uma marca tradicionalmente elitizada. Os clientes sempre estiveram dispostos a pagar mais para ter na garagem um símbolo de tradição aristocrática e design esportivo, às vezes sublime, como no bem-sucedido E-Type, produzido de 1961 a 1974, que está exposto no famoso Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA). Hoje, o Jaguar não é apenas um carro; é uma obra de arte.

Chassis de alumínio tem alta resistência e rigidez | Foto: Renato Rossi / Especial CP

A Jaguar recuperou seu brilho com ótimos produtos recentes, como o SUV F-Pace, que conta com a versão elétrica E-Pace, e o sedã esportivo F-Type, lançado em 2013, que restaurou o prestígio da marca. Nesta semana, em um dia de uso intensivo do Jaguar XE, cedido ao Correio do Povo pela revenda Savarauto Multimarcas, o jornalista e piloto de testes foi desafiado a compatibilizar o "heritage" (herança e tradição) da Jaguar com o uso, até "prosaico", nas ruas da cidade.

No difícil contexto do trânsito urbano e depois em uma BR-101 praticamente vazia, o XE, lançado no mercado mundial em 2015, mostrou na prática as razões de seu sucesso global. O XE testado, com 27 mil quilômetros rodados, provou que suas suspensões continuam íntegras e que a plataforma mantém a mesma rigidez torsional de um XE "zero quilômetro". A Tata recuperou a imagem da Jaguar ao mesmo tempo em que os indianos, ex-colonizados pelos ingleses, se tornaram os donos das marcas Jaguar e Land Rover. A fábrica da Jaguar permanece na Inglaterra, para não melindrar os ingleses, que não gostariam de ver um Jaguar sendo produzido na Índia.

O XE, sucesso de vendas na Europa, conquistou uma posição sólida no mercado indiano e vende muito bem nos Estados Unidos. A Jaguar está em transição para produzir apenas carros elétricos até 2030. Portanto, este XE, movido por um motor 2.0 turbo a gasolina com 247 cavalos de potência, pode ser descontinuado em 2025. O XE utiliza a mesma plataforma dos bem-sucedidos XF e F-Pace, além do soberbo Range Rover Velar, um SUV tão refinado que, em um restaurante de luxo, o "maître" leva caviar ao estacionamento para que o proprietário não precise se afastar do Velar.

O Jaguar XE possui um chassi totalmente em alumínio de alta resistência, o que contribui para um nível superior de rigidez torsional. A suspensão dianteira utiliza "duplo braço", uma evolução tecnológica, enquanto a traseira conta com uma suspensão "multilink" altamente eficiente. Trata-se de um sedã esportivo e aerodinâmico, com coeficiente de arrasto (Cx) de apenas 0,26. A precisão na direção, aliada ao alto nível de estabilidade direcional e lateral, demonstra na prática o DNA ultraesportivo da Jaguar. O XE está longe de ser um sedã "família". Sua esportividade inata exige que o motorista se adapte às rápidas reações do carro, que, no entanto, não são agressivas. O XE enfrenta curvas de qualquer raio com confiança e "corre sobre trilhos" nas longas retas da BR-101.

Acima de tudo, surpreende a suavidade na transição do torque do potente motor turbo, o que facilita o manejo deste sedã de 4,67 metros de comprimento e generosa distância entre eixos de 2,83 metros. Há ótimo espaço para os passageiros da frente, mas o motorista deve se acostumar com a "linha de cintura" baixa, típica de carros esportivos. O banco traseiro ergonômico acomoda dois passageiros com conforto. O volante, pequeno e típico de carros esportivos, oferece uma noção exata do comportamento dinâmico.

Os chineses que me desculpem, mas a confiabilidade dinâmica do XE contém o "heritage" da marca, algo que não está presente, por exemplo, no sedã esportivo Seal da BYD, cujo motor de 531 cavalos é desproporcional à estrutura do veículo. Desde 1935, a Jaguar tem refinado sua tecnologia, tanto no uso cotidiano dos consumidores quanto nas principais competições de velocidade do mundo. Portanto, o conceito de "heritage" da Jaguar, tanto cultural quanto tecnológico, não pode ser desprezado.

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